sábado, 21 de fevereiro de 2026

De repente, lembrei-me de Egas Moniz, não do Aio de D. Afonso Henriques, mas do galardoado com o Prémio Nobel da Medicina, não no século XIX, mas já em meados do século XX...

Por: Rui Rendeiro Sousa
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Não que Egas Moniz tenha alguma ligação a Bragança e ao seu distrito… Mas foi Prémio Nobel! Através de um procedimento neurocirúrgico que, na actualidade, é considerado uma «aberração». Porém, no seu tempo, não o foi. Foi um mestre nesse seu tempo. Assim como muitos outros foram mestres no seu tempo. Entretanto, a neurocirurgia evoluiu imenso, parecendo haver os que pretendem permanecer atolados na involução… 

O mesmo sucede com outras áreas da ciência. Evoluem, embora mantendo o respeito pelos seus pioneiros. Há, no entanto, quem leia, por exemplo, o soberbo trabalho que o Abade de Baçal nos deixou, e permaneça arreigado aos conhecimentos que nos legou, como se os mesmos fossem únicos, incontestáveis e universais. Todavia, o Abade de Baçal, à semelhança de outros pioneiros nos estudos sobre a região bragançana, não tinha à disposição as ferramentas disponíveis na actualidade, em pleno século XXI... E, para quem conheça, efectivamente e ao pormenor, a excelsa obra do Abade de Baçal, saberá que muitas considerações que o mesmo fez, entre os séculos XIX e a primeira metade do século XX, estão completamente desactualizadas e desajustadas da realidade. Sem qualquer desprimor para os, reforço, magníficos conhecimentos que nos legou. 

Depois desses primeiros estudiosos sobre o distrito de Bragança, já muitos outros ilustres autores posteriores, da segunda metade do século XX, e já neste século XXI (!!!), com outras ferramentas e com outros métodos à disposição, dedicaram o seu tempo a trazer à tona o tanto que guardado é nestas magníficas terras. Parece, no entanto e à falta de melhor, que deve continuar a proceder-se à lobotomia pré-frontal, o tal procedimento que deu um Prémio Nobel a um Português… Só porque foi Egas Moniz que a implementou… E, a partir dos inícios da segunda metade do século XX, tudo parou na evolução da neurocirurgia. E ai de quem conteste, porque Egas Moniz disse!…

Todavia, há coisas positivas… Acompanho esta página há muitos anos. E é tanto o que tenho aprendido com a maioria das publicações que por aqui são feitas! Há, no entanto, algumas que, ao invés de perder, literalmente, tempo a contestá-las, as aproveito para três situações distintas. 

A primeira delas: servem-me para demonstrar, a actuais e futuros investigadores, que a investigação não se faz sem dedicação; 

A segunda delas: servem-me para mostrar, a actuais e futuros investigadores, como não deve ser aplicada a dita dedicação, em simultâneo me servindo para exemplificar a grande distância que existe entre realidades paralelas e, passe o pleonasmo, realidades reais;

A terceira delas: servem-me para tipificar a diferença entre curandeiros e a medicina, e para perceber os motivos para estas terras enxotarem os seus, empurrando-os, compulsivamente, para outras terras onde os horizontes largos não permitem que caibam a tacanhez e a mesquinhez...

E vamo-nos divertindo, eu, os actuais e os futuros investigadores… Até os iniciados nestes âmbitos da investigação se divertem… O problema é que, tal como aconteceu com as «histórias dos mouros», uma «mentira repetida mil vezes», pode «transformar-se em verdade»… Valendo, contudo, que os entusiastas e os acérrimos defensores da lobotomia pré-frontal não conseguem crédito nos locais onde o crédito é tido… 

“Çculpen qualquiera cousa“ ou, em versão parecida da “nh’ábó Maria”, “zculpim qualquera cousa”…


Rui Rendeiro Sousa
– Doutorado «em amor à terra», com mestrado «em essência», pós-graduações «em tcharro falar», e licenciatura «em genuinidade». É professor de «inusitada paixão» ao bragançano distrito, em particular, a Macedo de Cavaleiros, terra que o viu nascer e crescer. 
Investigador das nossas terras, das suas história, linguística, etnografia, etnologia, genética, e de tudo mais o que houver, há mais de três décadas. 
Colabora, há bastantes anos, com jornais e revistas, bem como com canais televisivos, nos quais já participou em diversos programas, sendo autor de alguns, sempre tendo como mote a região bragançana. 
É autor de mais de quatro dezenas de livros sobre a história das freguesias do concelho de Macedo de Cavaleiros. 
E mais “alguas cousas que num são pr’áqui tchamadas”.

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