sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Brigantinos ainda mantêm tradições do Dia de S. Martinho

Em dia de S.Martinho, a Brigantia falou com o vendedor de castanhas da Praça da Sé, em Bragança. A castanha é conhecida como o ouro transmontano e são também muitos os que não precisam de comprar castanhas porque têm a sua própria produção.
José Afonso tem 54 anos e há quatro que, durante o Outono, é presença assídua no centro da cidade onde vende castanhas e artesanato, numa banca disponibilizada pelo Município.

Em terra de produtores de castanha, pode ser mais difícil vender este produto que muitos têm em casa mas José Afonso garante que ainda vale a pena apregoar a castanha assada. “Há muita gente que não sabe que estou aqui a vender castanhas e passa aqui e nem repara. Há dias que vendo melhor, outros pior…  Os turistas gostam das castanhas e lá vão comprando, principalmente à sexta-feira, sábado e Domingo”, revelou.

O dia de S. Martinho pode ser motivo para José Afonso ter mais clientes mas lembra que já foi dada mais importância ao dia, noutros tempos.“No dia de S. Martinho, a tradição é a jeropiga e boas castanhas. Há muitos anos, faziam-se mais magustos, agora nem tanto”, constatou o vendedor.  

Ainda que já nem toda a gente festeje este dia, uma coisa é certa. Para quem comemora o S. Martinho, há duas coisas que não podem faltar: as castanhas e a jeropiga e também é dia de provar o vinho. “Eu acho que as pessoas nunca se esquecem do Dia de S. Martinho e continuam sempre a comer as castanhas e a beber a sua jeropiga… Nas aldeias festeja-se mais, na cidade, a juventude já festeja as tradições doutra maneira. Eu, pelo menos, vou castanhas vou comer", referiu à Brigantia Alice Miranda, de 49 anos, residente em Bragança e natural de Outeiro. 

Já Manuel Ferreira, de 77 anos, confessa que já não liga muito ao dia de S.Martinho. “No dia de S.Martinho, provava-se o vinho e assavam-se castanhas, faziam-se bailes… Agora já estou velho, já não faço nada. Já não bebo vinho há mais de 20 anos e já não tenho dentes para comer castanhas (risos)”, contou o idoso, natural de Rebordãos, a viver há mais de 50 anos em Bragança.  

Em Bragança, a dúzia de castanhas custa actualmente 2 euros e o vendedor da praça da Sé oferece ainda cinco castanhas. 

Escrito por Brigantia
Sara Geraldes

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