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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Castanholas enfeitadas

Nas mais insignificantes coisas criadas ou adotadas pelo povo aparece sempre, como um selo infalível de primitividade, a sua arte própria, singela e tradicional.

Se até nas castanholas, os estrídulos grilos da música popular, essa arte se manifesta exuberantemente, enchendo de entalhes e recortes as pequeninas conchas sonoras de buxo ou laranjeira…

Origens

Tenho como certo, que as primeiras castanholas foram fabricadas das mesmas valvas, duras e brancas, de moluscos, que, nas estações neolíticas vizinhas do oceano, aparecem com abundância, e que se distinguem das conchas cujo conteúdo foi aproveitado na alimentação, por estarem todas furadas na parte mais estreita.

Aplicou-as o homem primitivo para formar enfiadas, que, como os selvagens atuais, prendeu nos braços e nas pernas, no pescoço e na cintura.

Daí a aproveitá-las, duas a duas ou em conjunto, para ritmar com o seu ruído as evoluções das cerimónias religiosas ou guerreiras, ia um passo apenas.

E tanto isto é plausível, que, ainda hoje, o nosso povo da beira-mar adota de preferência castanholas de valvas de moluscos, mais fáceis de arranjar e de som mais agudo que as de madeira.

Designações e ornamentação

Por todo o Portugal se encontra espalhado o uso das castanholas, cujo nome se deturpa ou se modifica – castanhetas, carchanholas – segundo as localidades; em todas as nossas províncias se encontram também exemplares enfeitados, seja nas conchas, seja na parte superior, onde se faz as ligações das valvas.

A ornamentação é geométrica, fitomórfica, ou inspirada em sentimentos amorosos: linhas quebradas, reticulado, rosetas, flores e os infalíveis corações floridos.

Algumas mostram o nome do possuidor, em iniciais, ou por extenso, e a data da feitura.

Formas e feitios

Há-as circulares, em forma de ovo, em jeito de selo gótico, etc.

De qualquer madeira se fabricam; as mais finas, porém, são de buxo, laranjeira ou limoeiro.

No Norte e Beiras usam-se também, além das castanholas vulgares, umas castanholas especiais, alongadas como réguas, para bater às mãos ambas, em jeito de matraca.

Marcam a cadência nas danças de roda.

Como são grandes (mais de 0,2 de comp.) proporcionam campo mais largo aos devaneios artísticos do possuidor e, por conseguinte, aparecem mais sulcadas de desenhos.

Algumas tomam a forma de cara – espécie de Jano bifronte, quando fechadas – rudemente esculpidas, e encarnadas por vezes com cores violentas.

V.C.

Fonte: “Terra Portuguesa – Revista Ilustrada de Arqueologia Artística e Etnografia” – nº2 – Março de 1916 (texto editado e adaptado)

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