O Instituto Politécnico de Bragança faz 35 anos e entre vários convidados nas comemorações recebeu o primeiro ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva.
A nação cabo-verdiana recebeu a medalha de honra de individualidade internacional, uma vez que são cerca de 700 os alunos cabo-verdianos que frequentam a instituição.
O primeiro-ministro diz que apesar de não saber como os cabo-verdianos descobriram bragança, considera que se estão a integrar bem no estilo de vida e a prova disso é que são cada vez mais os que querem vir para cá.
O governante disse ainda ter a noção de que os estudantes se sentem bem “incluídos e parte desta grande família de Bragança.”
Ulisses Correia e Silva salientou ainda a grande ligação do Instituto com a região que diz não passar despercebida, considerando isso um modelo de desenvolvimento.
Quanto ao papel do politécnico, o primeiro ministro de Cabo Verde disse que se nota “ a grande implicação da academia, do instituto com a região e as pessoas.” Que há uma coisa que não passa despercebida que é o facto das pessoas e dos estudantes terem “um orgulho especial de pertencer a esta região transmontana.” Isto também se deve ao facto de que “ aqui há uma implicação regional muito forte na investigação, na academia, no conhecimento e no processo de desenvolvimento", disse Ulisses Correia e Silva, ao considerar que este é um exemplo "de modelo de desenvolvimento equilibrado".
Uma escola de referência a nível internacional, o baixo custo de vida e a hospitalidade do povo transmontano, são os ingredientes da receita que chama cada vez mais estudantes internacionais a Bragança e nem as dificuldades na questão dos vistos impediram os alunos de escolher esta instituição para estudar, na opinião deste líder.
O ministro da Ciência e do Ensino Superior, Manuel Heitor, esteve presente e fez questão de sublinhar que “de facto o reconhecimento nacional e internacional de Bragança é um facto cada vez mais credível. A cidade tem hoje uma reputação para internacional.”
Para o futuro, disse que o caminho do IPB se prende "cada vez mais em ligação ao território.”
No último aniversário do Instituto Politécnico de Bragança em que Sobrinho Teixeira é presidente, o líder da instituição diz que o importante é cimentar o que foi feito e traça metas para o futuro.
A internacionalização é um desafio que já está ganho mas para o futuro há outros e Sobrinho Teixeira aponta a criação mais centros de investigação nas áreas do Turismo, Ensino Básico e Inovação industrial e Automação. Assim pretende-se gerar sinergias no sector secundário para criar emprego.
No seu discurso realçou ainda que “é possível vencer o fatalismo e dar esperança aos que aqui quiseram viver”, porque “ esta é a instituição mais longe da capital, numa terra onde há pouca gente, na terra onde se faz das dificuldades, oportunidades.” “Bragança é a terra dos que não desistem, o IPB é um legado de esperança, para os que se angustiam com a má sorte da interioridade”, acrescentou ainda, optimista de que o futuro será risonho.
35 anos daquele que é considerado por muitos rankings nacionais e internacionais o melhor instituto politécnico de Portugal, um dos melhores do mundo e que fica no coração do Nordeste Transmontano.
Escrito por Brigantia
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Freixo de Espada à Cinta quer mais gente a trabalhar a seda
Está já a funcionar o curso de Formação Profissional de Tecelão e Tecedeira em Freixo de Espada à Cinta.
As terras de Freixo são a capital da seda e por isso o município quer que mais freixenistas estejam familiarizados com a arte de a trabalhar.
“ Uma vez que temos a seda artesanal em Freixo, convém que tenhamos pessoas que possam continuar a trabalhá-la por que neste momento não temos muita gente que o faça e algumas das pessoas que trabalham já são idosas. O objectivo é que do curso algumas pessoas fiquem a trabalhar na seda”, explicou a autarca Maria do Céu Quintas.
O curso do IEFP tem a duração de 9 meses e é frequentado por 23 pessoas, na maioria jovens, o que na opinião da presidente da câmara significa que os jovens “não querem deixar esta arte morrer.”
Outro objectivo deste curso é “poder proporcionar a criação de emprego nesta área, pelo menos para algumas pessoas isto pode vir a ser uma fonte de rendimento.”
Mais uma iniciativa para promover o ouro de Freixo de Espada à Cinta que é já uma imagem de marca, já que é o único território peninsular onde, ainda, se trabalha a seda de forma 100% artesanal.
Escrito por Brigantia
As terras de Freixo são a capital da seda e por isso o município quer que mais freixenistas estejam familiarizados com a arte de a trabalhar.
“ Uma vez que temos a seda artesanal em Freixo, convém que tenhamos pessoas que possam continuar a trabalhá-la por que neste momento não temos muita gente que o faça e algumas das pessoas que trabalham já são idosas. O objectivo é que do curso algumas pessoas fiquem a trabalhar na seda”, explicou a autarca Maria do Céu Quintas.
O curso do IEFP tem a duração de 9 meses e é frequentado por 23 pessoas, na maioria jovens, o que na opinião da presidente da câmara significa que os jovens “não querem deixar esta arte morrer.”
Outro objectivo deste curso é “poder proporcionar a criação de emprego nesta área, pelo menos para algumas pessoas isto pode vir a ser uma fonte de rendimento.”
Mais uma iniciativa para promover o ouro de Freixo de Espada à Cinta que é já uma imagem de marca, já que é o único território peninsular onde, ainda, se trabalha a seda de forma 100% artesanal.
Escrito por Brigantia
Guerra da sucessão e Cerco de Miranda em 1711
Aniquilamento dos rendimentos de cavalaria de Trás-os-Montes e Almeida. — Miranda é tomada devido à infame traição do seu governador; em represália Alcanices, Carvajales e Puebla de Sanábria caem em poder dos nossos. — O tenente-coronel António Monteiro de Almeida livra os povos de Miranda de um opressivo tributo. — Incêndio de Meixedo e destruição de Baçal.
Morrendo Carlos II, de Espanha, em 1 de Novembro de 1700, sem sucessão, deixou o trono a Filipe V, príncipe francês da casa de Anjou. As nações europeias não viram com bons olhos este engrandecimento dos Bourbons e resolveram opor-se-lhe pelas armas, secundando as pretensões do arquiduque Carlos da Áustria à Coroa espanhola.
A Inglaterra, a Áustria, a Holanda e a Alemanha preparam-se para a guerra e el-rei D. Pedro, de Portugal, assina com essas potências o tratado de 16 de Maio de 1703, no qual se obrigava a fazer guerra à Espanha, e em seguida, a 27 de Dezembro do mesmo ano, o de Methuen com a Inglaterra, que fez a felicidade comercial de algumas povoações da raia seca, como Bragança, do qual diremos ao tratar desta cidade.
Declarada a guerra, tratou-se dos aprestes militares: nomeiam-se governadores das armas para as províncias. Na de Trás-os-Montes teve esse cargo o segundo conde de Alvor, Bernardo Filipe Nery de Távora.
Na primavera de 1709 as tropas luso-britânicas, devido a uma péssima manobra, são vencidas nos plainos de Badajoz e aí inteiramente derrotados os regimentos de cavalaria de Trás-os-Montes e o regimento de Almeida.
A cavalaria de Trás-os-Montes só depois, na guerra dos sete anos, é que devia ter-se reorganizado, porque em 1762, época em que Portugal nela entrou, aparece a cavalaria de Bragança, numa das cinco partes em que se dividiu o nosso exército.
O rei de Portugal, D. Pedro, morre entretanto, mas a guerra continua.
Em 1710, a 8 de Julho, o general espanhol Montenegro, marquês de Bay, apossa-se de Miranda do Douro, devido à infame traição do governador da praça, Carlos Pimentel, que lha vendeu por seis mil dobrões.
Vingou esta afronta Pedro Mascarenhas, que entrou no reino de Leão e tomou Alcanices, Carvajales e Puebla de Sanábria.
A guerra que no ano de 1711 nada deu de notável, por haver serenado, continuou a manter-se acesamente nas províncias fronteiras. Eis o que se lê em documento dessa época:
«Por carta que se recebeu do sargento-mór de batalha Francisco de Távora, escrita de Bragança no primeiro do corrente (1 de Fevereiro de 1711) se sabe que entrando na praça de Miranda o brigadeiro Palomino com o seu regimento e 130 cavalos para governá-la em lugar do marquez de Dragonete, mandara notificar os logares visinhos á dita praça, para que pagassem contribuição, do que tendo noticia o dito Francisco de Tavora ordenara aos logares não contribuissem, e mandara ao tenente-coronel do regimento de cavallaria de Almeida, António Monteiro de Almeida, com setenta cavallos, para que juntos aos sessenta que estavam naquellas visinhanças, se oppozesse aos inimigos, que tinham ameaçados os ditos logares de serem queimados, se não pagassem, e com effeito no ultimo do passado sairam daquella praça 140 cavallos e 160 infantes para executar as promettidas hostilidades, de que tendo noticia o dito tenente coronel, os foi atacar com 130 cavallos, e o executou com tal valor, que derrotando os inimigos lhes tomou 12 cavalos e matou 14, e da infanteria se não salvou mais que um subrinho do dito Palomino, e assim ficaram prisioneiros cento e dez e os mais mortos».
Mesmo logo depois da entrega de Miranda em 1710, a região bragançana foi talada pelo inimigo como se vê pela seguinte Provisão:
«D. João por Graça de Deus rei de Portugal e dos Algarves. etc. Faço saber a vós ouvidor da comarca de Bragança que fazendo-me presente em consulta da Junta dos Tres Estados o requerimento que nella fizeram os moradores do logar de Meixedo, termo dessa cidade, sobre os aliviar de pagarem decima do anno de 1710 com atenção da summa pobreza em que se acham por causa da invasão do inimigo por lhes haver queimado as suas cazas e o pão que tinham para sustento de que havia resultado andarem muitos delles pedindo esmola. Fui servido resolver em 30 de abril proximo passado havia por bem fazer mercê aos supplicantes de os aliviar de pagarem a decima que lhes foi lançada no anno passado e da dita minha resolução vos mando fazer este avizo para lhe dardes comprimento a esta provisão como nella se contém... Lisboa 21 de maio de 1711».
Ameaçou também sitiar Bragança o que não levou a efeito graças à vigilância do seu alcaide-mor, Lázaro de Figueiredo Sarmento, acampando perto, nesta minha povoação de Baçal, que muito danificou, como se vê por um requerimento de D. Maria de Figueiroa, terceira mulher de Sebastião da Veiga Cabral, avô paterno do Bispo de Bragança, D. António Luís da Veiga Cabral e Câmara, a qual faleceu na freguesia de Santa Maria de Bragança a 7 de Outubro de 1747 e deixou um filho, Francisco Xavier da Veiga Cabral, governador da vila de Chaves, pai do mesmo bispo.
Pertencia a esta D. Maria a comenda de Santa Maria de Bragança à qual andavam anexos os lugares de Samil e Baçal e pretendiam obrigá-la a fazer certas obras na capela-mor deste, por conta dos frutos da comenda: alegava ela como escusa em seu requerimento: — «que o logar de Baçal que é o unico de que tem os dizimos ficou totalmente arrazado pelo inimigo estando sobre elle acampado onze dias o exercito de Castella de maneira que ainda hoje aquelles moradores que se resolveram a buscar as paredes que acharam arruinadas vivem na mais summa pobreza sem meios para se utilizarem das suas agriculturas».
Vejamos agora o Cerco de Miranda em 1711
Segundo a Relaçam do sitio, e Rendimento da praça de Miranda, que mandou o Mestre de Campo General D. João Manoel de Noronha, pelo coronel de infanteria Joseph de Mello, que chegou a esta Corte em 20 do corrente mez de março, publicada em 24 de março. Lisboa, 1711. 4º de 8 pag. O autor deste folheto parece ser D. Francisco Xavier de Meneses, 4º conde da Ericeira.
O sítio de Miranda do Douro foi principiado aos 11 de Março de 1711.
O mestre de campo, general D. João Manuel de Noronha, conde da Atalaia, comandante das tropas aquarteladas na província de Trás-os-Montes, constantes de onze regimentos de infantaria e cinco de cavalaria, fez reconhecer pelo sargento-mor da batalha Pedro Carle a praça de Miranda e os mantimentos com que podia contar no país conquistado que fez armazenar em Alcanices, Carvajales e Vimioso.
Na primeira destas vilas fez juntar a cavalaria e na última a infantaria no dia 10 de Março. Ambas estas vilas distam quatro léguas de Miranda.
O mestre de campo general e o sargento-mor da batalha Francisco de Távora, comandante da cavalaria, e o brigadeiro António Luís de Távora chegaram nesse dia a Alcanices e o brigadeiro Francisco da Veiga Cabral, encarregado do governo de infantaria, foi postar-se no Vimioso.
No dia 11, apareceu à vista de Miranda o mestre de campo, general D. João Manoel de Noronha, onde no mesmo dia, pelas duas horas da tarde, chegou a infantaria e antes da noite o trem de artilharia, composto de cinco peças de 24, três de 16 e quatro de campanha.
A noite de 11 para 12 foi gasta pelos sitiantes em estabelecer seu alojamento sobre a ribeira de Fresno, que corre junto a Miranda, e a montar uma bateria para bater o castelo.
«No dia 12 o sargento-mor de batalha Pedro Carle com cem granadeiros, o regimento de André Pires e duzentos homens por destacamento de todo o exército, foram cortar a comunicação da barca do Douro, o que seria impossível se os inimigos não fossem surpreendidos. O coronel André Pires marchou na testa de cem granadeiros, seguido de duzentos infantes, sustentado pelo sargento-mor de batalha Pedro Carle com o regimento do dito André Pires e ganharam um alto da montanha, postando-se a meio tiro de mosquete da praça. Tomados assim os postos, Pedro Carle ordenou ao coronel André Pires que marchasse com parte daquela infantaria, a atacar os inimigos numa vinha, onde mostravam querer fazer algum esforço para defender a sua comunicação; mas logo que viram que se marchava a eles, retiraram para a praça», ficando assim cortada aos inimigos a comunicação pelo rio.
A noite de 12 para 13 passou-se em assestar oito peças na bateria que principiaram a jogar sobre a praça às 5 horas da manhã, desmontando logo quatro inimigos.
«Os inimigos vendo que as suas peças não podiam ofender, principiaram uma bateria sobre o ramal esquerdo de uma obra corna, que cobre um lado do castelo» o que não lhe surtiu efeito, pois que o brigadeiro Tomás da Silva Teles a atacou com feliz sucesso de noite, de espada na mão, à frente de duzentos e cinquenta granadeiros à ordem do coronel Francisco de Ares, e duzentos homens de infantaria comandados pelo
sargento-mor João Pissarro. Nesta entrepresa foi ferido dos nossos, numa perna, por uma bala de mosquete o capitão de granadeiros João da Costa Ferreira, que muito se distinguiu.
No dia 14 bateu-se a brecha vigorosamente que estava aberta suficientemente às 8 horas da manhã do dia seguinte, o que obrigou os inimigos a tocar à chamada, mandando um tenente-coronel a pedir três dias de espera para acordarem no que deviam fazer, não foram
atendidos e intimou-se-lhes dentro de meia hora a entrega de toda a guarnição como prisioneira de guerra com as respectivas honras. Os inimigos ainda mostraram alguma relutância em aceder, mas, vendo que os nossos se dispunham ao ataque geral, tocaram segunda vez à chamada. Foi à praça o brigadeiro Tomás da Silva Teles e estabeleceu com o governador dela as seguintes Capitulações com que se entregou a praça de Miranda, feitas pelo brigadeiro Thomaz da Silva Telles, e o Tenente de Rey commandante da dita praça D. António de Mendonça e Sandoval, em 15 de março de 1711:
1ª Que a praça se entregará logo que as capitulações forem aprovadas pelo mestre de campo general D. João Manuel de Noronha, comandante do exército, e a porta principal da dita praça será ocupada como ele determinar.
2ª Que a guarnição ficará prisioneira de guerra à discrição.
3ª Que se manifestarão todas as munições de guerra e boca, que houver na dita praça, e de todas elas se dará uma exacta relação.
4ª Que se houver algum dinheiro, ou para pagamento das tropas, ou qualquer outro efeito, se entregará prontamente.
5ª Que todos os cavalos, como as mais bestas, se entregarão da mesma sorte.
Assinados nestas capitulações: Thomás da Silva Teles, D. António de Mendonça Sandoval, D. João Manuel de Noronha.
Em seguida, D. João Manuel de Noronha tomou e demoliu Alcanices, vila espanhola, fronteira a Miranda do Douro.
Estes sucessos prósperos foram de alguma maneira anuviados pelo aprisionamente do sargento-mor Domingos Teixeira de Andrade, com duzentos soldados e três peças de artilharia em Carvajales, apesar do grande valor com que resistiu por vinte e seis dias, sendo afinal obrigado a render-se.
Esta guerra terminou pelo tratado de Utrecht, celebrado entre a Inglaterra, a Prússia, a Holanda, a Sabóia e Portugal com a França e a Espanha a 11 de Abril de 1713.
Oficiais maiores:
O governador da praça, D. António de Mendonça Sandoval.
O tenente-coronel do segundo batalhão de Burgos.
O sargento-mor da praça.
O tenente de fuzileiros.
O alferes de fuzileiros.
O ajudante do primeiro batalhão do regimento de Palomino.
O comissário da artilharia.
Artilheiros.
Memórias Arqueológico-Históricas
do Distrito de Bragança
Morrendo Carlos II, de Espanha, em 1 de Novembro de 1700, sem sucessão, deixou o trono a Filipe V, príncipe francês da casa de Anjou. As nações europeias não viram com bons olhos este engrandecimento dos Bourbons e resolveram opor-se-lhe pelas armas, secundando as pretensões do arquiduque Carlos da Áustria à Coroa espanhola.
A Inglaterra, a Áustria, a Holanda e a Alemanha preparam-se para a guerra e el-rei D. Pedro, de Portugal, assina com essas potências o tratado de 16 de Maio de 1703, no qual se obrigava a fazer guerra à Espanha, e em seguida, a 27 de Dezembro do mesmo ano, o de Methuen com a Inglaterra, que fez a felicidade comercial de algumas povoações da raia seca, como Bragança, do qual diremos ao tratar desta cidade.
Declarada a guerra, tratou-se dos aprestes militares: nomeiam-se governadores das armas para as províncias. Na de Trás-os-Montes teve esse cargo o segundo conde de Alvor, Bernardo Filipe Nery de Távora.
Na primavera de 1709 as tropas luso-britânicas, devido a uma péssima manobra, são vencidas nos plainos de Badajoz e aí inteiramente derrotados os regimentos de cavalaria de Trás-os-Montes e o regimento de Almeida.
A cavalaria de Trás-os-Montes só depois, na guerra dos sete anos, é que devia ter-se reorganizado, porque em 1762, época em que Portugal nela entrou, aparece a cavalaria de Bragança, numa das cinco partes em que se dividiu o nosso exército.
O rei de Portugal, D. Pedro, morre entretanto, mas a guerra continua.
Em 1710, a 8 de Julho, o general espanhol Montenegro, marquês de Bay, apossa-se de Miranda do Douro, devido à infame traição do governador da praça, Carlos Pimentel, que lha vendeu por seis mil dobrões.
Vingou esta afronta Pedro Mascarenhas, que entrou no reino de Leão e tomou Alcanices, Carvajales e Puebla de Sanábria.
A guerra que no ano de 1711 nada deu de notável, por haver serenado, continuou a manter-se acesamente nas províncias fronteiras. Eis o que se lê em documento dessa época:
«Por carta que se recebeu do sargento-mór de batalha Francisco de Távora, escrita de Bragança no primeiro do corrente (1 de Fevereiro de 1711) se sabe que entrando na praça de Miranda o brigadeiro Palomino com o seu regimento e 130 cavalos para governá-la em lugar do marquez de Dragonete, mandara notificar os logares visinhos á dita praça, para que pagassem contribuição, do que tendo noticia o dito Francisco de Tavora ordenara aos logares não contribuissem, e mandara ao tenente-coronel do regimento de cavallaria de Almeida, António Monteiro de Almeida, com setenta cavallos, para que juntos aos sessenta que estavam naquellas visinhanças, se oppozesse aos inimigos, que tinham ameaçados os ditos logares de serem queimados, se não pagassem, e com effeito no ultimo do passado sairam daquella praça 140 cavallos e 160 infantes para executar as promettidas hostilidades, de que tendo noticia o dito tenente coronel, os foi atacar com 130 cavallos, e o executou com tal valor, que derrotando os inimigos lhes tomou 12 cavalos e matou 14, e da infanteria se não salvou mais que um subrinho do dito Palomino, e assim ficaram prisioneiros cento e dez e os mais mortos».
Mesmo logo depois da entrega de Miranda em 1710, a região bragançana foi talada pelo inimigo como se vê pela seguinte Provisão:
«D. João por Graça de Deus rei de Portugal e dos Algarves. etc. Faço saber a vós ouvidor da comarca de Bragança que fazendo-me presente em consulta da Junta dos Tres Estados o requerimento que nella fizeram os moradores do logar de Meixedo, termo dessa cidade, sobre os aliviar de pagarem decima do anno de 1710 com atenção da summa pobreza em que se acham por causa da invasão do inimigo por lhes haver queimado as suas cazas e o pão que tinham para sustento de que havia resultado andarem muitos delles pedindo esmola. Fui servido resolver em 30 de abril proximo passado havia por bem fazer mercê aos supplicantes de os aliviar de pagarem a decima que lhes foi lançada no anno passado e da dita minha resolução vos mando fazer este avizo para lhe dardes comprimento a esta provisão como nella se contém... Lisboa 21 de maio de 1711».
Ameaçou também sitiar Bragança o que não levou a efeito graças à vigilância do seu alcaide-mor, Lázaro de Figueiredo Sarmento, acampando perto, nesta minha povoação de Baçal, que muito danificou, como se vê por um requerimento de D. Maria de Figueiroa, terceira mulher de Sebastião da Veiga Cabral, avô paterno do Bispo de Bragança, D. António Luís da Veiga Cabral e Câmara, a qual faleceu na freguesia de Santa Maria de Bragança a 7 de Outubro de 1747 e deixou um filho, Francisco Xavier da Veiga Cabral, governador da vila de Chaves, pai do mesmo bispo.
Pertencia a esta D. Maria a comenda de Santa Maria de Bragança à qual andavam anexos os lugares de Samil e Baçal e pretendiam obrigá-la a fazer certas obras na capela-mor deste, por conta dos frutos da comenda: alegava ela como escusa em seu requerimento: — «que o logar de Baçal que é o unico de que tem os dizimos ficou totalmente arrazado pelo inimigo estando sobre elle acampado onze dias o exercito de Castella de maneira que ainda hoje aquelles moradores que se resolveram a buscar as paredes que acharam arruinadas vivem na mais summa pobreza sem meios para se utilizarem das suas agriculturas».
Vejamos agora o Cerco de Miranda em 1711
Segundo a Relaçam do sitio, e Rendimento da praça de Miranda, que mandou o Mestre de Campo General D. João Manoel de Noronha, pelo coronel de infanteria Joseph de Mello, que chegou a esta Corte em 20 do corrente mez de março, publicada em 24 de março. Lisboa, 1711. 4º de 8 pag. O autor deste folheto parece ser D. Francisco Xavier de Meneses, 4º conde da Ericeira.
O sítio de Miranda do Douro foi principiado aos 11 de Março de 1711.
O mestre de campo, general D. João Manuel de Noronha, conde da Atalaia, comandante das tropas aquarteladas na província de Trás-os-Montes, constantes de onze regimentos de infantaria e cinco de cavalaria, fez reconhecer pelo sargento-mor da batalha Pedro Carle a praça de Miranda e os mantimentos com que podia contar no país conquistado que fez armazenar em Alcanices, Carvajales e Vimioso.
Na primeira destas vilas fez juntar a cavalaria e na última a infantaria no dia 10 de Março. Ambas estas vilas distam quatro léguas de Miranda.
O mestre de campo general e o sargento-mor da batalha Francisco de Távora, comandante da cavalaria, e o brigadeiro António Luís de Távora chegaram nesse dia a Alcanices e o brigadeiro Francisco da Veiga Cabral, encarregado do governo de infantaria, foi postar-se no Vimioso.
No dia 11, apareceu à vista de Miranda o mestre de campo, general D. João Manoel de Noronha, onde no mesmo dia, pelas duas horas da tarde, chegou a infantaria e antes da noite o trem de artilharia, composto de cinco peças de 24, três de 16 e quatro de campanha.
A noite de 11 para 12 foi gasta pelos sitiantes em estabelecer seu alojamento sobre a ribeira de Fresno, que corre junto a Miranda, e a montar uma bateria para bater o castelo.
«No dia 12 o sargento-mor de batalha Pedro Carle com cem granadeiros, o regimento de André Pires e duzentos homens por destacamento de todo o exército, foram cortar a comunicação da barca do Douro, o que seria impossível se os inimigos não fossem surpreendidos. O coronel André Pires marchou na testa de cem granadeiros, seguido de duzentos infantes, sustentado pelo sargento-mor de batalha Pedro Carle com o regimento do dito André Pires e ganharam um alto da montanha, postando-se a meio tiro de mosquete da praça. Tomados assim os postos, Pedro Carle ordenou ao coronel André Pires que marchasse com parte daquela infantaria, a atacar os inimigos numa vinha, onde mostravam querer fazer algum esforço para defender a sua comunicação; mas logo que viram que se marchava a eles, retiraram para a praça», ficando assim cortada aos inimigos a comunicação pelo rio.
A noite de 12 para 13 passou-se em assestar oito peças na bateria que principiaram a jogar sobre a praça às 5 horas da manhã, desmontando logo quatro inimigos.
«Os inimigos vendo que as suas peças não podiam ofender, principiaram uma bateria sobre o ramal esquerdo de uma obra corna, que cobre um lado do castelo» o que não lhe surtiu efeito, pois que o brigadeiro Tomás da Silva Teles a atacou com feliz sucesso de noite, de espada na mão, à frente de duzentos e cinquenta granadeiros à ordem do coronel Francisco de Ares, e duzentos homens de infantaria comandados pelo
sargento-mor João Pissarro. Nesta entrepresa foi ferido dos nossos, numa perna, por uma bala de mosquete o capitão de granadeiros João da Costa Ferreira, que muito se distinguiu.
No dia 14 bateu-se a brecha vigorosamente que estava aberta suficientemente às 8 horas da manhã do dia seguinte, o que obrigou os inimigos a tocar à chamada, mandando um tenente-coronel a pedir três dias de espera para acordarem no que deviam fazer, não foram
atendidos e intimou-se-lhes dentro de meia hora a entrega de toda a guarnição como prisioneira de guerra com as respectivas honras. Os inimigos ainda mostraram alguma relutância em aceder, mas, vendo que os nossos se dispunham ao ataque geral, tocaram segunda vez à chamada. Foi à praça o brigadeiro Tomás da Silva Teles e estabeleceu com o governador dela as seguintes Capitulações com que se entregou a praça de Miranda, feitas pelo brigadeiro Thomaz da Silva Telles, e o Tenente de Rey commandante da dita praça D. António de Mendonça e Sandoval, em 15 de março de 1711:
1ª Que a praça se entregará logo que as capitulações forem aprovadas pelo mestre de campo general D. João Manuel de Noronha, comandante do exército, e a porta principal da dita praça será ocupada como ele determinar.
2ª Que a guarnição ficará prisioneira de guerra à discrição.
3ª Que se manifestarão todas as munições de guerra e boca, que houver na dita praça, e de todas elas se dará uma exacta relação.
4ª Que se houver algum dinheiro, ou para pagamento das tropas, ou qualquer outro efeito, se entregará prontamente.
5ª Que todos os cavalos, como as mais bestas, se entregarão da mesma sorte.
Assinados nestas capitulações: Thomás da Silva Teles, D. António de Mendonça Sandoval, D. João Manuel de Noronha.
Eis a lista da guarnição prisioneira:
Em seguida, D. João Manuel de Noronha tomou e demoliu Alcanices, vila espanhola, fronteira a Miranda do Douro.
Estes sucessos prósperos foram de alguma maneira anuviados pelo aprisionamente do sargento-mor Domingos Teixeira de Andrade, com duzentos soldados e três peças de artilharia em Carvajales, apesar do grande valor com que resistiu por vinte e seis dias, sendo afinal obrigado a render-se.
Esta guerra terminou pelo tratado de Utrecht, celebrado entre a Inglaterra, a Prússia, a Holanda, a Sabóia e Portugal com a França e a Espanha a 11 de Abril de 1713.
Oficiais maiores:
O governador da praça, D. António de Mendonça Sandoval.
O tenente-coronel do segundo batalhão de Burgos.
O sargento-mor da praça.
O tenente de fuzileiros.
O alferes de fuzileiros.
O ajudante do primeiro batalhão do regimento de Palomino.
O comissário da artilharia.
Artilheiros.
Memórias Arqueológico-Históricas
do Distrito de Bragança
16ª edição dos "Trilhos das Amendoeiras em Flor"
O Município de Mogadouro promove, no próximo dia 18 de Março, a 16ª edição dos "Trilhos das Amendoeiras em Flor".
Este programa pretende incentivar estilos de vida saudáveis e estimular o contacto com a natureza e o mundo rural, promovendo práticas de turismo ambiental no concelho.
Participe, aventure-se!
Este programa pretende incentivar estilos de vida saudáveis e estimular o contacto com a natureza e o mundo rural, promovendo práticas de turismo ambiental no concelho.
Participe, aventure-se!
Oficinas de Música do Município de Mogadouro
As Oficinas de Música do Município de Mogadouro têm, como objetivo específico, proporcionar às crianças e adultos, a aprendizagem da arte musical, e, como objetivo mais amplo, promover a cultura, inspirar, orientar e desenvolver talentos.
Os interessados nas aulas de viola, percussão tradicional e gaita de foles, deverão dirigir-se às instalações da Casa da Cultura; os interessados em aulas de acordeão e piano/órgão deverão dirigir-se às instalações da Casa das Artes e Ofícios.
Os interessados nas aulas de viola, percussão tradicional e gaita de foles, deverão dirigir-se às instalações da Casa da Cultura; os interessados em aulas de acordeão e piano/órgão deverão dirigir-se às instalações da Casa das Artes e Ofícios.
Secretário de Estado da Proteção Civil anuncia nova equipa de sapadores em Macedo de Cavaleiros
Os Bombeiros de Macedo de Cavaleiros vão ter uma equipa de prevenção permanente.
A garantia foi deixada pelo Secretário de Estado da Proteção Civil de visita às instalações desta corporação. José Artur Neves avançou ainda que é objetivo do Governo dotar todos os concelhos com uma equipa até ao final de 2020.
A garantia foi deixada pelo Secretário de Estado da Proteção Civil de visita às instalações desta corporação. José Artur Neves avançou ainda que é objetivo do Governo dotar todos os concelhos com uma equipa até ao final de 2020.
O olhar de Graça Morais sobre Cabo Verde em exposição em Bragança
As lembranças que a pintora portuguesa Graça Morais trouxe de Cabo Verde há 30 anos marcam a nova temporada no Centro de Arte Contemporânea de Bragança, numa nova exposição para visitar a partir de hoje e até junho.
A abertura da exposição coincidiu com a homenagem ao país africano de língua portuguesa, no Dia do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), que tem, entre a comunidade académica, 700 estudantes cabo-verdianos, e atribuiu Medalhas de Honra ao povo de Cabo Verde e à pintora transmontana.
Graça Morais ficou "primeiro surpreendida e depois muito contente" pela distinção e por coincidir com a homenagem ao povo cabo-verdiano, de quem tem "as melhores lembranças" que ficaram da residência artística que por lá fez nos anos de 1988/1989, a convite do embaixador de Portugal.
De obras que concebeu naquela época e outras é feita a exposição, patente em Bragança, com a pintora a prometer "boas surpresas com coisas muito interessantes que não eram expostas há 30 anos" e um "núcleo que só poderá ser visto" em Bragança.
Além dos desenhos e de obras feitas anteriormente, Graça Morais lembrou-se de que tinha trazido, da passagem por Cabo Verde, brinquedos de barro, de pano, de lata, "porque as crianças tinham uma imaginação extraordinária e faziam as suas camionetas com latas", naquela época.
São elementos que fazem parte da exposição e que Graça Morais adquiriu dos autores em troca de carros a pilhas para eles brincarem, que enviou àquelas crianças quando regressou a Portugal.
"Eu acho que é uma exposição muito ligada aos afetos e, ao mesmo tempo, como pintora, eu sinto-me muito vaidosa daquelas obras", declarou.
A pintora revelou que, nas obras expostas, "não existe mar". Esteve nas ilhas, mas "olhou, sobretudo para as montanhas e para as pessoas".
"São, sobretudo retratos, são mulheres, algumas crianças e, ao mesmo tempo, pela exposição, podem ir lendo excertos de um diário que eu fiz quando lá estive e, com essas palavras, acho que entendem melhor o que é a solidão e a procura e o encontro com um povo que é muito especial", explicou.
HFI // MAG
Lusa/fim
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| Foto: CM Bragança |
Graça Morais ficou "primeiro surpreendida e depois muito contente" pela distinção e por coincidir com a homenagem ao povo cabo-verdiano, de quem tem "as melhores lembranças" que ficaram da residência artística que por lá fez nos anos de 1988/1989, a convite do embaixador de Portugal.
De obras que concebeu naquela época e outras é feita a exposição, patente em Bragança, com a pintora a prometer "boas surpresas com coisas muito interessantes que não eram expostas há 30 anos" e um "núcleo que só poderá ser visto" em Bragança.
Além dos desenhos e de obras feitas anteriormente, Graça Morais lembrou-se de que tinha trazido, da passagem por Cabo Verde, brinquedos de barro, de pano, de lata, "porque as crianças tinham uma imaginação extraordinária e faziam as suas camionetas com latas", naquela época.
São elementos que fazem parte da exposição e que Graça Morais adquiriu dos autores em troca de carros a pilhas para eles brincarem, que enviou àquelas crianças quando regressou a Portugal.
"Eu acho que é uma exposição muito ligada aos afetos e, ao mesmo tempo, como pintora, eu sinto-me muito vaidosa daquelas obras", declarou.
A pintora revelou que, nas obras expostas, "não existe mar". Esteve nas ilhas, mas "olhou, sobretudo para as montanhas e para as pessoas".
"São, sobretudo retratos, são mulheres, algumas crianças e, ao mesmo tempo, pela exposição, podem ir lendo excertos de um diário que eu fiz quando lá estive e, com essas palavras, acho que entendem melhor o que é a solidão e a procura e o encontro com um povo que é muito especial", explicou.
HFI // MAG
Lusa/fim
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
UMA HISTÓRIA VERDADEIRA
Por: Humberto Pinho da Silva
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
Conheci, pelos anos setenta, recém-casados. Ambos empregados, que levavam vida modesta, mas desafogada.
Alugaram bonito apartamento, nos arredores da cidade do Porto. Eram simples e felizes: amavam-se.
Felizes…até ao momento, que, para obterem melhor rendimento, assentaram, que um deles (o marido,) fosse frequentar a Faculdade, para obter diploma, que lhe desse oportunidade de ocupar cargo mais rendoso.
A mulher andava radiante: “ Meu marido anda a estudar, e vai ser doutor! …” – dizia ela, às colegas, da empresa, onde trabalhava, como supervisora fabril.
Pelo facto de estar empregado e frequentar a escola, o jovem, passava muitas horas fora de casa.
A mulher, por seu lado, sempre que podia, fazia horas extraordinárias, já que as despesas aumentaram, com a compra de: livros, sebentas e transportes.
Assim decorreram os anos. Mal se falavam. As horas de convívio, eram, praticamente, ao jantar, e de manhã, durante o pequeno-almoço.
Por seu lado, o marido, criou novos amigos e amizades, com colegas, condiscípulos da Universidade.
Rapidamente verificou, que os novos companheiros, eram mais evoluídos, culturalmente, que a esposa, que apenas possuía o quinto ano (atual nono,) obtido com grande dificuldade.
Também desgostava-se de a ver trajada, modestamente, e sem elegância.
A pouco espaço, verificou, que ela não o podia compreender. Sua capacidade intelectual, era reduzida, e ainda menos os conhecimentos.
Tentou “ reeducá-la”, mas tal atitude provocava tensão, e muitas vezes, acabavam a discutir, atacando-se mutuamente.
Entretanto, colega da Faculdade, a pretexto de estudarem juntos, certas matérias, começou a insinuar-se.
Não era propriamente uma beleza, mas falava bem e tentava compreende-lo.
Terminado o curso, e realizada a festa final, a amiga, convidou-o a morarem juntos.
Já lhe tinha passado esse pensamento, pela cabeça, mas temia a reacção da esposa.
Certa noite, em que chegaram tarde, depois de ter ido, com a amiga, ao teatro, resolveu dizer, à mulher, a sua intenção.
Não teve, porém, coragem de o fazer oralmente. Levantou-se cedo e deixou, sobre a mesa da cozinha, um envelope, com os dizeres: “ Para ti”.
A mulher abriu o sobrescrito, curiosa, e ao ler as primeiras linhas, as lágrimas saltaram-lhe dos olhos: era a despedir-se.
Declarava que sendo ela ignorante, simples trabalhadora, nunca o poderia compreende-lo…
Contava ela, mais tarde, a íntima amiga: “ Ajudei-o a formar-se. Trabalhei como uma burra, e vendo-se com o “canudo”, troca-me por outra, que só o quer por ser doutor! …”
Tudo que narrei é verdadeiro. Passou-se na cidade do Porto, no último quartel do século XX. Trago-o aqui, para lembrar que não se pode manter o casamento, quando um dos conjugues evolui culturalmente, e não é acompanhado pelo outro.
O amor morre, quando não há: convívio diário, troca de ideias e gostos semelhantes.
A paixão extingue-se com o tempo. Fica, porém, a amizade, a luta conjunta pela sobrevivência, quando os: gostos, interesses, e a cultura, se mantém afins.
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
Conheci, pelos anos setenta, recém-casados. Ambos empregados, que levavam vida modesta, mas desafogada.
Alugaram bonito apartamento, nos arredores da cidade do Porto. Eram simples e felizes: amavam-se.
Felizes…até ao momento, que, para obterem melhor rendimento, assentaram, que um deles (o marido,) fosse frequentar a Faculdade, para obter diploma, que lhe desse oportunidade de ocupar cargo mais rendoso.
A mulher andava radiante: “ Meu marido anda a estudar, e vai ser doutor! …” – dizia ela, às colegas, da empresa, onde trabalhava, como supervisora fabril.
Pelo facto de estar empregado e frequentar a escola, o jovem, passava muitas horas fora de casa.
A mulher, por seu lado, sempre que podia, fazia horas extraordinárias, já que as despesas aumentaram, com a compra de: livros, sebentas e transportes.
Assim decorreram os anos. Mal se falavam. As horas de convívio, eram, praticamente, ao jantar, e de manhã, durante o pequeno-almoço.
Por seu lado, o marido, criou novos amigos e amizades, com colegas, condiscípulos da Universidade.
Rapidamente verificou, que os novos companheiros, eram mais evoluídos, culturalmente, que a esposa, que apenas possuía o quinto ano (atual nono,) obtido com grande dificuldade.
Também desgostava-se de a ver trajada, modestamente, e sem elegância.
A pouco espaço, verificou, que ela não o podia compreender. Sua capacidade intelectual, era reduzida, e ainda menos os conhecimentos.
Tentou “ reeducá-la”, mas tal atitude provocava tensão, e muitas vezes, acabavam a discutir, atacando-se mutuamente.
Entretanto, colega da Faculdade, a pretexto de estudarem juntos, certas matérias, começou a insinuar-se.
Não era propriamente uma beleza, mas falava bem e tentava compreende-lo.
Terminado o curso, e realizada a festa final, a amiga, convidou-o a morarem juntos.
Já lhe tinha passado esse pensamento, pela cabeça, mas temia a reacção da esposa.
Certa noite, em que chegaram tarde, depois de ter ido, com a amiga, ao teatro, resolveu dizer, à mulher, a sua intenção.
Não teve, porém, coragem de o fazer oralmente. Levantou-se cedo e deixou, sobre a mesa da cozinha, um envelope, com os dizeres: “ Para ti”.
A mulher abriu o sobrescrito, curiosa, e ao ler as primeiras linhas, as lágrimas saltaram-lhe dos olhos: era a despedir-se.
Declarava que sendo ela ignorante, simples trabalhadora, nunca o poderia compreende-lo…
Contava ela, mais tarde, a íntima amiga: “ Ajudei-o a formar-se. Trabalhei como uma burra, e vendo-se com o “canudo”, troca-me por outra, que só o quer por ser doutor! …”
Tudo que narrei é verdadeiro. Passou-se na cidade do Porto, no último quartel do século XX. Trago-o aqui, para lembrar que não se pode manter o casamento, quando um dos conjugues evolui culturalmente, e não é acompanhado pelo outro.
O amor morre, quando não há: convívio diário, troca de ideias e gostos semelhantes.
A paixão extingue-se com o tempo. Fica, porém, a amizade, a luta conjunta pela sobrevivência, quando os: gostos, interesses, e a cultura, se mantém afins.
Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".
Dizeres e Ditos na carta Gastronómica de Bragança
| Justina Fernandes |
Vivia-se como calhava. Agora as pessoas não têm falta de nada. Trabalha-se pouco. Comia-se pão centeio todos os dias, o pão trigo era para a festa. Cozi pão pela primeira vez aos 13 anos.
Peneirava desde os 11 anos, os farelos saltavam-me aos olhos, iam para os porcos.
Se uma pessoa estava doente matava-se um franguinho, fazia-se uma canja. Cozinhava para os engenheiros das Minas do Portelo. Assava cabritos, fritava polvo depois de o cozer, fazia bolinhos de bacalhau, pato assado no forno.
A Espanha ia buscar chinelos, um senhor espanhol trazia-lhe o pimento (colorau) porque era melhor que o nosso.
Criou perus nas bordas do rio, dava-lhe couves e urtigas cozidas com farelos. Fazia o fumeiro, conservava os salpicões e as chouriças em congalhos, na adega. Nos anos de muito gelo a carne ficava melhor.
Fritava as trutas na sertã em azeite, temperadas com um bocadinho de sal e louro (punha louro em tudo).
As pessoas ricas comiam mais, mas o modo de fazer o comer era igual aos dos pobres.
Nos casamentos matava-se uma vitela, fazia-se grande variedade de comeres sempre de carnes.
| Julieta Barros |
Comia mais trigo que centeio. Coziam no forno duas arrobas pão, de cada vez. A doceira tinha a alcunha de Rata. Guardava-se a comida na mosqueira.
Aprendeu e gosta de confeccionar compotas, marmeladas, geleias e bolos. As compotas são base de refrescos. Também cozinhava empadas de sardinha. A marmelada fazia-se num tacho de cobre.
Na sua casa comiam arroz de bacalhau, congro temperado com alho e azeite, açorda de bacalhau, carapaus, capatão, pescada pequena, polvo curado, sável de escabeche, enguias e trutas da mesma forma. As rabas têm de ser boas, descascam-se, cortam-se às fatias e acompanham bacalhau. As azedas, beldroegas e merugens são boas para saladas, as beringelas coziam-se levemente, depois faziam-se filetes. Comia-se caldo verde durante todo o ano. Repolgas estufadas sozinhas, ou acompanhadas com batatas cozidas.
Foi funcionária dos Correios.
Carta Gastronómica de Bragança
Autor: Armando Fernandes
Foto: É parte integrante da publicação
Publicação da Câmara Municipal de Bragança
Árbitro internacional realça número de candidatos a juízes de basquetebol da A.B.Bragança
O curso de árbitros e oficiais de mesa da Associação de Basquetebol de Bragança começou na sexta-feira e são 20 os candidatos.
Nuno Monteiro, árbitro internacional de basquetebol, é o formador e mostra-se surpreendido com o número de participantes se comparado com outras realidades.
“A título de exemplo a Associação de Basquetebol do Porto, que é a maior do país, promoveu, no passado mês de Novembro, um curso de novos árbitros e teve 22 participantes. Proporcionalmente este número de Bragança é fantástico”.
Nuno Monteiro é árbitro há 28 anos e defende que para ser um bom profissional da arbitragem tem que se ter bom senso e imparcialidade.
“Um bom árbitro tem que ser honesto, neutro e profissional. É importante que as equipas percebam que o árbitro está lá para tomar as decisões, sejam boas ou não para a equipa de arbitragem. Sempre com o livro de regras numa mão e o bom senso na outra”.
A escolha de Nuno Monteiro para dar formação aos futuros árbitros e oficiais de mesa de basquetebol é no entender de Helena Gonçalves a aposta na qualidade.
“Esta formação foi ao mais alto nível em termos de qualidade. Além do formador Nuno Monteiro temos ainda o José Oliveira, representante do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Basquetebol. Para nós são uma mais valia”.
Para a presidente da Associação de Basquetebol de Bragança este curso reveste-se de especial importância já que no distrito há apenas cinco árbitros e nove oficias de mesa.
Os 20 candidatos a juízes de basquetebol, na maioria estudantes do IPB, iniciaram na sexta-feira a primeira fase da formação. As próximas etapas ainda não têm data marcada, mas o curso vai terminar no próximo mês de Junho.
Escrito por Brigantia
Nuno Monteiro, árbitro internacional de basquetebol, é o formador e mostra-se surpreendido com o número de participantes se comparado com outras realidades.
“A título de exemplo a Associação de Basquetebol do Porto, que é a maior do país, promoveu, no passado mês de Novembro, um curso de novos árbitros e teve 22 participantes. Proporcionalmente este número de Bragança é fantástico”.
Nuno Monteiro é árbitro há 28 anos e defende que para ser um bom profissional da arbitragem tem que se ter bom senso e imparcialidade.
“Um bom árbitro tem que ser honesto, neutro e profissional. É importante que as equipas percebam que o árbitro está lá para tomar as decisões, sejam boas ou não para a equipa de arbitragem. Sempre com o livro de regras numa mão e o bom senso na outra”.
A escolha de Nuno Monteiro para dar formação aos futuros árbitros e oficiais de mesa de basquetebol é no entender de Helena Gonçalves a aposta na qualidade.
“Esta formação foi ao mais alto nível em termos de qualidade. Além do formador Nuno Monteiro temos ainda o José Oliveira, representante do conselho de arbitragem da Federação Portuguesa de Basquetebol. Para nós são uma mais valia”.
Para a presidente da Associação de Basquetebol de Bragança este curso reveste-se de especial importância já que no distrito há apenas cinco árbitros e nove oficias de mesa.
Os 20 candidatos a juízes de basquetebol, na maioria estudantes do IPB, iniciaram na sexta-feira a primeira fase da formação. As próximas etapas ainda não têm data marcada, mas o curso vai terminar no próximo mês de Junho.
Escrito por Brigantia
XXII Feira da Caça e Turismo recebe mais visitantes em 2018
XXII Feira da Caça e Turismo e XXIV Festa dos Caçadores do Norte chega ao fim com mais cerca de 2000 visitantes do que na edição anterior a passar por Macedo de Cavaleiros.
Um balanço “francamente positivo”, considera Benjamim Rodrigues, autarca macedense.
“O balanço é francamente positivo, por isso podemos tranquilizar as pessoas céticas que duvidavam que pudéssemos em tão pouco tempo organizar uma boa feira. Posso já anunciar de fonte fidedigna que temos mais 20% de pagantes n este ano em relação ao ano passado. Obviamente que houve também convites, cortesias e a acrescentar também todo esse número de visitantes. Posso dizer que no geral as pessoas têm-nos dado um feedback muito agradável, dizendo que houve muitas provas e diversidade, que houve novidades.”
Também o número de expositores cresceu nesta edição e a ampliação do espaço coberto é uma pretensão para começar a ser pensada este ano, avança o presidente.
“É nossa intenção ampliar o espaço. Não temos capacidade de o fazer no imediato mas queremos começar a pensar nisso ainda este ano.
Os expositores que puderam expor, pois nem todas as pessoas que queriam puderam fazê-lo e houve já reclamações porque precisavam que ampliássemos o espaço das naves.
Tivemos 170 expositores mas muitos mais gostariam de ter estado presentes e alargar o espaço beneficiará todo o município e toda a região. Esta não é uma feira só do município, é a principal feira de caça do país e o senhor Ministro disse que poderíamos nos comparar à Feira da Agricultura de Santarém.”
Um certame que se destacou também pela visita de Luís Capoulas Santos, Ministro da Agricultura, onde anunciou que até 2022, é expectável que Portugal venha a ter mais 90 mil hectares de área regada.
No entanto, apesar de confiante de que Macedo vai ser contemplado com a beneficiação, Benjamim Rodrigues diz que o anunciado não foi exatamente o que esperavam.
“Honestamente, não. Não porque houve uma série de candidaturas feitas em tempo oportuno que não foi o nosso caso. Portanto neste momento estamos em lista de espera, digamos, para uma segunda fase de candidatura. Quando houver a abertura de novos avisos, nós vamos estar atentos e aí sim vamos estar presentes.
Espero que para o ano, eventualmente até 2020 que aconteça essa abertura. Portanto, teremos oportunidade, como disse o Sr. Ministro quando cá esteve, de mostrar com os nossos estudos, que temos mérito e que justificamos um prolongamento do regadio onde ele mais nos faz falta no concelho. Por isso estou convencido que iremos ser contemplados, não com as verbas que possamos imaginar, obviamente, mas pelo menos dotar o nosso concelho da capacidade suficiente para os jovens agricultores que se querem instalar, jovens empresários terem uma oportunidade de desenvolverem um bom trabalho.”
Entre os expositores que marcaram presença no certame durante os quatro dias, há quem considere que o aumento da oferta tem levado a um decréscimo nas vendas, porém, continua a ser um boa feira, admitem.
“Já tenho esta arte de fazer navalhas desde 2006.
Já faço esta feira da caça há mais de uma dúzia de anos. Aqui vende-se muito bem, comparando com os outros anos talvez este ano em termos de vendas tenha sido um pouco melhor.
Eu aqui na feira vendo artigos mais associados com a caça e não tanto com a pesca. Trago roupa, calçado, armas, acessórios. Já há alguns anos que participamos neste evento e é sempre com muito gosto. O número de visitantes tem vindo cada vez mais a aumentar, ainda que se tenha notado algum decréscimo a nível de vendas mas a nível de feira penso que tem sido positivo nestes anos todos.
No meu stand pode encontrar fumeiro variado, que neste caso somos nós que produzimos, mel, azeitonas, compostas, tudo produtos da região.
Tudo feito por mim excepto as compotas e o mel. O fumeiro é a minha parte mais específica. A feira da caça é uma feira razoavelmente jeitosa, chamemos-lhe assim. Já foi melhor devido à oferta que cada vez é maior, porque estamos num meio pequeno, no Interior, temos tudo de bom mas falta-nos a gente que é o essencial.”
A XXII Feira da Caça e Turismo juntou de 25 a 28 de janeiro atividades cinegéticas, desportivas, venda e mostra de produtos e animação cultural em Macedo de Cavaleiros.
Escrito por ONDA LIVRE
Um balanço “francamente positivo”, considera Benjamim Rodrigues, autarca macedense.
“O balanço é francamente positivo, por isso podemos tranquilizar as pessoas céticas que duvidavam que pudéssemos em tão pouco tempo organizar uma boa feira. Posso já anunciar de fonte fidedigna que temos mais 20% de pagantes n este ano em relação ao ano passado. Obviamente que houve também convites, cortesias e a acrescentar também todo esse número de visitantes. Posso dizer que no geral as pessoas têm-nos dado um feedback muito agradável, dizendo que houve muitas provas e diversidade, que houve novidades.”
Também o número de expositores cresceu nesta edição e a ampliação do espaço coberto é uma pretensão para começar a ser pensada este ano, avança o presidente.
“É nossa intenção ampliar o espaço. Não temos capacidade de o fazer no imediato mas queremos começar a pensar nisso ainda este ano.
Os expositores que puderam expor, pois nem todas as pessoas que queriam puderam fazê-lo e houve já reclamações porque precisavam que ampliássemos o espaço das naves.
Tivemos 170 expositores mas muitos mais gostariam de ter estado presentes e alargar o espaço beneficiará todo o município e toda a região. Esta não é uma feira só do município, é a principal feira de caça do país e o senhor Ministro disse que poderíamos nos comparar à Feira da Agricultura de Santarém.”
Um certame que se destacou também pela visita de Luís Capoulas Santos, Ministro da Agricultura, onde anunciou que até 2022, é expectável que Portugal venha a ter mais 90 mil hectares de área regada.
No entanto, apesar de confiante de que Macedo vai ser contemplado com a beneficiação, Benjamim Rodrigues diz que o anunciado não foi exatamente o que esperavam.
“Honestamente, não. Não porque houve uma série de candidaturas feitas em tempo oportuno que não foi o nosso caso. Portanto neste momento estamos em lista de espera, digamos, para uma segunda fase de candidatura. Quando houver a abertura de novos avisos, nós vamos estar atentos e aí sim vamos estar presentes.
Espero que para o ano, eventualmente até 2020 que aconteça essa abertura. Portanto, teremos oportunidade, como disse o Sr. Ministro quando cá esteve, de mostrar com os nossos estudos, que temos mérito e que justificamos um prolongamento do regadio onde ele mais nos faz falta no concelho. Por isso estou convencido que iremos ser contemplados, não com as verbas que possamos imaginar, obviamente, mas pelo menos dotar o nosso concelho da capacidade suficiente para os jovens agricultores que se querem instalar, jovens empresários terem uma oportunidade de desenvolverem um bom trabalho.”
Entre os expositores que marcaram presença no certame durante os quatro dias, há quem considere que o aumento da oferta tem levado a um decréscimo nas vendas, porém, continua a ser um boa feira, admitem.
“Já tenho esta arte de fazer navalhas desde 2006.
Já faço esta feira da caça há mais de uma dúzia de anos. Aqui vende-se muito bem, comparando com os outros anos talvez este ano em termos de vendas tenha sido um pouco melhor.
No meu stand pode encontrar fumeiro variado, que neste caso somos nós que produzimos, mel, azeitonas, compostas, tudo produtos da região.
Tudo feito por mim excepto as compotas e o mel. O fumeiro é a minha parte mais específica. A feira da caça é uma feira razoavelmente jeitosa, chamemos-lhe assim. Já foi melhor devido à oferta que cada vez é maior, porque estamos num meio pequeno, no Interior, temos tudo de bom mas falta-nos a gente que é o essencial.”
A XXII Feira da Caça e Turismo juntou de 25 a 28 de janeiro atividades cinegéticas, desportivas, venda e mostra de produtos e animação cultural em Macedo de Cavaleiros.
Escrito por ONDA LIVRE
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