segunda-feira, 2 de março de 2020

Plano de Mobilidade do Tua: Ministra da Coesão Territorial garante vontade política

O Plano de Mobilidade do Tua vai ser discutido no próximo Conselho de Ministros.
A garantia é da Ministra da Coesão Territorial que, considerando o projecto uma “preciosidade”, assegurou que há “vontade política” em resolver a questão. Os assuntos relativos ao plano foram expostos ao Governo, pelos autarcas do Vale do Tua, à margem do Conselho de Ministros descentralizado, que aconteceu, na semana passada, em Bragança. 

Ana Abrunhosa frisou que o Ministério da Coesão Territorial está a acompanhar o processo, em conjunto com o Ministério das Infraestruturas e da Habitação. “A questão do Tua não foi objecto de tratamento neste Conselho de Ministros mas foi objecto de exposição pelos autarcas e, portanto, é um dos assuntos vamos falar no próximo Conselho de Ministros mas é um assunto que o Ministério da Coesão Territorial está a acompanhar com o Ministério das Infraestruturas e Habitação. Há uma questão de obra, há uma questão também das carruagens. Estamos a acompanhar e posso dar nota de uma vontade política muito grande de resolver o assunto porque estamos a falar de uma preciosidade”.

Ana Abrunhosa sublinhou que este é um projecto de grande importância para a região e aplaude a atitude dos autarcas envolvidos, que avançaram com a obra e solicitaram apenas uma parte do financiamento. “Estamos a falar da história, de um projecto importantíssimo de promoção turística, de dar visibilidade a este território. Estamos a falar das nossas memórias. É um projecto importante e é preciso dizer que os autarcas já avançaram com as obras e não solicitam sequer o apoio para todo o investimento que estão a fazer, solicitam apenas uma parte, que esperemos que seja desbloqueada em breve”.

As obras na linha do Tua começaram em Novembro do ano passado e vão permitir que o comboio volte a apitar nos 33 quilómetros que separam as estações da Brunheda, em Carrazeda de Ansiães, e Mirandela.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Apoio atribuído às freguesias esteve em destaque na Assembleia Municipal de Bragança

Na última Assembleia Municipal de Bragança, o apoio atribuído às freguesias, por parte do município, foi um dos assuntos que marcou o debate.
O PS votou contra as propostas, não por ter uma posição desfavorável em relação aos apoios, garante Dinis Costa, o líder da bancada socialista na assembleia, mas porque acredita que a atribuição de verbas é errática e casuística, por isso pede fundamentação. “A posição do PS tem vindo a ser reiterada com toda a clareza. Não somos contra o apoio às freguesias, sobre essa matéria não vale a pena ninguém fazer o spin político de achar que o PS é contra as freguesias e a necessidade do seu financiamento. O que temos dito, neste mandato autárquico, é que o procedimento adoptado, pela câmara municipal, para financiar as juntas de freguesia, é ilegal ou pelo menos carece de validade e de fundamentação porque colide com o espírito da lei 75/2013”.

O PS tinha pedido um parecer à CCDR-N sobre os apoios às freguesias pelo Município de Bragança, que recomendava a fundamentação da atribuição destas verbas. O autarca Hernâni Dias entende que essa fundamentação existe e garante que a câmara não vai alterar a forma como distribui estes apoios. “A CCDR-N emitiu um parecer sobre uma questão que lhe foi colocada e dentro daquilo que foi o parecer nós estamos perfeitamente enquadrados num dos pontos que referem, que é o facto de haver uma fundamentação para a atribuição dos apoios e nesse que continuaremos a trabalhar. O apoio às juntas de freguesia é algo que temos vindo a fazer e continuaremos, cumprindo estritamente o que a legislação nos obriga, fazendo com que contribuamos de forma muito positiva para elevar a componente de autonomia das juntas de freguesia e para resolver problemas dos nossos concidadãos”.

Na sessão da assembleia, o presidente da câmara anunciou ainda que o apoio municipal aos produtores pecuários relativo à sanidade animal vai passar de 50 para 100%. “Nós tínhamos assumido um compromisso com os nossos agricultores, nomeadamente os que ainda se dedicam à pecuária, no sentido de podermos subsidiar o processo de recolha de sangue, que é obrigatório. O ano passado conseguimos já atribuir uma valor de subdiciação na ordem dos 50% e este ano estamos em condições de poder avançar já com um financiamento total e garantir que os nossos agricultores não vão ter qualquer despesa associada ao processo de recolha de sangue”.

O município de Bragança vai destinar uma verba de 60 mil euros a este apoio aos produtores de gado bovino, ovino e caprino. Na primeira sessão da assembleia deste ano, a CDU apresentou ainda uma moção pela criação das regiões administrativas e de protesto por um novo adiamento do processo de regionalização depois de uma proposta ter sido rejeitada na Assembleia da República, explicou Fátima Bento da CDU. “A regionalização é efectivamente necessária para o nosso desenvolvimento e, por outro lado, desmascarar e tornar público que a votação que foi feita na AR contraria as vontades das nossas regiões, da população e dos membros desta assembleia, tal como a votação da moção expressa”.

A moção foi mesmo aprovada por maioria, com 20 votos de abstenção. A CDU fez ainda aprovar, por unanimidade, uma moção de congratulação pelo exercício de funções de Helena Genésio, enquanto directora do Teatro Municipal de Bragança, nos últimos 15 anos.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Memórias da RTP - 1992-10-14 - Reparação de comboios da Linha do Tua - A GRANDE MENTIRA

Porto, jornalista Maria Eduarda Maio entrevista Américo Ramalho, Relações Públicas da empresa CP - Comboios de Portugal, a partir dos estúdios de Lisboa, sobre a retirada de comboios da estação de Bragança e o seu envio para reparação em Mirandela.
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Candidaturas ao Programa de Apoio aos Agentes Culturais do norte decorrem durante o mês de março

O Programa de Apoio aos Agentes Culturais destina-se a apoiar iniciativas e projetos de agentes culturais, locais ou regionais de caráter não profissional, que, pela sua natureza, correspondam a necessidades ou aptidões específicas da região Norte, área de abrangência territorial da Direção Regional de Cultura do Norte.
As candidaturas ao Programa de Apoio aos Agentes Culturais do norte decorrem durante o mês de março, informou a Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) em comunicado de imprensa.

A DRCN  associa-se à Celebração Nacional do Quinto Centenário da Primeira Viagem de Circum-navegação, liderada por Fernão de Magalhães, definindo este como tema preferencial para os projetos e iniciativas a apoiar entre 2019 e 2021, no âmbito do PAAC.

O Programa de Apoio aos Agentes Culturais destina-se a apoiar iniciativas e projetos de agentes culturais, locais ou regionais de caráter não profissional, que, pela sua natureza, correspondam a necessidades ou aptidões específicas da região Norte, área de abrangência territorial da Direção Regional de Cultura do Norte.

Podem candidatar-se ao PAAC todos os agentes culturais da região Norte de Portugal, entidades individuais, associativas, cooperativas, ou outras sem fins lucrativos, de caráter não profissional ou, quando profissional, não estando a beneficiar de apoio da tutela da Cultura.

As entidades interessadas em beneficiar do Programa de Apoio da DRCN devem, após leitura do Regulamento de Apoio aos Agentes Culturais, preencher online o formulário de candidatura. Os documentos de instrução da candidatura deverão ser remetidos para o seguinte email dpdc.norte@gmail.com.

“Pintura mural: intervenções de conservação e restauro”, apresentado em Miranda do Douro

O quarto número da coleção monográfica «PATRIMÓNIO A NORTE», dedicado ao tema “Pintura mural: intervenções de conservação e restauro”, tem o seu lançamento agendado para o dia 17 de março, pelas 16h00, no Museu da Terra de Miranda, em Miranda do Douro.

A presente publicação surge na sequência da realização, em Miranda do Douro, nos dias 23 e 24 de maio de 2019, das “Jornadas Técnicas sobre Conservação e Restauro de Pintura Mural”, organizadas pela Direção Regional de Cultura do Norte.

Com o objetivo de contribuir para uma maior partilha e debate de conhecimentos em torno da pintura mural enquanto elemento patrimonial – histórico, artístico e cultural -, a publicação “Pintura mural: intervenções de conservação e restauro” tem como foco a problemática da sua salvaguarda em termos técnicos, reunindo para isso um interessante conjunto de intervenções de conservação e restauro realizadas no Norte de Portugal e Espanha.

Inseridas em igrejas, capelas e ermitérios de ambos os lados da fronteira, os aspetos simbólicos, técnicos e formais destas pinturas murais expõem uma vez mais um fenómeno transversal aos dois “reinos” ibéricos, com especial expressão junto á “raia”, revelando um mundo de partilha onde artífices itinerantes levam consigo práticas e gostos, ignorando fronteiras.

Aqui descritas, na “primeira pessoa”, pelos técnicos de conservação e restauro responsáveis, partilham-se problemáticas, conceitos, materiais e técnicas em ambas as línguas ibéricas.

Esta publicação resulta de uma parceria com a Junta de Castilla y León, sendo financiada ao abrigo da Operação PATCOM (Caminhos do Património), apresentada pela Direção Regional de Cultura do Norte e pela Junta de Castela e Leão ao programa INTERREG V-A (POCTEP) – Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha – Portugal.

Sobre a Coleção Património a Norte

Edição da Direção Regional de Cultura do Norte, PATRIMÓNIO A NORTE é uma coleção monográfica, numerada, sem periodicidade fixa, disponível em versão impressa e digital, acessível gratuitamente AQUI.

Destinada a técnicos e público generalista, aborda variados temas dentro do amplo universo de atuação da DRCN, da reabilitação patrimonial à conservação e restauro, da investigação histórica, arqueológica e etnológica à salvaguarda, das artes à museologia.

A iniciativa editorial PATRIMÓNIO A NORTE pretende contribuir para dar resposta às funções Social, Educativa e Científica da Direção Regional de Cultura do Norte, enquanto responsável por contribuir para a preservação, valorização e acesso à Cultura Portuguesa, bem como pela difusão e produção de conhecimento, assim contribuindo para uma maior divulgação dos bens culturais dentro da sua área de atuação.

Enquanto veículo emissor, a coleção PATRIMÓNIO A NORTE insere-se ainda na estratégia de comunicação da DRCN, contribuindo assumidamente para o reforço da sua imagem institucional enquanto marca e projeção dos seus espaços e equipamentos culturais enquanto produto.

Assume na sua forma o formato de coleção monográfica, incidindo cada número sobre um tema, versando âmbitos tão latos como a da reabilitação patrimonial, conservação e restauro, investigação histórica e arqueológica, etnologia, salvaguarda, artes ou museologia.

“Governo Mais Próximo” deixou à distância o concelho de Torre de Moncorvo

Em declarações à Agência Lusa Nuno Gonçalves afirmou ter lamentado o facto de Torre de Moncorvo ter sido o único do 12 concelhos do distrito de Bragança a não ser visitado por membros do Governo.
O presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, lamentou publicamente o esquecimento que a iniciativa “Governo Mais Próximo” teve para com o seu concelho. O autarca disse ter  transmitido ao primeiro-ministro, António Costa, esse descontentamento.

Em declarações à Agência Lusa Nuno Gonçalves afirmou ter lamentado o facto de Torre de Moncorvo ter sido o único do 12 concelhos do distrito de Bragança a não ser visitado por membros do Governo.

“Fica um lamento, e foi isso que disse ao senhor primeiro-ministro. Fica o lamento de que muitas das ações realizadas durante esta iniciativa são repetidas em muitas localidades e houve o esquecimento de um investimento de 552 milhões de euros de capitais privados no concelho Torre de Moncorvo. A comitiva governamental foi a 11 concelhos do distrito de Bragança e não passou pelo 12.º, que neste caso é Torre de Moncorvo “, frisou à Lusa Nuno Gonçalves.

O autarca referia-se ao investimento previsto para as minas de ferro, onde deverão ser aplicados cerca de 552 milhões de euros de capitais privados da empresa  Aethel Mining.

Nuno Gonçalves declarou não acreditar que no Governo “não tenham conhecimento desta iniciativa de capitais privados. Ainda quero acreditar que o senhor primeiro-ministro e os seus ministros percebam que este é um investimento que está no terreno, onde se proferem discursos, como a criação de emprego ou atração de empresas para territórios de baixa densidade.O nosso percurso é o usado nos territórios de baixa densidade: é fazermos por nós próprios, não olhando o Terreiro do Paço “, salientou o autarca de Torre de Moncorvo, citado pela Lusa.

domingo, 1 de março de 2020

Mostra de Artesanato de Vinhais

A 21ª Promoção Gastronómica e Mostra de Artesanato de Vinhais vai ter lugar de 6 a 8 de março, no Mercado Municipal de Oeiras.

Esta iniciativa consiste num certame gastronómico, turístico-cultural composto por música popular, mostra e venda de fumeiro certificado e artesanato com possibilidade de degustação da gastronomia tradicional transmontana.

Além de dar a conhecer os produtos tradicionais de Vinhais, é uma oportunidade de promoção e de comercialização de Fumeiro de Vinhais, de artesanato regional e uma mostra gastronómica dos melhores pratos típicos vinhaenses.

Este evento é organizado pela Casa do Concelho de Vinhais, com o apoio das Câmaras Municipais de Oeiras e de Vinhais.

Horários:
Sexta-feira (6 março) - 17H00 às 22H00
Sábado e domingo (7 e 8 de março) - 10H00 às 22H00

Não falte!

Memórias da RTP - 1992-03-23 - Manifestação contra o encerramento da linha do Tua

Manifestação de população contra o desaparecimento de linha ferroviária da Linha do Tua entre Bragança e Mirandela.
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Notícias da aldeia…ou das despedidas

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)

- Olha um pássaro!
Dizia a Lara…sem grande entusiasmo como se fosse a coisa mais natural do mundo ver um pássaro dentro dum recuperador duma lareira.
Os adultos, claro, não acreditaram…os adultos têm dificuldade em ver coisas para além do trivial…do cientificamente provado, depois dum complexo processo de análise, confirmação da hipótese…leis…mudanças de paradigma… enfim… pintam a manta.
Até porque a Lara vê coisas que ninguém mais vê…porque ainda tem olhos de infinito…e o coração de criança!
- Já és uma senhora…! Dizia a visita… 
- Não sou nada… sou uma criança!... emenda, sensatamente, a Lara como quem repõe a ordem natural das coisas… num mundo de falsidades… e onde se perdeu o dom da lucidez.
Depois os adultos… lá viram também um tímido pardal que tinha caído pela chaminé e se debatia, entre a vida e a morte num labirinto de troncos…!
…que lindo…dizia a Lara! Para quem todos os seres da natureza tem o dom da beleza e a perfeição de criaturas do universo!
…vamos ficar com ele…aqui em casa…e irá ser feliz!
…a mãe da Lara não achou boa ideia… afinal o pardal devia ter uma casa…uma família… e iria ter saudades dos voos largos…perto das estrelas…e do convívio ameno com as couves frescas do quintal!
Por isso, a mãe da Lara…a Lara, a Joana…irmã da Lara…e eu, o narrador, fomos todos à varanda… despedir-nos do pardal…que num voo largo e livre se fez ao céu como quem dança…agradecido!
…adeusssssssssssss pardal! Os dedos das crianças tinham asas!
…foi melhor assim!
Bem perto andava um caracol!
… que lindo, diz a Lara que tem o dom da beleza!
… repetimos com o caracol o mesmo ritual da pardal!... e também deixou saudades!
…adeusssssssssssss caracol! 
Então a Lara e o pai da Lara foram colocar, cuidadosamente, o caracol em cima da couve mais tenra!
…ontem foi o dia das grandes despedidas!
…das saudades!
Mas foi melhor assim!
A Lara, a Joana, o pardal e o caracol…pertencem ao mesmo planeta azul…e tão bonito!...ao mesmo ecossistema!
… e são livres!


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

O final da tarde desportiva é na TASKA

DESCOBRIR UM PORTUGUÊS, EM PORTUGAL

Por: Humberto Pinho da Silva 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


Afazeres profissionais, levaram-me à cidade de Aveiro. Terra de moliceiros e ovos-moles.
Fui de comboio, que ia repleto de passageiros e malas. Levava comigo pequeno saco de viagem, com muda de roupa e objectos de higiene.
Diante de mim, senhora, já idosa, de cabelos aloirados, sentou-se junto da janela. Na mão trazia subscrito e papéis dobrados em quatro
Deu-me os bons dias, num português macarrónico, de timbre italiano. Rapidamente soube, que era de origem alemã, mas conhecia um pouco de italiano.
Para manter conversa, perguntou-me se era italiano ou espanhol, como lhe responde-se: que era português, mostrou expressão de espanto:
- Mesmo português?! …
- Sim: português do Porto. Nascido e criado nessa cidade…
- Não parece! … Há tão poucos! … – Disse-me, atónita, em italiano pouco inteligível.
Esse encontro e conversa comboiana, fez-me recordar: realmente é difícil ouvir falar português, na baixa portuense. Na Rua de Santa Catarina, o pouco português, que se pode escutar, quase sempre, tem sotaque carioca.
Certa ocasião, ao ler crónica, numa publicação lisboeta, o autor comentava que fora ao Bairro-Alto, e pensara, que ele é que era o turista; só ouvia palavras estrangeiras! …
Recomendava o cronista, que o Departamento de Turismo, colocasse nas ruas dos bairros típicos portugueses, para os turistas poderem escutar o linguarejar lisboeta…
O turismo é vantajoso, para o nosso País: traz-nos preciosas divisas. Mas, o excesso, incomoda…
Todos ficamos satisfeitos que nos venham visitar, e fiquem encantados com a hospitalidade (já no séc. XVIII, José Gorani, dizia: “ os portugueses eram gentis e hospitaleiros” - “Portugal”, Editorial Àtica, 1955)
É bom para o comércio e hotelaria. Os nossos preços, em regra, são baixos, comparados com os da Europa; portanto favorece o turismo. Além de criar emprego, na maioria temporário.
Mas, que os portugueses considerem-se estrangeiros, na sua própria terra, parece-me demais! …
A senhora, que viajou, comigo, para Aveiro, admirou-se que fosse português!
- “ É tão raro encontrar um, em certas ruas e certos restaurantes! …”
Serão poucos?; ou as pensões e os vencimentos, não permitem que frequentem certas ruas e certos restaurantes?

Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

sábado, 29 de fevereiro de 2020

CARETOS de PODENCE - Entrudo Chocalheiro (PODENCE) Portugal 2020.

A Última Afronta

Por: Manuel Amaro Mendonça
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


O homem acordou, cheio de dores em todo o corpo e apercebeu-se do braço engessado. Lembrava-se vagamente da ambulância e do aparato na entrada das urgências. Apalpou o volumoso penso que tinha numa das orelhas e grunhiu uma praga.
Gemendo, sentou-se na cama e olhou em volta; havia mais três leitos, cujos ocupantes dormiam a sono solto. Um deles ressonava ruidosamente.
Queixoso, pousou os pés no chão e calçou os chinelos que estavam ao lado do leito. Era um homem de compleição forte, quase gordo, de sessenta e um anos, mas com a cabeça coberta por uma farta cabeleira branca. Caminhou ao longo da cama, apropriou-se da canadiana do vizinho e cutucou-o rudemente com ela, para que parasse os roncos. Depois, apoiado no objeto roubado com o braço são, dirigiu-se para o corredor, para responder à urgente vontade de urinar.
Caminhava com dificuldade, apoiado na canadiana, ao longo do corredor do hospital, quando, atrás dele, saída das sombras em passo apressado, avançou uma mulher, aproximadamente da mesma idade. Também tinha hematomas no rosto, a cabeça ligada e dois dedos de uma mão com talas.
Assim que o homem chegou à porta do WC, apercebeu-se da presença da mulher e fez uma expressão de terror, quando ela lhe lançou o cotovelo sob o queixo e premiu-lhe a laringe sem piedade. Entraram ambos de rompante pelas instalações sanitárias, sem que ele conseguisse soltar um gemido.
Lá dentro, ele bateu com a cabeça na parede com força. Com o pé, ela empurrou a porta para que não fossem vistos do exterior e começou a socá-lo com toda a força, enquanto ele tentava proteger o rosto, sem sucesso. Lutaram pela canadiana e quando ele soltou um grunhido, pela garganta magoada ela principiou a dar-lhe joelhadas nos genitais, até que ele se vergou. Agarrou-o pela gola do pijama e puxou-o com toda a força, com a cabeça contra o ferro de apoio, ao lado da sanita e o homem caiu desacordado.
Ofegante, olhos desvairados de fúria, ela espreitou para o exterior, verificando se os ruídos não tinham chamado a atenção de ninguém. Em seguida, ajoelhou-se sobre o peito do homem e tapou-lhe o rosto com a toalha, pressionando sobre o nariz e a boca. Ao fim de uns segundos, ele começou a debater-se, mas ela conseguiu mantê-lo imobilizado o tempo suficiente, até que parasse de se mexer.
Saiu das instalações sanitárias, a transpirar, cabelo desalinhado e em passo rápido, para voltar à ala que lhe competia.
Para saber quem eram estas duas pessoas e qual a animosidade que movia a mulher, para uma atitude tão violenta, teremos de recuar ao dia anterior.
***
 Gabriela era uma mulher geniosa, ectomórfica, a rondar os sessenta anos. O seu rosto, de linhas finas, prematuramente envelhecido, deixava as pessoas surpreendidas, com o contraste da agilidade com que se movia. Naquela manhã, estava corada e os seus olhos soltavam chispas, quando chegou ofegante à porta da casa de Daniel, o seu ex-marido. Com o punho fechado, bateu fortemente por várias vezes, gritando o nome daquele que, em tempos, partilhara a vida com ela.
Daniel vivia desafogadamente, como se podia atestar pela moradia, numa zona cara da cidade e a ocupar uns bons metros quadrados de terreno caríssimo. Reformado da direção de uma empresa pública, a pensão era suficientemente generosa para não lhe faltar nada.
— Gabriela?!? — Perguntou ele, surpreendido, no seu fato de treino de andar por casa, bem recheado de carnes. — Que se passa?
— Que se passa, seu monstro? — Ela cuspiu a pergunta. — Que se passou, seu porco! Que aconteceu debaixo dos meus olhos?
— Espera! — Ele tentou acalmá-la. — Entra e sossega, explica-me tudo, mas cá dentro.
— Não queres escândalo, é? — A mulher mantinha o tom de voz alto. — Tens medo de que os teus vizinhos saibam o filho da p** que tu és? — Ato contínuo, tentou esmurrá-lo no rosto.
Ele agarrou-a pelos pulsos e puxou-a para dentro de casa, enquanto fechava a porta com o pé. Estavam num pequeno átrio de entrada, ao cimo de umas escadas que desciam para uma elegante sala de estar.
— Acalma-te! — Gritou-lhe, sacudindo-a. — Que diabo! Que te aconteceu, julgava que estava livre das tuas fúrias!
— Estive hoje ao telefone com a minha filha! — Ela começou, enquanto lhe ia dando estaladas, que ele nem sempre conseguia evitar. — Com a NOSSA Alice, seu cabrão! — Continuava a espancá-lo. — Ela contou-me porque tinha tanta pressa em ir para Londres! Está a divorciar-se agora do marido, por não consegue, nunca conseguiu ter relações normais com ele, por tua causa!
— Que te contou ela? — Ele defendia-se como podia. — A Alice é uma mentirosa, já sabes!
— Não! Mentiroso és tu! És um demónio, um monstro! Ela tinha medo de ti e eu não percebia porquê, pois parecias tão carinhoso! — Gabriela chorava e os tabefes transformavam-se em murros bem direcionados. — Quando te deixei, nunca teria imaginado que essa tua cabeça porca, esses teus olhos lúbricos e nojentos se haveriam de pousar na tua própria filha! Julgava que as porcarias que viviam nessa mente tortuosa e doente estavam-me destinadas, como castigo de algo mau que pudesse ter feito, não para uma criança inocente! Porco, cabrão, filho da p**!
— E que querias, sua vaca anorética e histérica? — A atitude dele mudou radicalmente, enquanto devolvia os golpes dela com violência. — Desde que ela nasceu, só tinhas olhos para ela! Desprezavas-me e já não querias fazer as coisas, que gostavas tanto de fazer comigo!
— Gostava de fazer?!? — Gabriela agarrou-se como pôde à farta cabeleira alva e sacudiu-o. Por instantes ficaram um em frente ao outro, como que a decidir o que fazer a seguir. — Eu amava-te, seu cabrão pedófilo! Sujeitava-me porque te amava, mas depois comecei a odiar tudo aquilo que me fazias! Não era natural as coisas humilhantes que me obrigavas a fazer e eu só soube isso quando conheci um homem a sério e não um frouxo, que só se conseguia excitar causando dor e sofrimento.
Daniel acertou-lhe um soco violento que a atirou contra uma credencia e derrubou a jarra e vários objetos de vidro que lá se encontravam. Ele aumentou a pressão com dois tabefes que a prostraram no chão. Seguidamente baixou-se e começou a apertar-lhe o pescoço.
— Lembras-te? — Sussurrou-lhe ao ouvido, sentindo-se excitado, enquanto ela se debatia e ele aumentava o aperto. — Quase até ser tarde demais… as vergastadas nesse teu traseiro delicioso…
A jarra explodiu na cabeça dele e Gabriela libertou-se, pontapeando-o no rosto.
— Cabra selvagem! — Daniel atirou-se para cima dela, com sangue a correr pelo rosto e começou a rasgar-lhe as roupas, enquanto lhe prendia os braços. Deu-lhe uma cabeçada no nariz, que a deixou atordoada. — Sabes? — Desafiou ainda. — A Alice não valia nada, era em ti que eu pensava quando “a comia”.
Num assomo de energia desesperada, ela conseguiu dar-lhe uma joelhada entre as pernas e ferrar-lhe com toda a força uma das orelhas. Louco de dor, ele tentou erguer-se com a mulher agarrada de pés, mãos e dentes. Desequilibrados, acabaram a rebolar pela escada, até ao último degrau, onde ficaram caídos sem sentidos.
Se ideia de quanto tempo passara. Gabriela teve fraca perceção de ser transportada na maca e das vozes nervosas de médicos e enfermeiros. Estava já a recuperar lentamente a consciência, quando escutou os restos de uma conversa entre duas enfermeiras: “… marido e mulher, sim. Quase se mataram de porrada. Ela está aqui e ele do outro lado, na ala dos homens…”

Ela não abriu os olhos, mas logo ali, soube o que tinha de fazer…


Manuel Amaro Mendonça nasceu em Janeiro de 1965, na cidade de São Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos, a "Terra de Horizonte e Mar".
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (Agosto 2015), "Lágrimas no Rio" (Abril 2016) e "Daqueles Além Marão" (Abril 2017), todos editados pela CreateSpace e distribuídos pela Amazon.
Ganhou um 1º e um 3º prémio em dois concursos de escrita e os seus textos já foram seleccionados para mais de uma dezena de antologias de contos, de diversas editoras.

Outros trabalhos estão em projeto e saírão em breve, mantenha-se atento às novidades AQUI.

Transcrição do texto publicado na Página do Blogue no Facebook


Boa tarde a todos.

Um, ou uma... ou mais, NOJENTO/AS E ASQUEROSO/AS COBARDES, ou PAUS MANDADO/AS, insistem em denunciar as minhas publicações que, segundo os ditames da Trampa/Merda do Facebook, contém conteúdos impróprios (ou qualquer coisa parecida). Impróprio é o sítio onde deviam ter o cérebro.

Lamentavelmente, não sei quem são os "pobres de espírito". Consequentemente não sei a quem "cortar o pio".

Como já estou a ficar FARTO, informo que este grupo será encerrado na tarde de amanhã DOMINGO.

Um velho amigo meu disse-me agora... Pois, a concorrência anda aflita. Fiquem descansados. Eu nunca quis ser concorrente de ninguém.

Quem quiser continuar a seguir o meu VOLUNTÁRIO E GRATUITO trabalho em prol da divulgação do Distrito de Bragança, terá que o passar a fazer seguindo ou consultando o meu blogue.

Aos amigos e conhecidos, peço imensa desculpa mas não me resta outra solução. Não vivo disto nem, COMO ESSES CAPACHOS FAZEM, presto vassalagem a NINGUÉM! Nem vivos nem mortos.

O blogue vai continuar a divulgar e a HONRAR a nossa terra e as nossas gentes.

Obrigado a todos.

Bem-hajam pelo apoio que me deram ao longo destes anos.

Grande abraço aos amigos e amigas.

HM

SE ENCONTRAR UM ANIMAL SELVAGEM ENVENENADO, AVISE, APELA A LPN

O apelo da Liga para a Protecção da Natureza surge agora porque, segundo a associação, “o início do ano coincide com um dos picos anuais de casos de envenenamento de animais selvagens”.

São 40 as espécies selvagens afectadas pelo uso ilegal de venenos em Portugal, alerta hoje a mais antiga associação de conservação da natureza do país, a LPN. Entre eles estão a águia-imperial (uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa e uma das mais raras do mundo), o lobo-ibérico e o lince-ibérico.

O veneno é uma arma usada há milhares de anos numa guerra contra os animais selvagens. É uma das maiores causas de mortalidade não naturais de espécies selvagens, apesar de estar proibido desde o final do século XX.

As razões são várias mas o resultado é sempre o mesmo. Um pouco por todo o país há veneno escondido nos campos e nas cidades e a morte surge mais ou menos rápida, mas sempre dolorosa.

De 2003 a 2014 morreram 145 indivíduos de espécies protegidas em Portugal, como a lince-ibérico Kayakweru, encontrada morta a 12 de Março de 2015 na zona de Mértola.

Entre 2013 e 2019, foram identificadas 11 águias-imperiais mortas com suspeita de envenenamento, a grande maioria na região do Baixo Alentejo, recorda o projecto LIFE Imperial, coordenado pela LPN.

O apelo da Liga surge agora porque, segundo a associação, “o início do ano coincide com um dos picos anuais de casos de envenenamento de animais selvagens”.

Embora aconteçam ao longo de todo o ano, os casos de suspeita de envenenamento são mais frequentes de Janeiro a Março e, mais tarde, em Outubro.

“Estamos assim, neste momento, num dos chamados “picos de veneno”, pelo que é essencial a atenção e colaboração de todos na deteção de possíveis casos.”

Em 2015, o projeto LIFE Imperial tornou possível a criação de sete equipas cinotécnicas da GNR vocacionadas para a deteção de venenos que estão a realizar patrulhas no campo. O objectivo é “evitar casos de potencial envenenamento ou, em caso de envenenamento comprovado, auxiliar à deteção de iscos ou cadáveres adicionais, actuando assim de modo preventivo e reactivo”.

Nas mais de 1.100 patrulhas foram já detetadas 29 ocorrências.

“Esta luta é um dos pilares do projecto que, apesar de direcionado para a águia-imperial-ibérica, terá certamente consequências benéficas para procurar erradicar esta ameaça silenciosa, mas mortífera.”

O envenenamento é uma das maiores ameaças às espécies necrófagas, que se alimentam de cadáveres de outros animais, como é o caso da águia-imperial-ibérica. Também o lobo-ibérico e o lince-ibérico registam casos de morte por envenenamento, “reduzindo ainda mais as suas já pequenas populações e o estado de equilíbrio dos ecossistemas”.

Além das espécies selvagens, esta prática ilegal afecta animais domésticos, podendo mesmo afetar acidentalmente seres humanos, e constitui um “grave problema de saúde pública ao nível da contaminação dos solos, dos recursos hídricos e mesmo de culturas alimentares, já que alguns tóxicos podem permanecer no ambiente durante longos períodos em doses suficientemente altas para serem perigosas”.

A LPN pede, então, a ajuda de todos. Até porque se acredita que apenas sejam detectados 10% dos animais vítimas dos iscos envenenados.

Quem encontrar um animal envenenado, ou supostamente envenenado, deve contactar imediatamente o SEPNA/GNR através da linha SOS Ambiente (808200520) e seguir as instruções dadas pelas autoridades.

“É extremamente importante informar sobre a existência de animais vivos e permanecer no local até à chegada das autoridades, e nunca deve tocar nos cadáveres ou iscos nem deixar que outras pessoas se aproximem do local.”

Em Portugal, o uso de veneno foi proibido no final do século XX, com a Lei do Lobo e a transposição de diretivas internacionais que impedem o uso de qualquer substância como forma de extermínio, constituindo atualmente, na medida mais gravosa, um crime punível com pena de prisão até três anos.

Em Abril de 2019, Portugal reforçou a luta contra os iscos envenenados, através do novo Programa Antítodo.

Entrudo Chocalheiro 2020

Carnaval em Alfândega da Fé

Dia do Comando Territorial de Bragança em Miranda do Douro

Criados mais de dois mil postos de emprego no interior

O Governo clarificou ontem que, no conjunto de medidas lançadas para valorizar e atrair pessoas para o interior, está previsto criar 2.810 postos de trabalho, num investimento de 648 milhões de euros.
O primeiro Conselho de Ministros descentralizado desta legislatura realizou-se em Bragança e, no final, o Governo anunciou várias medidas que visam “assegurar a sustentabilidade e valorização dos territórios do interior através do aproveitamento do seu potencial endógeno, da fixação de pessoas e da afirmação das regiões transfronteiriças”.

Entre os vários programas anunciados estão o “Trabalhar no Interior”, um outro de incentivos à fixação de trabalhadores do Estado no interior, bem como os “+CO3SO Conhecimento” e “+CO3SO Digital”.

Hoje, em comunicado enviado aos órgãos de comunicação social, o Governo clarificou que, no conjunto dos programas anunciados, está prevista a criação de 2.810 postos de trabalho no interior do país.

Está ainda prevista, acrescentou, a “mobilização de mais de 340 milhões de euros em fundos europeus, para gerar um investimento de 648 milhões de euros nestes territórios”.

No comunicado do Conselho de Ministros foi explicado que o "Trabalhar no Interior" tem como objetivo apoiar e incentivar a mobilidade geográfica de trabalhadores para estes territórios.

Este programa integra a medida "Emprego Interior MAIS", que consiste num apoio financeiro até 4.827 euros para os trabalhadores que passem a residir e prestar trabalho num território do interior, passível de majoração em função da dimensão do agregado familiar que com ele se desloque a título permanente, e uma comparticipação dos custos associados ao transporte de bens.

Estão ainda previstos incentivos e apoios ao nível de estágios profissionais e de contratação por parte de empresas.

O programa beneficia igualmente da medida de apoio ao regresso de emigrantes, prevista no âmbito do programa "Regressar", que passará a contemplar uma majoração de 25% face aos apoios já concedidos.

Para facilitar a mudança, foi aprovada a medida "Habitar no Interior", para o desenvolvimento de redes de apoio locais e regionais para a divulgação e implementação do "Chave na Mão", e de outros instrumentos nacionais de política habitacional ao dispor dos municípios e que incentiva projetos-piloto municipais com vista à melhoria do acesso à habitação e das condições de vida das populações.

Na quinta-feira foi ainda aprovado o decreto-lei que cria um programa de incentivos à fixação de trabalhadores do Estado no Interior, abrangendo tanto incentivos de natureza pecuniária como outros aspetos relacionados com a prestação de trabalho.

O diploma, aprovado na generalidade, seguirá para consulta pública.

O Governo anunciou também o desenvolvimento dos programas “+CO3SO Conhecimento” e “+CO3SO Digital”, para a valorização dos territórios do interior e que pretendem promover o emprego qualificado e a inovação e transferência de tecnologia.

Especificamente estes dois programas vão mobilizar 50,5 milhões de euros, num investimento total de 76 milhões de euros, prevendo-se a criação de 424 postos de trabalho.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O SACO DE SER UM DESEMPREGADO E JOSÉ DO EGITO

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)


É um saco ser um desempregado, mas propicia algumas possibilidades impensáveis ao tempo em que trabalhava.

Os semblantes das pessoas desempregadas
numa praça de São Paulo, falam por si
Embora preferisse estar trabalhando, estou chegando à conclusão que posso viver desse jeito, de desempregado; em que pese o fato de que agora consumimos alimentos mais baratos e deixei de ir, há muito, em teatros e cinemas (adoro); muito menos aos campos de futebol, que gosto muito também. Livrarias como a CULTURA e a FNAC não veem minha cara há pelo menos sete anos; mas se deixei de comprar livros, passei a exercitar a escrita muito mais. Tenho três ou quatro livros prontos para publicação, mas nesses tempos bicudos de Brasil, depois do tsunami dos petralhas, as editoras também estão em crise; algumas estão em regime falimentar, outras não se atrevem a publicar se não houver a mínima esperança de retorno monetário, quanto ao projeto de novos livros. E as editoras mentem; tal como a maioria dos políticos; não importa quando fazemos contato com as editoras, elas sempre estão com projetos já fechados para o ano corrente ou o ano vindouro. Lérias! Existem 1001 editoras que publicam qualquer coisa, de qualquer um, sem análise e sem fazer rodeios; basta que o escritor pague pelo serviço. Já fiz contatos nesses últimos sete anos em todos os meses do ano. NUNCA estão recebendo material para análise; embora publiquem escritores estrangeiros totalmente desconhecidos, por terem feito ”acordo” com as editoras internacionais; para publicarem um "best-seller", aceitam meia dúzia de autores medíocres, de classe “C” para também publicar, com prejuízo para os escritores nacionais. A parte boa do ócio, é que posso me dedicar à literatura que, além de me salvar da preguiça mental, me incentiva a ler, mesmo na internet, alguns clássicos que não havia lido em tenra idade ou quando me tornei adulto. Posso afirmar aos leitores que, hoje sou mais versado em literatura do que há dez anos e meu conhecimento literário cresceu exponencialmente, se comparar com meu conhecimento no começo do século atual. É um saco ser um desempregado, mas propicia algumas possibilidades impensáveis ao tempo em que trabalhava.

Na minha condição de desempregado, percebo que o desemprego não nos dá exatamente certo conforto, nem nos desloca até uma zona de desconforto, parece-me que há uma segurança se ficarmos na mesmice; uma certeza aparente de que tudo fica e ficará exatamente como está. A solidão do desempregado também vale a pena, às vezes, pois ela espanta os parentes interesseiros, os falsos amigos e os ex-colegas traíras. A oportunidade se faz, e assim ainda ajudo na manutenção da casa, ajudando a mantê-la limpa. E a não desagradar a Deus com pedidos aborrecedores. Além disso, eu ainda consigo fazer três refeições por dia, ainda que sejam frugais; pago as taxas de água, luz, IPTU, gás e licença para o carro da família. Assim, sinto em minha casa a presença de Deus e dos meus santos devotos além do Amabiel, meu anjo da guarda. Vou à agência do banco, a pé, uma vez por semana; o quê me propicia fazer uma caminhada de 45 minutos: a ida em declive e volta em aclive! Preparo, todos os dias, o café da manhã para mim e esposa, após, vou ver as correspondências de e-mail, pesquisar folclore nacional ou internacional, escrevo um pouco, leio algum clássico da literatura que não havia lido no passado ou repasso a leitura de Sagarana (Guimarães Rosa), Memórias Póstumas de Brás Cubas ou Dom Casmurro (Machado de Assis), Amadeu Amaral, Silvio Romero ou Cornélio Pires, por exemplo. Assisto um pouco de TV (jornais e um ou outro capítulo de novelas, ou algum filme), faço contatos e aguardo o retorno, que nunca chega! Vez ou outra publico um texto em blog de Portugal, que aceitou de bom grado meus textos simplórios e cheios de energia, inclusive alguns textos escritos em Caipirês. A energia que uso nos escritos, é a mesma em que me apoiava para suportar pressões de chefes e gerentes; que desconheciam como tratar um ser humano, além dos buyling que sofria de colegas mais jovens, principalmente; por eu nunca ter ido aos EUA ou à Europa, por exemplo. Lembrei-me do Ariano Suassuna que, numa palestra, disse que certa vez, ao visitar um amigo, à convite, ouviu da esposa dele que não era possível ele nunca ter ido à Disney. Suassuna disse que, para aquela mulher, o mundo se dividia em pessoas que já tinham ido à Disney e as pessoas que nunca tinham ido à Disney.

Lembro José do Egito: além de dar a José o dom de interpretar sonhos, Deus também lhe concedeu sabedoria para que ele apresentasse um plano para o Faraó, a fim de que o Egito conseguisse superar os sete anos de crise. O Faraó então colocou José como segundo homem do Egito, abaixo apenas dele (Gênesis 41:41).

-Tal como José do Egito, na passagem bíblica, já tive os meus sete anos de tristezas (fome), começa neste mês de julho de 2019 os sete anos de alegria (fartura). 

Oxalá!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

- Às vezes, nós fazemos um esboço para nossa vida; mas vem o destino e o altera, sobremaneira!

ACAS, JULHO DE 2019


Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.