quinta-feira, 21 de outubro de 2021

TENHO

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

A dureza das pedras no rasgo do olhar. Sinto um carinho que foge, uma ternura que desenha na areia o pisar das gaivotas no mar.
No amaciar da noite que cai, borboletas coloridas bordam-me a alma.
Na melancolia que desliza pelas paredes, esboço sonhos a preto e branco. Nesta casa feita de silêncios, os suspiros têm um sabor agridoce e provocam náuseas que embebedam e anestesiam.
Quando a noite é solidão e o medo espreita pelas frinchas das janelas, fico na quietude do espasmo, olho pela porta transparente da lua e vejo o céu pardacento. Enrosco-me, e sinto-me habitante única no útero do mundo.

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

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