16.fevereiro.1912 – 7.setembro.1912
LISBOA, 9.11.1882 – LISBOA, 7.10.1942
Engenheiro civil e de minas. Professor.
Governador civil de Bragança (1912). Deputado (1921, 1922-1925 e 1925-1926). Vereador da
Câmara Municipal de Lisboa (1923-1925).
Natural da antiga freguesia do Socorro, cidade e concelho de Lisboa.
Filho de Domingos José da Costa Amorim e de Adelaide Abrantes da Costa Amorim.
Casou com Luísa Ferreira Chaves.
Oficial da Ordem de Santiago da Espada (15.10.1924).
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Engenheiro civil do quadro dos serviços técnicos de obras públicas, foi também professor e diretor do Instituto Industrial de Lisboa, docente na Escola de Construções Industriais e Comerciais e sócio fundador da Sociedade Portuguesa de Química e Física.
Em maio de 1911, integrou a comissão nomeada pelo Governo que deu parecer favorável para que Portugal adotasse a hora decretada pelo meridiano de Greenwich (meridiano zero), a chamada hora legal, que ainda hoje mantém.
Foi nomeado governador civil do distrito de Bragança por decreto de 16 de fevereiro de 1912, tomando posse a 24 do mesmo mês. Nestas funções, foi responsável pelo relatório aos atos do antigo governador António Luís de Freitas, o qual foi publicado no Diário do Governo de 9 de dezembro de 1912. Luís da Costa Amorim ilibou o seu antecessor de qualquer responsabilidade, acrescentando que este podia “ter a consciência tranquila que dá o dever bem cumprido”.
Foi exonerado a 7 de setembro de 1912, ficando o distrito de Bragança sem governador civil até meados de janeiro do ano seguinte, uma vez que o bacharel Manuel Joaquim Correia, que o deveria substituir, não chegou a tomar posse, por motivo de doença. Aproveitando o vazio de poder no distrito, a população do concelho de Vila Flor invadiu as repartições de finanças e a tesouraria daquela vila, pegando fogo a toda a documentação aí existente, assistindo-se ainda a algumas movimentações monárquicas que levaram o secretário do Governo Civil a oferecer ao museu de Bragança uma bandeira monárquica que se encontrava na sua posse, para que esta não voltasse a cair nas mãos dos adversários do regime.
Fez parte da Câmara dos Deputados nas legislaturas de 1921 e 1922-1925, pelo círculo de Vila Real, e na legislatura de 1925-1926, pelo círculo de Chaves, sempre nas listas do Partido Democrático. Na legislatura de 1921, foi eleito 2.º vice-secretário da Mesa e na legislatura de 1922-1925 subiu a 1.º vice-secretário. Integrou a Comissão de Inquérito à questão dos trigos, de que foi secretário (1922-1925), Instrução Especial e Técnica, que também secretariou (1925), Caminhos-de-Ferro (1925), Correios, Telégrafos e Indústrias Elétricas (1925-1926),
Em novembro de 1922, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Lisboa, mas as eleições seriam impugnadas, pelo que só tomaria posse em abril de 1923. Manter-se-ia nestas funções até abril de 1925, na vereação presidida por Albano Augusto Portugal Durão.
Faleceu na freguesia de Benfica, Lisboa, a 7 de outubro de 1942, a um mês de completar 60 anos.
Notícia da chegada de Luís da Costa Amorim a Bragança (1912)
Tendo chegado a esta cidade, na noite de sexta-feira, tomou ontem posse do lugar de governador civil do distrito o Sr. Luís da Costa Amorim, engenheiro civil.
Figura a um tempo modesta e insinuante, o novo governador civil, agradecendo em simples mas eloquentes palavras a homenagem que lhe era prestada como delegado do Governo no ato da sua posse, delineou também o seu programa político que se resume em pouco – República e Administração. Exatamente a única coisa que todos os bons republicanos de Bragança exigem.
São-nos sobeja garantia de que as suas palavras se cumprirão a franqueza com que Sua Exa. as proferiu e ainda as informações que temos do Sr. Luís de Amorim por pessoa da nossa mais absoluta estima e confiança.
Fonte: A Pátria Nova, ano IV, n.º 173, 1912.
Homenagem a Luís da Costa Amorim (1912)
No dia 6 do corrente, pelas 20 horas, teve lugar o jantar oferecido ao ilustre governador civil do distrito, Exmo. Sr. Luís da Costa Amorim, por um grupo de republicanos admiradores das suas qualidades de caráter e que com Sua Exa. se solidarizaram na sua bela e elevada orientação administrativa. Republicano antigo, de alma e coração dedicado ao regime, ele soube fazer-se amar de todos pelo seu espírito conciliador, pelo seu fino trato, pelo desinteresse como geria a política do distrito, sem se deixar arrastar por quaisquer ideias partidárias, e guiado apenas pelo seu critério ao mesmo tempo firme e enérgico de autoridade de confiança absoluta da República.
Os seus amigos, que são numerosos nesta cidade e distrito, quiseram, em véspera da sua saída para Lisboa e no momento em que deixava de vez a chefia do distrito, afirmar bem alto que estavam ao seu lado, sem baixezas nem subserviências, mas apenas no uso dum sagrado dever de lealdade republicana. Bela foi a sua obra administrativa. Oxalá que os outros que se lhe seguirem saibam integrar-se tão bem nos princípios republicanos que todos nós amamos. (...)
Na esplêndida festa, que decorreu na maior animação e cordialidade, trocaram-se muitos brindes e a cada passo entusiásticas saudações à Pátria e República e ao ilustre governador civil, Sr. Costa Amorim.
Fonte: A Pátria Nova, ano IV, 1912, n.º 197, p. 1.
Fontes e Bibliografia
Arquivo Distrital de Bragança, documentos vários.
A Pátria Nova, ano IV, 1912, n.º 173 e 197.
Revista de Chimica Pura e Applicada, ano 7, série III, n.º 3-4.
MARQUES, A. H. de Oliveira (coord.). 2000. Parlamentares e Ministros da 1.ª República (1910-1926). Lisboa: Assembleia da República.
Ordens Honoríficas Portuguesas. Disponível em http://www.ordens.presidencia.pt.
Publicação da C.M. Bragança

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