O presidente da Rede Europeia Anti-pobreza Portugal diz que em Bragança esta problemática está camuflada. Referindo-se ao desemprego, um dos indicadores de pobreza, Agostinho Jardim Moreira denuncia que os números nem sempre são claros, já que muitas vezes são mascarados com formações ou o rendimento social de inserção.
O presidente da Rede Europeia Anti-pobreza Portugal, Agostinho Jardim Moreira, diz que em Bragança os dados oficiais do IEFP sobre o desemprego não são claros e dá exemplos:
“Os dados são equívocos porque quem não trabalha anda a realizar cursos de formação. As empresas vão procurar elementos para trabalhar e os desempregados não querem ir trabalhar. Há alguma coisa que não está clarificada. Alguns pobres estão a frequentar cursos de formação. As empresas precisam de trabalhadores e não têm. Ainda há pouco estive com uma senhora de uma entidade que procura empregados e não consegue. É um pouco contraditório e há aqui um equívoco, quando se recebe o rendimento de inserção social e cursos de formação profissional”.
Para Jardim Moreira é necessário sensibilizar as empresas para a sua responsabilidade social no sentido de se criar uma sociedade mais equitativa e justa. O presidente deste organismo considera que as empresas precisam mudar a forma de actuação, até porque em Portugal há um número elevado de trabalhadores que estão abaixo do limiar da pobreza: “sabemos que em Portugal, 11% dos pobres são trabalhadores, quer dizer que há empresas que o salário é muito reduzido e que não é suficiente para que uma pessoa viva fora do limiar da pobreza”.
Neste seminário que contou com a participação de empresários e representantes de outras entidades, o representante máximo deste organismo Portugal lançou ainda um desafio para a criação de uma rede regional solidária de combate à pobreza.
No último ano, o número de pobres em Portugal desceu ligeiramente, mas ainda há mais de 2 milhões de portugueses a viver em risco de pobreza.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

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