27.junho.1910 – 5.outubro.1910
ALIJÓ, 4.4.1858 – ?
Alto funcionário da Administração Pública.
Deputado (1908-1910). Governador civil de Bragança (1910).
Natural da freguesia de Casal de Loivos, concelho de Alijó.
Filho de Bernardino António da Rocha Lousa e de Luísa Lamas Rebelo.
Casou com Maria Antónia de Almeida, de quem teve um filho, João Augusto de Almeida Lousa.
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Chefe do Partido Regenerador no distrito de Bragança, Rocha Lousa foi eleito deputado pelo círculo plurinominal de Bragança para a legislatura de 1908-1910. Em 1909, integrou a Comissão Interparlamentar de Tarifas, mas não se lhe conhecem intervenções de relevo no Parlamento.
Nomeado governador civil de Bragança em junho de 1910, cargo de que tomou posse a 7 de julho do mesmo ano, foi o último neste lugar no tempo da Monarquia, mantendo-se em funções até ao eclodir da revolução republicana, em 5 de outubro seguinte, sendo exonerado por despacho publicado nesse mesmo dia, como os restantes governadores civis do País.
O novo regime, porém, não parece ter perturbado a sua carreira, já que foi de imediato nomeado primeiro fiscal técnico junto da Inspeção dos Tabacos.
O seu nome encontra-se inscrito na toponímia da cidade de Bragança.
Notícia sobre a receção em Bragança a José António da Rocha Lousa aquando da sua tomada de posse como governador civil (1910)
Foi deveras afetuosa e íntima a receção que o Partido Regenerador deste distrito fez ao Sr. José António da Rocha Lousa, ilustre chefe do nosso distrito. Não houve exteriorizações de grande atavio, de mistura com foguetes e música, mas nem por isso deixou de ser carinhosa e de traduzir toda a estima para Sua Exa.
Os seus amigos, que são muitos, interpretando o sentir do digno magistrado do distrito, que não desejava manifestações estrondosas ao entrar na cidade em que há bem pouco tempo tinha perdido um dos seus melhores amigos e leais companheiros [Abílio Beça], fizeram-lhe uma receção amistosa, que teve a sua maior significação na singeleza e simplicidade de cada um que abraçou Sua Exa. A satisfação era bem visível em todos os que se acercavam de tão distinto e afável cavalheiro, que teve para cada um uma frase amiga e sincera.
Era esperado às 11 horas da manhã, porém, na dúvida da sua chegada inesperada, já às 10 horas se encontrava muita gente na gare da estação, esperando o comboio em que se dizia vir Sua Exa. São 10h30m, o comboio chega e Sua Exa. mostra-se aos numerosos amigos que em breve o rodeiam e abraçam cordialmente e em seguida o acompanham ao Hotel Virgínia, onde ficou hospedado.
Ao meio-dia em ponto entrava Sua Exa. no edifício do Governo Civil a tomar a posse, que lhe foi conferida pelo digno secretário-geral, servindo de governador civil, Sr. Dr. Rui da Câmara, depois da leitura do termo respetivo pelo Sr. Antero Navarro, primeiro-oficial do mesmo Governo Civil.
Terminada que foi a assinatura do termo, Sua Exa. o Sr. governador civil referiu-se em palavras repassadas de sentimento e saudade ao sempre chorado conselheiro Beça, pondo em destaque as altas qualidades do que foi seu amigo e companheiro nas agruras das lutas partidárias e relativamente à política geral, Sua Exa. acentuou bem frisantemente a sua orientação de dar todo o seu apoio aos correligionários e de respeitar os adversários, mas sem transigências de espécie alguma, palavras que mereceram o aplauso de todos os assistentes.
Exprimiu-se Sua Exa. de uma maneira clara e incisiva, a não deixar dúvida de que temos muito a lucrar com a sua vinda de governador civil para este distrito, e outra coisa não há a esperar de quem não afirma o que não é capaz de fazer. Ficámos plenamente satisfeitos e convencidos de que se há de fazer sentir em todo o distrito a sua benéfica ação e que a favor dele porá Sua Exa. toda a sua inteligência, dedicação e valor.
Receba, pois, o distrito de Bragança as mais sinceras felicitações por ter à sua frente um magistrado digno a todos os respeitos do alto cargo em que foi investido como prémio dos seus merecimentos pessoais e políticos.
Dos concelhos que sabiam o dia da chegada havia larga representação e sabemos também que em algumas estações entre Mirandela e Bragança lhe prepararam manifestações de simpatia, mas que Sua Exa. não chegou a receber, por antecipar a chegada.
Fonte: Gazeta de Bragança, Ano XIX, 1910.
Artigo de opinião sobre a nomeação de Rocha Lousa para o Governo Civil de Bragança (1910)
Primeira desilusão
Foi nomeado governador civil deste distrito o Sr. José António da Rocha Lousa, pessoa bem conhecida de todos para que precisemos encarecer-lhe as qualidades.
De rasgo, não se prende com pequenos escrúpulos; testo de génio, não admite senão subordinados; de crédito feito, quebrará mas não dá satisfações. Cria fama…
(...)
O Sr. José de Miranda, que desde 1886 vem sendo conhecido pelo José do Chicote, por causa daquele apetecido chicote que de Grijó de Valbemfeito chegasse até Lisboa, tinha afirmado ao Sr. Dr. Henrique José Pereira que seria ele que havia de vir a suceder-lhe no lugar de governador civil do distrito. E dava o negócio como assente e resolvido. E afinal dão-lhe no afastadouro com o Sr. José Lousa.
Não se amofine, porém, Sua Exa., atrás de tempo, tempo vem. Não tem Sua Exa. tantos merecimentos para com o Sr. Teixeira de Sousa por muitas razões que são da consciência deste, mas principalmente porque não é do concelho de Alijó. Mas o Sr. Lousa não há de querer morrer governador civil de Bragança, nem mesmo espera aposentar-se nesse lugar; e como o Sr. Teixeira de Sousa, pela tarraxa da futura Câmara dos Deputados, há de ficar sobre o poder como S. Jorge sobre o seu cavalo, descansando apenas quando o cavalo sentir a necessidade de alimento, tem o Sr. José de Miranda muito tempo de provar a seu primo que também sabe ocupar o lugar de governador civil.
Mas agora à urna sob as ordens do Sr. Lousa. Não há remédio para ser governadorisável.
Fonte: Nordeste, Ano XXII, n.º 1187, 1910, p. 1 e 2.
Fontes e Bibliografia
Arquivo Distrital de Bragança, Autos de Posse (1845-1928).
Diário do Governo, 11.1.1911.
Gazeta de Bragança, Ano XIX, 1910.
Nordeste, Ano XXII, n.º 1187, 1910.
MÓNICA, Maria Filomena (coord.). 2004. Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), vol. II. Lisboa: Assembleia da República.
Geneall – Portal de Genealogia (disponível em geneall.net).
Publicação da C.M. Bragança
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