quinta-feira, 17 de novembro de 2016

UM NACO DE TRÁS-OS-OS-MONTES

As unhas cheiram a frio
Os dedos sabem a gelo, a geada e a terra molhada
O corpo tem as raízes da alma ramificadas nos braços e mãos, que se elevam aos céus como ramos de castanheiros estrelados, plenos de frutos abençoados. 
Dedos doridos, gelados…
Olhos esbugalhados de frio ou calor.
Entre dialectos de ternura e amor
Recolhem o fruto do seu labor
O cheiro a frio faz-se milagre na abundância da azeitona, azeite virgem como os olhos virgens e deslumbrados dos agricultores.
O gosto a gelo transforma-se em castanhas adocicadas que adoçam os corações e as mãos calejadas.
Os rostos duros que adubaram as terras com suores e tremores…
Tremem agora de alegria, o gelo derrete de emoção
Um naco de trás-os montes que sabe a castanha, a azeite e a pão. 
Um campo no rosto lavrado
Colheita do fruto abençoado
Lágrima de sal cristalizado
A alegria do momento bebe o suor derramado
E o silêncio cala-se porque é inconveniente e indesejado.



M.C.M. (São Marques)

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