segunda-feira, 7 de março de 2022

UM PONTO NO INFINITO

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

Sou apenas um ponto no infinito, mas sinto-me uma escada que sobe até á claridade para sorver a paz que se esconde nas despedidas alcantiladas do desejo. 
Extasiada, fico muda e num silêncio tão agudo que me bombardeia o cérebro e me estilhaça a alma. 
Na pele ondulam-me girassóis em perpétuas cisões e sinto no corpo dedilharem-me ânsias de fera. 
Fecho a porta da guerra, sinto uma mão sobre a minha mão, adormeço enquanto cinjo pétalas e lágrimas em furor insano até que a paz se inclina e se afunda em abraços dados e apertados, colados, coração com coração.
A noite cai em profundas e labirínticas tensões.

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

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