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SOBRE O BLOGUE: Bragança, o seu Distrito e o Nordeste Transmontano são o mote para este espaço. A Bragança dos nossos Pais, a Nossa Bragança, a dos Nossos Filhos e a dos Nossos Netos..., a Nossa Memória, as Nossas Tertúlias, as Nossas Brincadeiras, os Nossos Anseios, os Nossos Sonhos, as Nossas Realidades... As Saudades aumentam com o passar do tempo e o que não é partilhado, morre só... Traz Outro Amigo Também...
(Henrique Martins)

COLABORADORES LITERÁRIOS

COLABORADORES LITERÁRIOS
COLABORADORES LITERÁRIOS: Paula Freire, Amaro Mendonça, António Carlos Santos, António Torrão, Fernando Calado, Conceição Marques, Humberto Silva, Silvino Potêncio, António Orlando dos Santos, José Mário Leite, Maria dos Reis Gomes, Manuel Eduardo Pires, António Pires, Luís Abel Carvalho, Carlos Pires, Ernesto Rodrigues, César Urbino Rodrigues, João Cameira, Rui Rendeiro Sousa e Jorge Oliveira Novo.
N.B. As opiniões expressas nos artigos de opinião dos Colaboradores do Blogue, apenas vinculam os respetivos autores.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Luís da Costa Amorim - Os Governadores Civis do Distrito de Bragança (1835-2011)

 16.fevereiro.1912 – 7.setembro.1912
LISBOA, 9.11.1882 – LISBOA, 7.10.1942

Engenheiro civil e de minas. Professor.
Governador civil de Bragança (1912). Deputado (1921, 1922-1925 e 1925-1926). Vereador da
Câmara Municipal de Lisboa (1923-1925).
Natural da antiga freguesia do Socorro, cidade e concelho de Lisboa.
Filho de Domingos José da Costa Amorim e de Adelaide Abrantes da Costa Amorim.
Casou com Luísa Ferreira Chaves.
Oficial da Ordem de Santiago da Espada (15.10.1924).

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Engenheiro civil do quadro dos serviços técnicos de obras públicas, foi também professor e diretor do Instituto Industrial de Lisboa, docente na Escola de Construções Industriais e Comerciais e sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Química e Física.
Em maio de 1911, integrou a comissão nomeada pelo Governo que deu parecer favorável para que Portugal adotasse a hora decretada pelo meridiano de Greenwich (meridiano zero), a chamada hora legal, que ainda hoje mantém.
Foi nomeado governador civil do distrito de Bragança por decreto de 16 de fevereiro de 1912, tomando posse a 24 do mesmo mês. Nestas funções, foi responsável pelo relatório aos atos do antigo governador António Luís de Freitas, o qual foi publicado no Diário do Governo de 9 de dezembro de 1912. Luís da Costa Amorim ilibou o seu antecessor de qualquer responsabilidade, acrescentando que este podia “ter a consciência tranquila que dá o dever bem cumprido”.
Foi exonerado a 7 de setembro de 1912, ficando o distrito de Bragança sem governador civil até meados de janeiro do ano seguinte, uma vez que o bacharel Manuel Joaquim Correia, que o deveria substituir, não chegou a tomar posse, por motivo de doença. Aproveitando o vazio de poder no distrito, a população do concelho de Vila Flor invadiu as repartições de finanças e a tesouraria daquela vila, pegando fogo a toda a documentação aí existente, assistindo-se ainda a algumas movimentações monárquicas que levaram o secretário do Governo Civil a oferecer ao museu de Bragança uma bandeira monárquica que se encontrava na sua posse, para que esta não voltasse a cair nas mãos dos adversários do regime.
Fez parte da Câmara dos Deputados nas legislaturas de 1921 e 1922-1925, pelo círculo de Vila Real, e na legislatura de 1925-1926, pelo círculo de Chaves, sempre nas listas do Partido Democrático. Na legislatura de 1921, foi eleito 2.º vice-secretário da Mesa e na legislatura de 1922-1925 subiu a 1.º vice-secretário. Integrou a Comissão de Inquérito à questão dos trigos, de que foi secretário (1922-1925), Instrução Especial e Técnica, que também secretariou (1925), Caminhos-de-Ferro (1925), Correios, Telégrafos e Indústrias Elétricas (1925-1926),
Em novembro de 1922, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Lisboa, mas as eleições seriam impugnadas, pelo que só tomaria posse em abril de 1923. Manter-se-ia nestas funções até abril de 1925, na vereação presidida por Albano Augusto Portugal Durão.
Faleceu na freguesia de Benfica, Lisboa, a 7 de outubro de 1942, a um mês de completar 60 anos.

Notícia da chegada de Luís da Costa Amorim a Bragança (1912)

Tendo chegado a esta cidade, na noite de sexta-feira, tomou ontem posse do lugar de governador civil do distrito o Sr. Luís da Costa Amorim, engenheiro civil.
Figura a um tempo modesta e insinuante, o novo governador civil, agradecendo em simples mas eloquentes palavras a homenagem que lhe era prestada como delegado do Governo no ato da sua posse, delineou também o seu programa político que se resume em pouco – República e Administração. Exatamente a única coisa que todos os bons republicanos de Bragança exigem.
São-nos sobeja garantia de que as suas palavras se cumprirão a franqueza com que Sua Exa. as proferiu e ainda as informações que temos do Sr. Luís de Amorim por pessoa da nossa mais absoluta estima e confiança.

Fonte: A Pátria Nova, ano IV, n.º 173, 1912.

Homenagem a Luís da Costa Amorim (1912)

No dia 6 do corrente, pelas 20 horas, teve lugar o jantar oferecido ao ilustre governador civil do distrito, Exmo. Sr. Luís da Costa Amorim, por um grupo de republicanos admiradores das suas qualidades de caráter e que com Sua Exa. se solidarizaram na sua bela e elevada orientação administrativa. Republicano antigo, de alma e coração dedicado ao regime, ele soube fazer-se amar de todos pelo seu espírito conciliador, pelo seu fino trato, pelo desinteresse como geria a política do distrito, sem se deixar arrastar por quaisquer ideias partidárias, e guiado apenas pelo seu critério ao mesmo tempo firme e enérgico de autoridade de confiança absoluta da República.
Os seus amigos, que são numerosos nesta cidade e distrito, quiseram, em véspera da sua saída para Lisboa e no momento em que deixava de vez a chefia do distrito, afirmar bem alto que estavam ao seu lado, sem baixezas nem subserviências, mas apenas no uso dum sagrado dever de lealdade republicana. Bela foi a sua obra administrativa. Oxalá que os outros que se lhe seguirem saibam integrar-se tão bem nos princípios republicanos que todos nós amamos. (...)
Na esplêndida festa, que decorreu na maior animação e cordialidade, trocaram-se muitos brindes e a cada passo entusiásticas saudações à Pátria e República e ao ilustre governador civil, Sr. Costa Amorim.

Fonte: A Pátria Nova, ano IV, 1912, n.º 197, p. 1.

Fontes e Bibliografia

Arquivo Distrital de Bragança, documentos vários.
A Pátria Nova, ano IV, 1912, n.º 173 e 197.
Revista de Chimica Pura e Applicada, ano 7, série III, n.º 3-4.
MARQUES, A. H. de Oliveira (coord.). 2000. Parlamentares e Ministros da 1.ª República (1910-1926). Lisboa: Assembleia da República.
Ordens Honoríficas Portuguesas. Disponível em http://www.ordens.presidencia.pt.

Publicação da C.M. Bragança

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