Aprendi a escrever com a serenidade e beleza de estilo do padre Telmo Baptista Afonso. Ontem, soube que que o ungido do Senhor, tinha ido para a casa do pai… ao entardecer.
Senti uma perda enorme… faltou-me o chão e o suporte dum homem onde assentava a ética maior da dignidade humana e do amor ao próximo.
Mas a saudade, sempre amiga, trouxe-me de novo o meu padre Telmo… e sereno, com o sorriso que lhe era peculiar entrou na sala de aula.
- Calado, lê a tua redação!
Comecei a leitura… e a redação terminava assim: e pouco a pouco a noite caía…
- Bela redação! Incentivava o grande professor. Mas da próxima vez podes substituir o "pouco a pouco" por paulatinamente… fica mais elegante!
Na próxima redação que o padre Telmo mandou escrever, toda a turma, de trinta alunos, terminava a sua redação com a palavra mais bonita que o padre Telmo ensinou: PAULATINAMENTE!
Num primeiro momento, o padre Telmo ficou muito sério… depois recordou-se e sorriu paternalmente... sacerdotalmente.
Anos mais tarde encontrei de novo o padre Telmo e com a reverência que lhe era peculiar cumprimentou-me tirando o boné:
- Gostei muito de o ver Sr. doutor! Eu sou o Calado, Sr. Padre Telmo!
- Eu sei, Sr. doutor! Continuou o padre Telmo, fingindo que não tinha entendido o reparo amigo.
E a conversa continuou:
- Sr. doutor, sabe por onde andará o Canha… quero dizer o doutor Canha, gostava de lhe pedir perdão por lhe ter dado uns lambefes, injustamente, na sala de estudo!
O padre Telmo, o antigo prefeito do seminário, queria redimir-se... humildemente!
Era assim o padre Telmo, grande em tudo, principalmente na bondade e na justiça.
Até sempre meu padre Telmo… até sempre meu grande mestre…
… encontramo-nos na leveza do horizonte… perto da mais bonita aula de português!
Fernando Calado


Muito obrigada por esta sua lembrança do meu querido Tio Telmo.
ResponderEliminar