A caminhada começou em direcção ao coração de Bragança. Chegámos à Rua Emídio Navarro, mais conhecida por Rua Nova. No número 69, a “Casa Benfica”. No seu interior, Maria Condado, que faz no dia 1 de Abril 40 anos como proprietária de uma das tabernas mais emblemáticas da cidade. Ela foi uma testemunha no acompanhar do evoluir dos tempos na área da restauração. Perita no assunto, partilha a sua visão: “é preciso gostar-se desta profissão. Só que, desde que começou a crise, isto está muito mal, muito mal... Principalmente, para estas casas. As pessoas de idade, que é as que gostavam de cá vir, vão morrendo. Os novos, há poucos. Vão para o shopping...”. Nos seus planos de futuro, Maria não sonha na expectativa: “vamos ver o que a vida nos reserva! Sei lá! É tudo tão incerto... Umas vezes sobra, outras falta. Dá para ir vivendo”.E nem a Feira providencia sustento, não agora, nem tanto como em outros tempos. Na visão da “patroa”, tudo mudou “para pior” desde a entrada em cena do euro.
Beber álcool numa taberna é uma tradição social que remonta aos sumérios em 3500 a.C.

Apesar de existirem cada vez mais visitantes no interior das muralhas, a “Taberna da Vila” vê-os passar ao largo. Com outras opções, nem todos os negócios de bebidas no Castelo sobrevivem. Há um, pelo menos, que vai de vento em popa.
Juventude e movimento:
| Aspecto actual da Taberna do Figo Seco em Bragança que, em breve, será convertida em Residência Universitária |
Antigo proprietário do “Demetal”, durante 12 anos, Paulo Pressas está, desde Março de 2009, com a “Taberna O Celta”. Localizada no Castelo de Bragança, este é um espaço em movimento, de diversão e convívio entre um tipo de clientes transversal a todas as faixas etárias. “Nós trabalhamos com toda a gente, mas, maioritariamente, de fora da cidade. Estudantes, alguns. E nas épocas de Primavera, Verão, é uma azáfama, pois é turistas atrás de turistas. Mas está-se bem!”, esclarece Paulo. Com um décor a ter em conta, numa espécie de género alternativo, “O Celta” goza do privilégio de uma lareira que no Inverno funciona como atractivo. “Nós funcionamos muito bem de Verão, mas, mesmo no Inverno, temos aquele pessoal certo, a lareira, temos aquela gente que vem a beber os nossos licores celtas, ou seja, temos um ambiente muito familiar e bastante eclético”, resume.
Bruno Mateus Filena / Orlando Bragança
Sem comentários:
Enviar um comentário