As frequentes crises financeiras têm vindo acrescentar valor ao ouro. É natural que apareçam candidatos à sua exploração em todos os cantos onde se suspeite possam existir reservas naturais. Os pressupostos são os mesmos.
Igualmente se poderia replicar o mesmo argumentário para o caso do ferro. Mas há, neste caso concreto, dois aspetos adicionais que não é possível ignorar, nem tão pouco minimizar. O primeiro e mais evidente é que a sua extração é mais agressiva, mais poluente e mais intrusiva para a vida dos cidadãos das suas redondezas; a segunda é a falta de racional que justifique o aumento da mineração, sobretudo a retoma onde fora fechada por causa da baixa rentabilidade.
Para melhor entender pesquisei várias publicações e relatórios da especialidade, em lado nenhum encontrei qualquer indício de crescimento da procura, atual ou futura. Mas há, como não podia deixar de haver, um aumento crescente do preço. Os especialistas apontam, como causa, não o aumento da procura, mas a diminuição da oferta... de um dos maiores produtores, a China... por causa de problemas ambientais!
Tempos houve em que muitos nordestinos procuravam os escuros e poluentes ambientes mineiros, para fugirem ao pão que o diabo amassou.
Tempos idos, felizmente.
Haverá quem entenda que o futuro se resolve com trocadilhos com as palavras que ache estranho possuir uma das maiores jazidas de ferro da Europa, sem a explorar.
Estranho, acho eu, é haver quem pense que o desenvolvimento das regiões de baixa densidade (seja ou não de alta intensidade, o que quer que se pretenda significar com isso!) passa por ter de comer o pão que o próprio diabo chinês se recusa já a amassar...
José Mário Leite


Sem comentários:
Enviar um comentário