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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

sábado, 14 de setembro de 2019

Voltem as caravelas, os CTT agradecem

Emitida a 18 de abril a carta emitida em Lisboa com o respetivo cartão bancário chegou à Lomba da Maia, S Miguel, Açores a 31 de maio, com uma impressionante rapidez de 43 dias que demorou a atravessar o mar adamastor que nos separa de Lisboa.

Quase que batia o recorde de cem dias doutra carta emitida pela MEEA (Associação de Jornalistas Australianos) em 8 de dezembro na Austrália e que aqui chegou a 19 de março, mas isso justifica-se pelos perigos do oceano pacífico infestado de tubarões.

Nos tempos do infame Estado Novo uma carta do meu pai, do Porto a Díli, Timor, demorava normalmente quatro semanas usando a sarcasticamente denominada Carreira das Índias Orientais.

Quanto à distribuição local de correios aqui nesta costa norte da ilha de São Miguel, ao fim de 15 anos de um dedicado carteiro que até me fazia sinais de luzes e me parava na estrada entre a Lomba da Maia e a Maia, para me entregar correspondência, passamos a um novo sistema em que um jovem voluntarioso usa a sua viatura particular que ele próprio ou a companheira conduzem, para nos distribuírem o correio, o que acontece provavelmente uma vez em cada semana.

Não adianta preencher a queixa no livro de reclamações, assim como de nada adiantaram os protestos de alguns deputados na Assembleia da República, foi isto que compraram e é isto que têm, graças a essa generosa venda a privados de uma das companhias de marca e de valor, e que eram os CTT, com uma tradição centenária de bem servir um país que mais parece uma manta de retalhos no que toca à distribuição postal.

Claro que, se trouxermos as naus e caravelas de volta estamos certos de que a qualidade do serviço irá melhorar, proporcionando serviços, pagos ao salário mínimo, aos desempregados e aos que recebem o rendimento de inserção social e, que não perderão a oportunidade de vida aventureira nas naus e caravelas, podendo simultaneamente desfrutar dos prazeres de utilização dos seus smartphones entre escalas marítimas.

Desta forma poderiam evocar a memória de Pedro da Silva, o imortalizado carteiro português que ficou célebre no Canadá no século XVII, como Pierre da Sylva. Batizado na Igreja de São Julião em Lisboa após o seu nascimento em 1647, deixou Portugal em 1672 ou 73 e chegou à Nova França, casando em 1677 e gerando 14 filhos. Em 1681, mudou para Sault-au-mattlot na cidade do Quebeque. A documentação da época revela que em julho 1693 recebeu 20 sols, equivalente a 20 libras, para transportar um pacote de uma carta de Montreal para a cidade de Quebeque e em dezembro 23, 1705 recebeu uma carta assinada por Jaecques Raudot, declarando-o o primeiro correio do Canadá.

Depois, receberia permissão para transportar cartas de entidades privadas, sendo sempre pontual e cumpridor, diligente e leal, auferindo o privilégio de ser o mensageiro regular de mercadorias e de correspondência oficial do Governador-geral da Nova França, entre o Quebeque a Trois Rivières em Montreal.

Pedro da Silva efetuou o transporte de correio e mercadorias pelo rio São Lourenço durante a guerra entre a França e os iroqueses, um grupo nativo que apoiava o império inglês, o que terá contribuído para que o rei francês Luís XIV o tenha nomeado como Mensageiro Real na Nova França

Em 2003[1] foi emitido um selo comemorativo e houve outras homenagens.


Chrys Chrystello, Jornalista
in:diariodetrasosmontes.com

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