O Festival da Canção de Miranda do Douro começou há 30 anos para alfabetizar populações, foi palco de combate ao nuclear e hoje consagra-se como iniciativa multicultural por onde já passaram mais de 350 cantautores e músicos.
Dele saiu nomeadamente a música Sayago, um grito de revolta na década de 80 do século XX contra a instalação do nuclear na região de fronteira e que acabou, igualmente, por ser adaptada pelos vizinhos espanhóis, que a adotaram como hino da causa.
Fernando Fernandes "pai da canção e um dos cantautores que mais vezes participaram na iniciativa, com algumas dezenas de músicas, ainda se recorda desses tempos que tornaram Sayago famosa na região transfronteiriça.
A canção tornou-se rapidamente num símbolo dos protestos portugueses e espanhóis contra a construção de uma central nuclear na região de Sayago.
O Festival da Canção de Miranda do Douro, no distrito de Bragança, começou antes destes tempos conturbados, num período em que era preciso alfabetizar a camada mais adulta da população nordestina, mas depressa cativou as populações do concelho que ano, após ano, a foram transformando numa iniciativa cultural de relevo no concelho de Miranda do Douro, resistindo sempre à alternância do poder autárquico.
Ao longo destas três décadas, os palcos do festival foram vários, mas sempre com um intuito de melhorar aquele que é considerado o festival da canção mais antigo na região transmontana.
A promoção e divulgação da língua mirandesa foi sempre um fator a ter em conta por parte do júri. Contudo, muitos dos temas eram cantados em português, para assim dar hipótese a novos intérpretes e autores.
António Ferreira, outros dos mais antigos participantes, com mais de uma dezena de presenças, disse que está motivado para participar novamente nesta iniciativa.
"Este festival está aberto a todos, e todos devem participar. As regras mudaram um pouco, já que no início as músicas eram cantadas só em mirandês e agora o festival é multifacetado o facilita a vida dos possíveis participantes" destacou.
Para este músico amador, o que está em causa é o convívio e uma festa com músicas que agradam a todos, ou pelo menos a quase todos.
Em jeito de incentivo, António Ferreira, disse que é preciso continuar com o festival e tem que aparecer gente nova, com novos estilos.
Fernando Subtil rocordou que no arranque da competição era coordenador da educação de adultos e mais tarde vereador do município de Miranda do Douro na década de 90 do século passado.
"Foi um projeto lançado com muita ilusão. Criaram-se raízes e neste momento a iniciativa cultural está no seu ponto alto", enfatizou.
O antigo autarca não se esquece de que o projeto mirandês chegou a ter uma matriz Ibérica, já que houve um período, em que o mesmo foi levado para a cidade espanhola de Aranda do Douro, cidade da província de Burgos, com a qual Miranda do Douro está geminada.
Para Artur Nunes, presidente da câmara de Miranda do Douro, este festival tinha com identidade o mirandês.
"Queremos, agora ter músicas em português e mirandês, o que dá mais hipóteses às novas gerações. Pretendemos, assim projetar cada vez mais o festival para que o mesmo tenha uma maior envolvência no seio das gerações mais novas", frisou o autarca.
A próxima edição do Festival da Canção mirandesa está agendada para o dia 11 de julho.
Agência Lusa

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