segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Encontro com um Velho Amigo!

O Rio Tua é um rio como tanto outros. Nado e criado atrás das fragas, fez-se um velho rude, torgueiro! Quando está cos azeites, arraza tudo! Vai tudo na frente a toque de caixa!
Mas passada a neura, volta a ser o avô babado, sempre bem albardado na sua bonita fatiota esverdeada - vergonhosamente desconsiderado e desnudado recentemente - paciente, dócil, porreirinho!
No Verão esquenta a água, limpa os limos e fica limpa parece um espelho. Até se vê o fundo e os peixes pia baixo, pia cima! Deixa a gente tomar banho, aprender a nadar e apanhar á mão - á pala - uns peixes, enguias e até uma ou outra cobra! 
O velho Tua, esfuçou, deu a volta ós montes, mas abriu caminho e chegou á aldeia q o baptizou, ó Tua. Aí foi uma pôrra! Apareceu-lhe pela frente um brutamontes q ele num conhecia.
E pensou,
Se não podes cum ele, junta-te a ele!
E dali pra diente, ninguém mais o viu.
Cá pra cima, o Velho estava como q adormecido. De vez em quando espirrava, mas passava e pronto.
Ninguém se metia cum ele. A num sermos nós, ninguém o conhecia.
Na Sra da Conceição fui vê-lo. 
Vi-o muito calmo, sisudo, olhos de carneiro mal morto, meio carrancudo! Acho q já descobríu q lhe tiraram a liberdade! E isso num se faz ó velho Tua! Num o conhecem, não nào!
Hum! 
Cá pra mim, vem aí torgueirada! Ai vem, vem!É tão certo como eu me chamar antonho!

António Magalhães
Membro do Grupo Trás-os-Montes - Um Reino Maravilhoso no Facebook

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