Este silêncio “representa um desrespeito pelos trabalhadores e pelas suas famílias, mas também pela própria população da região”, acusa José Eduardo, dirigente do SINTAB, acrescentando que, em seu entender, “ou não existe qualquer verdadeiro plano de recuperação, apesar das declarações públicas produzidas para consumo mediático, ou então pretende-se deliberadamente afastar os trabalhadores do conhecimento e discussão sobre o futuro da unidade”, diz.
Para o dirigente sindical, qualquer uma destas duas hipóteses “é grave”, alegando que os trabalhadores “continuam profundamente reticentes quanto às verdadeiras intenções do poder local, temendo não apenas pelos seus postos de trabalho, mas também pelo desmantelamento progressivo de uma estrutura absolutamente essencial para os produtores pecuários, comerciantes e economia regional”, sublinha.
Perante esta situação, o SINTAB adianta que vai solicitar “com caráter de urgência” uma reunião ao Administrador de Insolvência “procurando obter os esclarecimentos que as autarquias ainda não prestaram”, mas também pretende reunir com as associações de criadores de gado que dependem do Matadouro Industrial do Cachão e com as associações comerciais representativas dos agentes ligados à comercialização de carne bovina da região.
José Eduardo revela que todo este processo está a causar “muita apreensão” nos 23 trabalhadores do matadouro.
“Também parecem estar resignados porque normalmente nestas situações de insolvência, entendem que isto é já sempre a fase final de vida de uma empresa, e apesar de já termos um relatório de créditos aprovados por parte do administrador de insolvência, mas aquilo que os trabalhadores queriam mesmo era continuar a contar com o seu posto de trabalho, não era receber uma indemnização e serem atirados para o mercado de trabalho muitos deles já perto dos 60 anos, com escassas probabilidades de entrar no mesmo setor”, refere o dirigente sindical.
O SINTAB reitera que o MIC “é uma peça fundamental para a subsistência económica de Trás-os-Montes”, sendo indispensável não apenas garantir a sua manutenção, mas também reforçar a sua capacidade operacional e produtiva, acrescentando que essa responsabilidade “deve também ser exigida ao poder central”.


Sem comentários:
Enviar um comentário