sexta-feira, 15 de outubro de 2021

CRACOLÂNDIA

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)

A Cracolândia, lugar imaginário e real, era coberta pela névoa 
paulistana. Muitos barcos singravam tais "águas" turvas e vaporosas.
No comando de cada  timão, apenas o destino. Os fluidos que sustentavam os barcos, misto de névoa e água pareciam de pouca densidade, porém assim mesmos os tripulantes, qual espíritos desencarnados,  não tinham massa nem peso.
Os barcos deslizavam para lá e para cá, surfando na crista das pequenas ondas silenciosas de um mundo fantasmagórico, pleno de gemidos de dor. 
Sob as pontes de águas turvas, seres humanos relegados à vida vegetativa, sucumbiam-se nas
drogas. Velhos casarões, qual barcos abandonados no Mar de Sargaços, estavam cheios de sombras daqueles  que um dia foram gentes.
Pessoas, como eu mesmo, desviavam daquela direção: era melhor não ver, para não se culpar. Agora, velhos encouraçados que protegiam uma grande prole de desafortunados, vieram abaixo. A vergonha ficou exposta. O rei ficou nu!
Nossa culpa, por anos de afirmações virtuais, volta com força. A prole de desafortunados, junto com os cães pit-bulls abandonados, saem por aí, fazendo pequenos biscates e roubos, para manter o vício.
-Fim para o nevoeiro!
-Acorda São Paulo; acorda Brasil; acorda Mundo!

Antônio Carlos Affonso dos Santos
ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 9 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.

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