domingo, 14 de junho de 2026

Responso a Santo António

Por: Fernando Calado
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


 Bem queriam os de Pádua que fosses o seu Santo António… mas tu, meu Santo Antoninho, és Santo António de Lisboa… Santo António de Portugal… das marchas populares… da sardinha assada… dos bairros engalanados… dos casamentos… do amor… da santidade!

… Meu Santo António… Fernando, como eu… que orgulho! Meu franciscano… santo da minha devoção… tão milagroso… pregavas em Itália e, ao mesmo tempo, estavas em Lisboa, a defender o teu pai, condenado à morte… o dom da ubiquidade… doutor da Igreja… pregador que arrastava multidões… os homens não te queriam ouvir, pregavas para os peixes, que vinham à tona da água… silenciosamente… num imenso cardume, encantados com o teu sermão…

… Meu Santo Antoninho… meu Fernandinho… com apenas 36 anos regressaste à casa do Pai, para descansar da longa caminhada… pelas chagas de São Roque… pelos 40 dias de jejum no deserto… pelos santos mártires… pela estrela d’alva… por Santo Agostinho… São Boaventura… Santo Anselmo… Platão e Aristóteles… te faço este responso, para que protejas Portugal… protejas o Nordeste Transmontano… o povo do Nordeste… que morre paulatinamente…

… Os homens não travam esta morte anunciada… e entardece!

Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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