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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

domingo, 14 de junho de 2015

O SR. ROQUE POÇAS


O Sr. Domingos Roque Poças chegou a Bragança em plena Ditadura Militar.
Tempos maus, tempos de carestia. Negociava produtos básicos e essenciais: Azeites, castanhas, nozes e cereais. Argúcia muita, perspicácia aguda, engenho em conformidade e trabalho, muito trabalho, concederam ao Sr. Poças conforto e prosperidade.
O seu apelido tornou conhecido o café-restaurante explorado pelos filhos. Era o local mais chique da cidade aquando da sua inauguração.
Lembro-me do Sr. Poças sentado num recanto do café. Calça preta, camisa branca, na boca um cigarrão meio-apagado, olhos semi-cerrados que tudo vislumbravam, na cabeça um chapéu em cone estriado.
Falava aos conhecidos, aos outros dava a ideia de estar numa eterna inacção, em eterna paciência.
Em muitas viagens de negócios acompanhava-o o filho Augusto. Numa dessas andanças tiveram um acidente na Trindade, uma aldeia nos contra-fortes da serra de Bornes. Atordoado pelo choque, o dedicado Augusto clama estar morto. O pai tenta-o sossegar, dizendo-lhe que estava vivo, pois até falava. O filho insistiu: falava porque ainda estava quente. O riso do pai soltou-se. Noutra andadura, desta feita à capital, o mesmo filho desafiou-o a tentarem a sorte no casino.
Aceite a tentação, seguiram para o Estoril. Ao entrarem no casino, um dos porteiros barrou a passagem ao Sr. Poças, por este não se encontrar convenientemente ataviado, já que lhe faltava a gravata.
Não se atemorizou ante a proibição. Lesto, meteu a mão ao bolso dele, tendo retirado gordo e volumoso maço de notas grandes. Espetou o maço em direcção ao nariz do funcionário e atirou: “Esta gravata serve?”.
Serve sim, senhor, faça favor de entrar” entoava o abre-portas, enquanto recuava, fazendo sucessivas vénias.

in: Figuras notáveis e notórias bragançanas
Textos: Armando Fernandes
Aguarela: Manuel Ferreira

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