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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

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COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 8 de junho de 2019

Música e Poemas musicados - 2ª Parte

Por: António Orlando dos Santos 
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
Recordo bem os meus tempos de infância a partir dos meus cinco, seis anos. Havia no nosso quintal um anexo para os animais que o meu pai fizera maneirinho ao fundo e a toda a largura, encostado à Cortinha da Albininha Guerra, que nesse tempo estava vazia de animais, por qualquer razão que tinha que ver com um surto de peste africana que dizimou os bichos e por escrúpulos da minha mãe assim se manteve por alguns anos. 

Após sepultarem a bicharada o anexo foi limpo e desinfetado convenientemente e passado uns tempos tornou-se um local em que eu, influenciado pelas aparelhagens sonoras do Reis da Caleja, com umas caixas dos sapatos ou afins, umas tampas das bisnagas da pasta dos dentes, botões de metal ou outros, que nesse tempo não faltavam, pedaços de fios eléctricos e uma parafernália de "coisinhas" que ia apanhando aqui ou ali montei uma espécie de estação de Rádio. 
Como o meu encanto era mais que tudo a música e eu sabia de cor a maioria das letras das que a Emissora Nacional passava nos seus muitos programas que transmitia, passava os meus dias na secção superior que havia sido o galinheiro e cantava, cantava, que algum tempo depois, a minha mãe dizia: -Foi-se um galo mudo e veio um galinho cantor. Ainda hoje recordo com clareza a canção minha preferida e que estava em moda nesse tempo mágico, era a Rosinha dos Limões, cantada por Max, fora musicada por Artur Ribeiro e eu ciclicamente cantava a Rosinha, duas a seguir diferentes e de novo a Rosinha.
Os meus programas de rádio imaginários duraram até ir para a Escola.
Não sei muito bem como me desliguei mas a Escola começada em Outubro,  já nos dias pequenos, não deixavam muito espaço para as emissões radiofónicas que eu proporcionava fazendo de locutor, cantor e electricista de serviço.
Ainda tentei arranjar uma Iuzinha verde e outra vermelha mas como o sistema era essencialmente de papelão não fui capaz de fazer coisa que se visse. O repertório faria hoje inveja a qualquer garoto de seis, sete anos que maioritariamente não aprendem a cantar em português. Os progenitores gostam mais de Rock e coisas como essa que representou Portugal na Eurovisão em Israel.
Tempos estranhos os atuais. Eu aprendi letras e músicas mais simples mas que me preencheram a vida e me transportaram para estados de espírito deliciosos. Ainda hoje gosto e às vezes ponho no gira-discos a canção de Maria Clara, Marcha do Outono : -Com poentes de sol rubro/ E manhãs de luz risonha/ Não há mês como o de Outubro/P'ra quem ama e p'ra quem sonha/ Outubro não tem rival/ E é preciso que se diga / Que o Abril em Portugal/ Que o Abril em Portugal / Não é mais que uma cantiga.
Lindo e bem cantado por uma Senhora dona de uma voz de diamante de muitíssimos quilates. Tristão com Aquela Janela virada p'ró Mar, adicionou mais valor à canção nacional e de Amália quase nem valem mais comentários; O Barco Negro, Canção do Mar, Ai Mouraria e já no meu tempo de adolescente, cantando a inspiração de Alan Ullman, deu-nos A Casa da Mariquinhas e pôs a cor do Sol no poema de Pedro Homem de Melo, Ciganos verdes ciganos/ Cantou José Régio e foi o que Deus quis que ela fosse, fadista. Claro que eu fui influenciado muito particularmente pela música Sul-americana com os Tangos, Boleros e Rancheras, Mariachis, dos quais escolho um título de cada um destes géneros: tango: El Choclo, bolero: Noche de Ronda, ranchera: Me cansé de lhorar e Mexico lindo y querido mais um rio grandioso de poemas e melodias de qualidade superior.  Cito apenas mais duas, Siboney e La Paloma e já agora Cavallo Viejo.
Do Brasil veio a nata da música em português. A garota de Ipanema, toda a de Caetano Veloso, Chico Buarque ou Roberto Carlos. Ouvi na voz de Elis Regina Águas de Março, Fascinação, canção americana com tradução, arranjo, para português que foi coisa linda e Sambas de Adoniran Barbosa, o paulista do Arnesto nos convidou/ P'ra um samba , ele mora no Brás/ Nós fumos num incontremos ninguém/  e a sua coroa de glória que Elis também quis cantar,Trem das Onze: Se eu perder este trem/Que sai agora às onze horas/ Só amanhã de manhã/.  Da grande música operática digo apenas que gosto e muito, mas não possuo a formação suficiente para apreciar  "o que ali vai".  Vi Ópera da boa em Londres e queda-me esta pena de só aos 40 anos ter visto a Carmén de Bizet e Cosi fan tutti de Mozart aos quarenta e tais. Paciência, estava assim escrito. Quanto à música chamada Anglo saxónica digo apenas que os últimos cinquenta anos são dela. Os italianos, espanhóis, franceses e portugueses, perderam a Inspiração porque quiseram copiar o que não era possível copiar. A nossa maneira latina jamais se misturará com a fleuma britânica ou o pragmatismo americano, daí a baixa qualidade do que se fez nestas três gerações de rock(eiros) latinos. 
Mas isto não significa que eu não goste da que é de facto de qualidade, que é muita.
E termino por hoje com mais esta confissão que nunca pensei fazer publicamente, mas que fiz depois de haver lido a crónica da Paula Freire a quem agradeço e dizer-lhe que gosto do que ela tão bem escreve.






Gaia 03/06/2019 
A. O. dos Santos
(Bombadas)

1 comentário:

  1. Muito obrigada uma vez mais, A. Santos. Novo texto repleto de mágicas recordações, que tive o prazer de ler. E de todas estas músicas, lembrei com maior gosto ainda o meu género musical predileto com a sua coreografia fascinante, o Tango, que como tão bem retratou o poeta argentino Discépolo Deluchi: "um pensamento triste que se pode dançar". "El Choclo" pela voz de um cantor de eleição desde sempre (não português), Julio Iglesias. Fico grata por tão bonitas memórias e aguardo uma 3ª Parte deste belo reportório.

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