segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Manuel Barroco – Cão de Gado Trasmontano (2008)

As propostas para a execução dos dois grupos escultóricos, O Cão de Gado Trasmontano e Os Mascarados, foram apresentadas na mesma reunião pelo Presidente da Autarquia, em 23 de abril de 2007, tendo ambas sido aprovadas por unanimidade.

Cão de Gado Trasmontano (2008). Autoria: Manuel Barroco

Em 8 de outubro desse mesmo ano, o júri nomeado para apreciação de propostas elaborou os dois relatórios, que seriam apresentados na reunião camarária de 22 de outubro, onde seriam acolhidos favoravelmente, recomendando a adjudicação das duas esculturas a Manuel Barroco. A adjudicação definitiva das duas obras seria dada em 6 de novembro de 2007, como consta do relatório final do júri, aprovado em reunião de Câmara de 12 de novembro de 2007.
Manuel Barroco nasceu em 1940, na aldeia de Quintas das Quebradas, concelho de Mogadouro, tendo-se licenciado em Escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, dividindo a sua atividade entre Mogadouro e Lisboa, onde tem os seus ateliers, desenvolvendo um intenso trabalho na área da escultura. A ligação à terra natal e a inspiração que aí vai buscar para as suas obras está bem patente nestas palavras: “Faz-me falta vir aqui.
Os cheiros, as cores e até o frio, fazem-me sentir bem. Gosto de chegar a uma aldeia e sentir o cheiro às giestas a arder, ao caldo verde e à cozedura dos butelos”.
As duas esculturas da sua autoria que se encontram em Bragança, O Cão de Gado Trasmontano e Os Mascarados, atestam o seu mérito como escultor.
O primeiro monumento, de homenagem ao cão de guarda trasmontano, seria colocado na plataforma central da Avenida Abade de Baçal, e os argumentos apresentados para a pertinência do tema foram os seguintes: “Sendo o cão de gado trasmontano, animal nobre, companheiro inseparável do solitário pastor e valente guardador de rebanhos, com funções específicas de guarda contra o ataque do lobo existente nesta região montanhosa, que se caracteriza por campos íngremes de pastos de difícil acesso rodoviário, adaptou-se às condições da região e ao tipo de gado ovino e caprino que tradicionalmente tem pastagem nesta área, em perfeita simbiose com as condições e o tipo de trabalho que lhe foi solicitado”.


Correspondendo a esta sugestão, o artista aponta três itens na memória descritiva que presidiram à sua composição: o animal, como elemento mais importante do grupo escultórico, era colocado num plano mais elevado relativamente às outras figuras, e em posição de guarda, em cima de uma rocha; todo o conjunto era organizado longitudinalmente, em função do sentido do trânsito, de forma a facilitar a leitura simbólica pelo observador, contribuindo para tal facto a utilização de figuras vazadas e o afastamento de todo e qualquer elemento secundário; e ainda, para recriar o ambiente onde se enquadra a vivência do cão, eram colocadas rochas de granito e de xisto da região, bem como uma árvore, simbolizando a ambiência onde o rebanho e o pastor se inserem de forma natural.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

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