sexta-feira, 15 de maio de 2026

MIRTILOS REJEITADOS VÃO DAR ORIGEM A CORANTES NATURAIS E ‘SNACKS’ EM PROJETO INOVADOR EM BRAGANÇA

 Os mirtilos rejeitados para venda em fresco, que até agora eram maioritariamente destinados à alimentação animal, vão ganhar uma nova vida através da criação de corantes naturais e ‘snacks’ alimentares desenvolvidos pelo MORE CoLAB – Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação, em Bragança.


O projeto nasceu de um desafio lançado pela empresa Green Factor, de Braga, especializada na recolha e comercialização de mirtilos, que procurava uma solução sustentável para aproveitar uma parte significativa da produção considerada imprópria para o mercado fresco.

Segundo Tadeu Alves, administrador da Green Factor, o objetivo passa por transformar o chamado “mirtilo de refugo” numa matéria-prima com valor acrescentado e potencial inovador.

“Permite considerar os mirtilos de refugo não como uma perda, mas sim como uma matéria-prima com potencial para gerar inovação e novos produtos”, afirmou o responsável, citado num comunicado.

O trabalho está a ser desenvolvido em parceria entre o MORE CoLAB e o Instituto Politécnico de Bragança e prevê a criação de dois produtos distintos com base nas propriedades antioxidantes do fruto.

Um dos projetos consiste na extração da cor azul natural do mirtilo, destinada à utilização na indústria alimentar, nomeadamente na pastelaria, para colorir massas, recheios e coberturas.

O investigador Alexandre Gonçalves explicou, contudo, que o desenvolvimento deste corante natural enfrenta desafios técnicos relevantes.

“Esta cor azul do mirtilo tem de ser estabilizada antes de poder ser usada em processos industriais, porque senão vamos perder a cor durante os processos”, esclareceu.

A segunda linha de investigação centra-se na criação de uma farinha de mirtilo destinada à produção de ‘snacks’ e barras energéticas.

“O que nós vamos fazer é um pó de mirtilo, como se fosse uma farinha. Temos de desidratar o mirtilo e depois passar esse pó por um processo de extrusão para podermos criar diferentes produtos alimentares”, detalhou Alexandre Gonçalves.

Durante os primeiros dois anos do projeto, a equipa irá desenvolver protótipos alimentares e realizar testes junto de potenciais consumidores. Já o terceiro ano será dedicado à produção em escala industrial, com vista à comercialização dos novos produtos.

O investigador revelou ainda que os trabalhos começaram com a caracterização detalhada do chamado “mirtilo de refugo”, uma vez que os frutos rejeitados apresentam características muito diferentes entre si.

“Não é só uma questão de calibres diferentes. Também temos mirtilos que não estão no ponto de maturação desejado, o que altera o teor de açúcar e o nível de coloração”, explicou.

Os primeiros protótipos alimentares deverão começar a ser produzidos entre junho e julho deste ano.

Embora os produtos venham a ser comercializados pela Green Factor, os responsáveis pelo projeto sublinham que o conhecimento desenvolvido deverá beneficiar todo o setor nacional dos pequenos frutos.

“Sabemos que existem outras regiões do país muito fortes nestes pequenos frutos, que poderão no futuro explorar estas estratégias de valorização dos subprodutos”, frisou Alexandre Gonçalves.

O projeto, denominado InovBlueValue, é cofinanciado pelo programa Norte 2030 e deverá estar concluído em dezembro de 2028.

A Redação com Lusa
Foto: DR

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