quinta-feira, 5 de setembro de 2019

João de Sousa Araújo – Estátua de D. Afonso Henriques (1993)

A estátua de D. Afonso Henriques, no largo que leva o nome do monarca, situado na Avenida Cidade de Zamora, foi erguida para comemorar os 850 anos da assinatura do Tratado de Zamora. O Presidente da Câmara de Bragança, Luís Mina, no ato da sua inauguração, referiu como Bragança tinha desejado que as comemorações “fossem nacionais e tivessem o apoio e empenho das várias instituições estatais e governamentais”; porém, como esta postura não tivera o desejado acolhimento, a Autarquia e a Assembleia Municipal, representada nas cerimónias pelo seu Presidente, Adão Silva, tomaram a decisão de concretizar o projeto.

Estátua de D. Afonso Henriques (1993)
Autoria: João de Sousa Araújo
Assim, ficou exarada, por unanimidade, em ata de 26 de julho de 1993, a aprovação da proposta da execução do busto de D. Afonso Henriques apresentada pela Academia de Letras e Artes de Lisboa. Luís Mina, no seu discurso oficial, apontava a razão determinante que havia presidido ao projeto, o desejo que a geminação com Zamora fosse cada vez mais estreita e conseguisse os seus objetivos nesta época em que as fronteiras quase desapareceram.
O monumento, representando o nosso primeiro Rei, e que marca a efeméride dos 850 anos da independência de Portugal, faz parte de um conjunto de três, encontrando-se os outros dois em Torres Novas e em Zamora, pertencendo a sua autoria a João de Sousa Araújo, à época presidente da Secção de Escultura de Letras e Artes, instituição que ofereceria o exemplar à cidade de Zamora.
Afonso Henriques, cujo busto em bronze encima uma estrutura granítica em forma de escudo, que serve de pedestal, evidencia uma postura altiva e determinada, própria do fundador da nacionalidade. João de Sousa Araújo, artista polifacetado (arquiteto, escultor e pintor), nascido em 1929, foi discípulo do próprio pai, Renato de Araújo, e de Leopoldo de Almeida. Licenciado pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, exerceu aí a docência, tendo sido premiado pela Sociedade Nacional de Belas-Artes, em 1951. Dedicou-se, para além da arquitetura, escultura e pintura, a outras disciplinas artísticas, entre as quais a gravura, o vitral e a cerâmica, desenvolvendo uma extensa atividade no âmbito da arte sacra, destacando-se a sua participação no Santuário de Fátima. Desenvolvendo uma atividade artística intensa, participou em vários eventos internacionais.
Foi na qualidade de presidente da Secção de Escultura de Letras e Artes que João de Sousa Araújo surgiu como autor dos monumentos de Bragança, Zamora e Torres Novas.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

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