quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Tintim já fala em língua mirandesa através do álbum “Ls Xarutos de l Faraó”

 A personagem da Banda Desenhada (BD), Tintim, criada pelo belga Hergé já fala em mirandês por terras dos Faraós, os senhores do antigo Egito, tudo porque acaba de ser lançado o álbum “Ls Xarutos de l Faraó” (“Os Charutos do Faraó”), o primeiro álbum das aventuras do intrépido repórter que procura aventuras em qualquer parte do mundo.


Esta edição é limitada a 1.000 exemplares e colocados à venda numa livraria em Miranda do Douro e nas lojas FNAC, pelo unitário de 18 euros, sendo que este álbum do Tintim em mirandês tem edição da belga “Casterman”, com tradução de Alcides Meirinhos, membro da Associação de Língua e Cultura Mirandesa.

Daniel Sasportes, um dos mentores desta edição, em mirandês disse durante a apresentação do livro que aconteceu em ambiente da casa cheia, na biblioteca António Maria Mourinho, Miranda do Douro, frisou que este lançamento constitui não só uma novidade no universo ‘tintinófilo’, mas também um contributo relevante para a valorização da diversidade linguística em Portugal.

Já o Comissário da recém-criada Estrutura de Missão para a Salvaguarda da Língua Mirandesa, Alfredo Cameirão, explicou o Mensageiro que este tipo de traduções da BD é dirigido a um público mais infantojuvenil, mas que também chega a leitores e apreciadores deste tipo de aventuras mais adultos.

“Este tipo de iniciativa é uma reafirmação da língua mirandesa. A ação desta aventura decorre no Egito, o que demonstra a capacidade de o mirandês mostrar ao mundo inteiro a sua polivalência, o que vem colocar o idioma no mesmo patamar de outras línguas”, destacou.

Para Alfredo Cameirão, este tipo de tradução é “importantíssimo” para a sua divulgação já que esta é uma das BD’s mais conhecida no mundo e assim o mirandês pode chegar mais longe.

Este álbum assinala a primeira aparição de Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira), o único personagem português recorrente na série, que reforça o simbolismo desta edição.

Já Alcides Meirinhos, explicou que a tradução deste livro das aventuras de Tintim foi um desafio interessante, mas no início um pouco trabalhoso e difícil.

Também Júlio Meirinhos, ex-deputado do PS e tido como o “pai” da lei do mirandês, já que foi o responsável pela oficialização deste idioma, referiu que há 27 anos havia muitos sonhos mas passo a passo a língua mirandesa foi-se consolidando.

“O povo e as instituições provaram ao longo destes anos que foram aderindo os grandes projetos que foi a oficialização da língua mirandesa e foram fazendo as coisas, uma de cada vez. Houve várias traduções desde os clássicos da literatura, até ao Astérix e a médio prazo a tradução da Constituição Portuguesa, já se escreveram mais livros, em mirandês, que nos 50 anos anteriores à lei que oficializou o idioma, para razão para estar confortável e poder dizer que já há raízes se foram formando, e que tudo isto vai evoluindo e juventude tem provado isso mesmo”, enfatizou.

Para já não está em cima da mesa, outra tradução das aventuras de Tintim, para o mirandês.

Francisco Pinto

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