domingo, 10 de maio de 2026

EM DEFESA DA NOSSA CULTURA

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Passei a véspera de Natal em companhia de minha mulher, na residência de casal amigo, que gentilmente nos convidaram.

A consoada foi simples: o tradicional bacalhau com batatas, pencas e grelos. Tudo regado com generoso azeite trasmontano. Após a farta ceia, houve doces da época e, apetitosas e douradinhas rabanadas.

Realizada a troca habitual de lembranças - sempre ansiosamente esperada pelas crianças - aconchegamo-nos ao redor da cálida lareira.

As achas, colocadas de fresco, estrelejavam e crepitavam; altas labaredas irradiavam tons doirados com tonalidades, que iam de vermelho a verde-pálido, lambendo os ressequidos toros de oliveira.

As crianças tagarelavam. em surdina, com bonecas que o " generoso" Menino - Jesus lhes trouxera; e nós, os mais velhos, debatíamos acaloradamente "importantes” assuntos em voga.

Abordou-se, entre outros, os meios de comunicação, e a influência que exercem na opinião; na escolha dos cidadãos. (Numerosos países proíbem sondagens políticas, durante a campanha eleitoral. Entre eles: a Espanha - cinco dias antes do dia de reflexão, e a Itália. duas semanas. Erradamente julgamos que pensamos; mas não pensamos: somos simples bonifrates. E nem nos lembramos, a influência que exercem, na nossa mente, os meios de comunicação.

 Estávamos a prosear animadamente, quando me apercebi de vozes infantis em murmúrio. Dois petizes, que frequentavam o quarto ano, engalfinharam-se:

- Salazar era mau!...

refutou o amigo, empertigado:

-   Não era Salazar!... Era a polícia!...

- A "fessora" disse-nos que" fazia" guerra” nas colónias....

- Colónias?!: Não: Províncias Ultramarinas!...

Os ânimos acalmaram-se, derivando para temas apropriados para a idade. Temas que não deviam entrar na escola. Assuntos, que são apenas da família: pais e avós. Estarei em erro?

 A sociedade mudou - sempre muda, - Apareceram, no nosso país: novas culturas, e novos modos de viver, que devem ser respeitados

Já o nosso Camões dizia:

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. A globalização, a entrada de imigrantes, com diferentes culturas e crenças, deve ser respeitada; e igualmente rever: mentalidades, conceitos e preconceitos, se queremos concórdia e paz.

Contudo não devemos abdicar das nossas: tradições, costumes, crença e raízes, que herdamos dos nossos maiores, e devemos transmiti-las a futuras gerações.

Isso não é nacionalismo, é o desejo de continuarmos a ser portugueses.


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

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