A mãe, o pai, e a sua ninhada que crescia cada ano que passava como o centeio nas terras bravas e como as flores em cada primavera.
Não podemos ter mais filhos…o pai acenava com a cabeça que concordava…mas logo, logo nascia outro… e a dialéctica era sempre a mesma: a tristeza de uma gravidez não esperada e a alegria imensa do nascimento de mais um filho…de mais uma boca para a mesa larga de castanho velho…mais uma criança para animar os longos serões na grande cozinha onde o lume ardia para amaciar os Invernos.
…que Deus não mo leve…é tão bonito!
Os dias eram longos e a mãe todas as noites anunciava o descanso merecido: - Manuel, Maria. Emídio, Alberto vamos à cama que amanhã é preciso madrugar…cuidais que a vida só é brincadeira?!
…faça favor da sua bênção! E todos se aninhavam serenamente nas camas de palha nova.
A Teresinha e eu ainda não estávamos aqui! Por isso não fomos chamados para tirar o retrato tão solene…na raridade e no espanto…onde todos tinham que ficar para o futuro…até a velha criada, de sempre, a nossa Sara.
Eu nasci muito mais tarde…era Abril…já andavam os meus irmãos a lavrar em Mousinhos.
A mãe já não contava que havia de ter outro filho…tardego…mas depois tão arrolado e desejado por todos.
…e hoje, aqui estou eu para contar a história…já mais velho que o pai e a mãe no dia em que vestiram a roupa domingueira para tirar o retrato à lá minute.
Os pais já partiram para descansar depois duma longa caminhada e de tantos trabalhos. Tantos. Nós ainda estamos todos... e seremos sempre seis.
Fernando Calado


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