segunda-feira, 22 de junho de 2026

ALUNAS DO POLITÉCNICO DE BRAGANÇA CRIAM MANUAL INOVADOR PARA APOIAR ENVELHECIMENTO DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

 Duas estudantes do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) desenvolveram um manual técnico pioneiro destinado a apoiar profissionais que trabalham com pessoas com deficiência em processo de envelhecimento, colmatando uma lacuna identificada a nível nacional numa área cada vez mais relevante do ponto de vista social e científico.


O projeto foi criado por Carolina Nogueiro e Margarida Silva, alunas da Licenciatura em Gerontologia, durante o estágio curricular realizado no Centro de Educação Especial da Santa Casa da Misericórdia de Bragança. Ao longo dos últimos seis meses, as estudantes dedicaram-se à elaboração de um instrumento prático que reúne orientações, procedimentos e estratégias de intervenção dirigidas aos profissionais que acompanham pessoas com deficiência congénita à medida que envelhecem.

Segundo Carolina Nogueiro, a iniciativa nasceu da constatação de que não existia, em Portugal, um manual técnico especificamente direcionado para a intervenção gerontológica nesta população.

“Ao longo do estágio percebemos que havia uma ausência de ferramentas orientadoras para os profissionais que trabalham diariamente com estas pessoas. Sentimos a necessidade de criar um recurso acessível, prático e baseado no conhecimento científico”, explicou.

O manual aborda áreas fundamentais como os princípios da gerontologia, as particularidades do envelhecimento em pessoas com deficiência, a comunicação, o luto, a promoção do envelhecimento ativo, a saúde e a adaptação de atividades gerontológicas às necessidades específicas desta população.

Uma das preocupações das autoras foi tornar a informação acessível a todos os profissionais do setor. Por essa razão, o documento foi desenvolvido com uma linguagem clara, simples e estruturada, afastando-se da complexidade frequentemente associada à literatura científica.

“O objetivo foi criar um instrumento que pudesse ser facilmente utilizado no terreno e que contribuísse para uma intervenção mais humanizada, organizada e sustentada pela evidência científica”, salientou Carolina Nogueiro.

A estudante destacou ainda a importância deste tipo de recursos em regiões do interior do país, onde o acesso a formação especializada nem sempre é imediato.

“Muitas vezes percebemos que há profissionais que desconhecem até o próprio conceito de gerontologia. Isso levanta questões sobre a preparação existente para lidar com os desafios do envelhecimento”, observou.

MANUAL PODERÁ CHEGAR A INSTITUIÇÕES DE TODO O PAÍS

O trabalho desenvolvido pelas jovens deverá agora ganhar uma nova dimensão, com a transformação do manual em livro, permitindo a sua distribuição por instituições que prestam apoio a pessoas com deficiência em todo o território nacional.

Para o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Duarte Fernandes, o projeto representa uma importante ferramenta de apoio à formação e qualificação dos profissionais da área social.

“Este manual pode constituir uma base sólida para a formação de futuros profissionais e para o aperfeiçoamento daqueles que já trabalham no terreno. É um instrumento que acrescenta valor e conhecimento a quem diariamente cuida de pessoas com necessidades específicas”, afirmou.

O responsável destacou ainda a crescente diversidade das equipas das instituições sociais, referindo que uma parte significativa dos colaboradores contratados nos últimos anos é oriunda de outros países, tornando ainda mais relevante a existência de materiais de apoio claros e acessíveis.

A iniciativa das duas estudantes do Instituto Politécnico de Bragança surge como um exemplo de inovação académica aplicada às necessidades reais da comunidade, contribuindo para uma resposta mais qualificada, inclusiva e humanizada aos desafios colocados pelo envelhecimento da população com deficiência.

Num contexto em que a longevidade aumenta e as exigências dos serviços sociais se tornam cada vez mais complexas, o manual desenvolvido em Bragança poderá tornar-se uma referência nacional numa área ainda pouco explorada, mas de crescente importância para o futuro da intervenção social e gerontológica.

Jornalista: Paulo Silva Reis com Lusa
Foto: DR

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