domingo, 1 de fevereiro de 2026
Documento do mês de fevereiro de 2026 – Sebastião da Costa, Escultor
O documento do mês enaltece, a partir do registo paroquial do batismo de Bento, que nasceu aos 09 dias do mês de setembro do ano de 1683, freguesia de Santa Maria, concelho de Bragança, filho de Sebastião da Costa e Maria da Sumpsão.
O seu pai, Sebastião da Costa, exercia a profissão de Escultor, sendo esta singularidade, patente no registo, tornando-o interessante e curioso pelo ofício. Assim, podemos inferir a partir desta nobre arte, que o escultor, trabalhava principalmente para a Comunidade Religiosa e Nobreza, criando retábulos, imagens sacras (Santos, Virgens), cruzeiros e obras em madeira ou pedra, muitas vezes em estilo Barroco, para decorar igrejas, conventos e capelas, transmitindo a fé e devoção da irmandade.
Podemos constatar, que os registos paroquiais são em si mesmos cruciais para a genealogia, permitindo reconstruir histórias familiares e provar laços de parentesco, sendo fontes insubstituíveis antes do registo civil. Essenciais e imprescindíveis para a história social e demográfica, revelam movimentos populacionais, profissões, e a vida quotidiana, fornecendo provas e factos, como nascimentos, casamentos e óbitos, e são fundamentais para estudos de história local, sendo transversais à antropologia e sociologia e outras ciências.
Citamos por último, um excerto de Francisco Manuel Alves, mais conhecido por Abade Baçal, onde coloca uma questão pertinente, destacando a importância dos artistas (escultor), a partir dos rendimentos, bens ou benefícios económicos das rendas eclesiásticas, que deviam ser aplicados em prol destes, dado que tinham um papel importante para com a comunidade.
“Eram pois as rendas eclesiásticas um fundo, um banco, como hoje diríamos, a que o goveno recorria em ocasiões de apuro; uma reserva de aposentações; uma caixa económica dos desvalidos; um cómodo para os serventuários da igreja — sineiros, moços do coro, charameleiros, músicos; um manancial para ferreiros, serralheiros, carpinteiros, pedreiros, entalhadores, sirgueiros e artífices têxteis; e foram durante séculos o amparo quase exclusivo dos cultores das artes nobres — escultores, pintores, arquitectos. O que seria das obras de arte, dos monumentos, que mostramos desvanecidos ao estrangeiro, todos, com pequenas excepções, de carácter religioso, sem o amparo conservador tirado das rendas eclesiásticas?”.
(ALVES, Francisco Manuel. Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: Tomo IV, pág. 608).
Fonte: Arquivo Distrital de Bragança


