domingo, 16 de setembro de 2018

Nove meses com uma comunidade cigana

António Sérgio Strecht conquistou a simpatia deles: as fotos e o vídeo que o fotógrafo cedeu à SÁBADO atestam-no. "São mesmo boa gente", afirma.


O Natal, a Páscoa e outras datas assinaláveis do calendário foram passadas com eles. António Sérgio Strecht, 35 anos, estava empenhado em registar o quotidiano da comunidade cigana de uma aldeia de Trás-os-Montes, Penhas Juntas, entre 22 de Setembro de 2017 e 3 de Junho de 2018. "Muitas vezes nevava quando ia para lá. Não levava grandes expectativas, era mais a vontade de estar com eles. São mesmo boa gente", conta à SÁBADO o fotógrafo. 


A empatia de António Sérgio com os moradores do Bairro da Formiga, ali instalados há 30 anos, resultou num extenso portfólio de mais de 4.000 fotos – que obviamente não ficaram na gaveta. Mais de 2.000 pessoas tiveram oportunidade de vê-las no Clube de Bragança, até 25 de Agosto, na exposição Resiliente (o nome evoca a paciência do autor e a dificuldade em singrar na fotografia). 


O fotógrafo tenciona agora expô-las em Lisboa, Porto e Bilbau. Até porque, ressalva, é importante desmistificar uma série de estereótipos associados à etnia: "São mais livres. A vida deles acaba por ser muito mais simples do que a nossa." E, sendo nómadas, fazem "o seu Erasmus" pelas redondezas quando passam temporadas de semanas com familiares acampados em Chaves.


Raquel Lito
Revista Sábado

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