quinta-feira, 9 de junho de 2022

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DE JORGE ROLÃO AGUIAR NA GALERIA DO MERCADO

 "CRÓNICAS DE UMA CONSCIÊNCIA AFETIVA" PATENTE AO PÚBLICO ATÉ 15 DE JULHO NO NOVO ESPAÇO QUE "VALORIZA O TERRITÓRIO" EM PLENO ,MERCADO MUNICIPAL DE MIRANDELA 


Foi inaugurada, no passado sábado, na Galeria do Mercado, em Mirandela (um espaço que pretende valorizar o território, próximo da comunidade que o habita ou que com ele se identifica, através da arte e do saber fazer) a exposição "Crónicas de uma consciência afetiva" do artista Jorge Rolão Aguiar,  que nasceu no Porto, mas cresceu como transmontano, em Vila Real.

A sua paixão pela fotografia, Começou com uma Kodak laranja oferecida pelos seus pais quando tinha 6 anos de idade. Foi amor à primeira vista.

Todos os fotógrafos conseguem recordar o exato momento em que o apelo da fotografia moldou a sua existência. No caso do Jorge Rolão Aguiar, a sua história de amor pela Fotografia começou há muito tempo atrás, com uma Kodak cor de laranja, esse objeto capaz de suspender o tempo, essa metáfora de uma infância feliz. Esta máquina fotográfica, a primeira de muitas, tornou-se um lugar de memória e identidade. 

Ao refletirmos sobre Fotografia, assola-nos o inato da sua presença. A fotografia tornou-se uma presença assídua nas nossas rotinas diárias. E num momento, em que as relações sociais são mediadas por imagens e o autêntico se tornou uma ilusão, a obra do fotógrafo Jorge Rolão Aguiar vem contrariar esta sociedade do espetáculo. A fotografia dele desperta um sentido analítico, uma reinvenção do papel do fotógrafo, do fotografado e do observador, com o íntimo objetivo de transmutar a beleza dos lugares. Os motivos da viagem, são para o Jorge materialmente irracionais, como se a viagem aquietasse nele alguma natural curiosidade e a necessidade de explorar, para depois regressar. 

Viajar ensinou-lhe a paciência, a cautela, a tenacidade. Viajar fê-lo descobrir traços legíveis nos lugares e saber que existe/existiu neles. Estas imagens constituem um ato figurativo icónico, que deve ser compreendido dentro das circunstâncias que o produziu, mas também enquanto documento, prova e linguagem. 

A viagem que fez em 2006 à Índia, Nepal e Tibete foi o mote para começar a fotografar. No oriente foi seduzido pela opulência das sensações. Inesperado, pela inocência pouco depurada dos sentidos de um antípoda. Foi cativado pelas pessoas com o dom da expressividade aberta e pronta dos rostos, e sobretudo pelas crianças, pela vivacidade explosiva dos olhos e de riso fácil e branco nos rostos escuros, em oposição aos rostos pensativos e resignados dos adultos. 

No oriente é fácil ser atraído tanto pelo fervilhar doloroso das cidades, como pela melancólica serenidade das vastas paisagens. Inalterado há milhares de anos é plausível mas desejável. Gosto de pensar no Jorge como uma testemunha da dissolução do tempo, como um agente ao serviço da memória, que apreende vestígios da realidade e fixa o detalhe, acentua o fragmento e o tempo fugaz. 

As obras que aqui apresenta, são uma antologia do mundo, uma reinterpretação da realidade enquadrada pela sua lente. Estas imagens são o signo de uma ausência e portanto a beleza de uma consciência afetiva. 

Curadoria: Joana Fernandes 
Programação: Marta Miranda

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