segunda-feira, 8 de junho de 2026

UM POEMA QUE ME COMOVEU

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Acabo de ler o: " Poema do Tio-avô Materno" de António Gedeão, que muito me comoveu. Não pela inefável beleza, escrito por mão de Mestre, mas pelo sublime gesto do antepassado, que o poeta não conhecera, mas que lhe servira de - exemplo, carinho e bondade, nobres predicados, que germinaram no coração do menino Gedeão.

Não resisto a não o transcrever, na esperança dos leitores mais sensíveis, também se enterneçam, e certifiquem - que a educação e os bons exemplos não se transmitem só pelos livros, mas sim pelo procedimento de familiares, mesmo falecidos:

POEMA DO TIO-AVÔ MATERNO

"Num dia sufocante, e intensíssimo calor,
Encontrei, ao regressar da escola,
um passarinho quase sem vida, caído na rua,

Levantei-o do chão, perante olhares indiferentes,
anichei-o nas mãos em concha,
e trouxe-o para casa.

Meti-lhe, pela goela, gotas de água, com a pepita dum frasco de remédio,
dirigi-lhe palavras carinhosas que ele pareceu entender,
e mal o achei melhor, abri-lhe as mãos e dei-lhe a liberdade.

Todos me cumprimentaram, pelo bom coração que assim revelei,
Todos cumprimentaram a minha mãe, pela boa educação que me soube
dar, todas as visitas me deram palmadinhas no rosto,
e fui apontado aos meninos maus das visitas,
como um exemplo edificante que todos deviam seguir.

Eu sorria-me, porque me lembrava de ter ouvido contar
que meu tio-avô materno, que não cheguei a conhecer,
também um dia encontrara passarinho na rua,
e fizera o mesmo que eu fiz.

António Gedeão
in" Poemas Póstumos"

A verdadeira educação é a da alma; que não vem nos livros de psicologia, e menos ainda em manuais de etiqueta. Mas no exemplo, que os pais, ao longo da vida, inculcam – pela correta conduta quotidiana.

Palavras grosseiras e torpes; deploráveis gestos; ausências de respeito; violência inclassificável, que as famílias imputam à coletividade, é quantas vezes, falta de atitudes sublimes: de educadores, e mormente, da classe política e jornalística, pela relaxação, que patenteiam, através dos órgãos de informação, em que são responsáveis, e de pais, indignos de tal nome, que não sabem ou não querem transmitir, bons e sadios hábitos.

Pelo desregramento voluntário ou involuntário, que alguns jornalistas divulgam, em textos e fotos, ainda que não o desejem, podem se tornar " filhos da geena"


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

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