segunda-feira, 2 de março de 2026

A quadra que vos deixo


 O Carlos Pires, responsável há mais de 20 anos pelo jornal do Infarmed ("Infarmed Notícias"),  publica mensalmente desde 0utubro de 2006, na newsletter interna da instituição (então "De Nós Para Nós" e agora "Infarnews") uma quadra com nota de contexto, geralmente inspirada no acontecimento,/episódio, mais noticiado, quer a nível nacional quer internacional, no mês em questão. Em 2021, reunidas em livro as quadras publicadas entre outubro de 2006 e novembro de 2020, deu à estampa, editado pela Âncora, "Redondilhando", esperando-se para 2027 a segunda edição atualizada do livro, incluindo também todas as quadras publicadas de então para cá. A quadra que vos deixo, divulgada em fevereiro, será uma delas, que em "Memórias... e outras coisas - Bragança", por nos lembrar um dos maiores revolucionários brigantinos, Alípio de Freitas, cantado por Zeca Afonso e condecorado pelo Presidente Jorge Sampaio, tenho o prazer de neste nosso contexto divulgar também.

Redondilhando…

Aos beirais da minha casa
Chegou gente clandestina,
São andorinhas de Gaza
Fugidas da Palestina.

Carlos Meles

Nota de contexto – Não ficando telha sobre telha com tanta destruição em Gaza, boas razões haveria para que as “sem-casa”, as andorinhas da Faixa - como os “sem-terra” no Brasil da ditadura –, passassem também a ter um merecido e revolucionário movimento de apoio. As “sem-casa”, como o enorme Alípio de Freitas associaria aos “sem-terra”, a quem este gigante transmontano de Vinhais cantado por Zeca Afonso e condecorado por Jorge Sampaio deu parte da vida no país-irmão, onde foi preso e torturado. Isto, fevereiro, as andorinhas, as “sem-casa” – na Faixa de Gaza como os “sem-terra” no Brasil. Como associaria Alípio, antigo padre mas sacerdote a vida inteira, que deixou de dizer missa em latim para que os fiéis melhor o entendessem.

HM

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