segunda-feira, 15 de agosto de 2022

QUANDO

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")

Quando descerro o olhar faminto, e o deixo descer pelas fraldas dos montes em desalinho.
Quando vislumbro a maldade escondida entre a flácida neblina, 
Aperto as mãos escaldantes e suadas, encosto a cabeça no travesseiro e fico perdida e confusa, a pensar nas desalentas madrugadas!
Ríspida, selvagem mas atenta, ouço do mar a voz rouca e cansada, 
Piso a areia quente, e calco o chão, revoltada.
Esvoaçam gaivotas de longas asas, num voo suave e pausado!
Em frente ao mar, está o meu céu e o meu mundo, profundamente alicerçado. 
Adentro-me na espuma inocente, mergulho nas ondas de rosas, e encho o peito de ousadia!
Perco-me em sonhos de amores, navego em vagas de melancolia!
Espero que este calor infernal, desfaleça na minha loucura.
Traga um pouco de paz e bondade, e uma suave frescura. 
Que traga um gesto ou um grito,
Nesta falta de amizade
Neste desamor infinito.

Maria da Conceição Marques
, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Sem comentários:

Enviar um comentário