terça-feira, 2 de agosto de 2016

Aldeia do Cachão receia nova tragédia e reclama por conviver paredes meias com resíduos ainda em combustão

Cinco meses depois do incêndio em dois armazéns de papel e plástico prensado no antigo complexo agro-industrial do Cachão, em Mirandela, o material continua em combustão. A empresa responsável pelo armazenamento ainda não removeu os resíduos do local e a população queixa-se dos riscos para a saúde e para o ambiente.
“Em termos de poluição continua tudo exactamente na mesma, pois ainda ninguém fez nada. Porque vir aí buscar um carro ou dois não resolve nada. Já lá vão cinco meses desde o último incêndio e ainda não se fez nada. Nem ninguém fez, nem ninguém faz. É esperar mais uns meses que arda o resto. E todos nós é que pagamos a factura”, diz Manuel Freitas, 65 anos.

O morador na aldeia do Cachão, que lamenta a falta de actuação eficaz das autoridades locais e nacionais. “Não vamos criticar só a empresa, vamos criticar também quem permite estas situações e depois quem não obriga a cumprir a lei. Isto é uma vergonha, o que aqui se passa. É o triste país em que vivemos”, acusa ainda.

Para Fátima Simão, também ela habitante do Cachão, os riscos para a saúde da população são evidentes.

“Aquilo mói, mói e mói. Não é um fogo que se chegue ali e apague, como se fosse outra matéria-prima qualquer. Isto aconteceu com o outro incêndio, que esteve anos a arder e este vai pelo mesmo caminho”, diz lembrando o incêndio de 2013.

Recorde-se que nos últimos três anos já se verificaram dois incêndios graves – em Setembro de 2013 e Fevereiro de 2016 - em armazéns de plástico e papel prensado da empresa Mira Papel, com sede em Mirandela, naquele complexo industrial e a população teme nova tragédia, uma vez que ainda existe uma enorme quantidade de resíduos no local, num outro armazém. 

Escrita por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

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