sábado, 4 de outubro de 2014

O Baptizado

Aqui estou eu, sempre ao colo, da sempre amiga da casa, a Sara. 
…não quero que morras Sara! Não morro…meu lindo… ficamos sempre os dois, meu rei!
Mas um dia morreu, longe da aldeia… de doença incurável. Chorei copiosamente…dias e dias… acho que foi a primeira, dolorosa e grande perda da minha vida… outras vieram!
Aqui estou eu no dia do meu baptizado… feito cristão à força como se estivesse predestinado carregar uma pesada cruz que não escolhi.
Filho tardego… a mãe e o pai atrás de mim, no hábito de tantos batizados. O Sr. Machado e a Dª Arminda, junto da Sara… foram os padrinhos… eram os donos da casa onde as irmãs estudavam em Bragança, na Rua Abílio Beça, paredes meias com o Museu Abade Baçal. Os irmãos estão a seguir de fato domingueiro e o sorriso habitual para a fotografia a la minute.
Atrás estão dois carabineiros, convidados de honra por terem ajudado a recuperar os machos da lavoura quando foram roubados para Espanha.
… e eu não dei por nada… e aqui estou a escrever estas letras que não interessam a ninguém!
Mas já agora só mais uma coisinha. Eu estive quase, quase, para me chamar Óscar em homenagem ao Óscar Carmona que morreu no mesmo dia e no mesmo ano em que eu nasci.
Havia de me pesar para todo o sempre estar ligado pelo nome ao grande Ditador.
Salvou-me Santo António de seu nome Fernando! E assim foi, o garoto vai-se chamar Fernando, como Santo António!
Obrigado meu bom Santo!…
…e pronto desculpem estas coisinhas… coisas de idosos!

Fernando Calado

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