domingo, 2 de agosto de 2026

7 eventos do céu nocturno para observar em Agosto

 Este mês traz-nos um elenco excepcional de eventos celestiais, com alinhamentos raros, meteoros brilhantes e eclipses dramáticos iluminando o céu.

Lorenzo Di Cola/ NurPhoto, Getty Images - A lua cheia do “esturjão” ergue-se atrás do castelo de Rocca Calascio e da Igreja de Santa Maria della Pietà, na cidade italiana de Rocca Calascio. A lua cheia de Agosto coincide com um eclipse lunar quase total.

Os observadores celestes esperaram o ano inteiro por este Agosto recheado de acção – um mês com um excepcional eclipse solar total visível sobre uma faixa da Europa e condições quase perfeitas da chuva de meteoros das Perseidas.

E isso é apenas o começo. Os céus nocturnos de Agosto exibirão ainda agrupamentos de planetas, um segundo eclipse e uma Lua cheia.

Saiba como desfrutar ao máximo dos eventos celestes deste mês, incluindo para onde olhar – e quando.

Todo o mês de Agosto: Agrupamento de planetas antes da alvorada 

O oitavo mês do ano traz-nos um desfile planetário matinal, com Marte, Úrano, Saturno e Neptuno visíveis durante várias horas antes do nascer do Sol. Precisará de um telescópio ou de uns bons binóculos para ver Úrano e Neptuno. Cerca de uma hora antes de o Sol nascer, Mercúrio e Júpiter juntam-se ao espectáculo mesmo acima do horizonte a nascente.

Para desfrutar da melhor vista, saia na noite de 4 de Agosto para ver a Lua e Saturno viajarem juntos: estarão visíveis pouco depois do pôr do Sol. Poucos antes de o Sol nascer entre os dias 8 e 11 de Agosto, começa outro espectáculo: um alinhamento planetário sobre o horizonte a nascente, com Júpiter, Mercúrio, Marte e a Lua a formarem uma linha diagonal. É uma representação visual da eclíptica – o plano que todos os planetas seguem ao orbitar o sol.

2 de Agosto: Mercúrio na sua maior elongação ocidental 

O veloz Mercúrio costuma estar demasiado perto do Sol para ser fácil de detectar. No dia 2 de Agosto, a vista melhora quando o planeta atinge a sua maior elongação ocidental, ou seja, a maior separação aparente do Sol. O momento coincide perfeitamente com o desfile planetário matinal de Agosto. Fique atento ao planeta veloz, que se junta a muitos outros dos nossos vizinhos interstelares, nas horas que antecedem a alvorada – sobretudo no início do mês.

BABAK TAFRESHI, National Geographic Image Collection - Uma imagem composta de dia-e-noite mostra um eclipse solar total sobre as montanhas de Grand Teton e do Lago Solitude, no estado americano do Wyoming. O eclipse solar total deste ano será visível ao longo de uma faixa estreita desde a Gronelândia a Espanha.

12 de Agosto: Eclipse solar total

Em meados deste mês teremos o tão aguardado eclipse solar total. Esta maravilha, que ocorre quando a Lua se desloca entre a Terra e o Sol, trará um crepúsculo temporário à estreita faixa de totalidade da Europa, que inclui sobretudo a região oriental da Gronelândia, a região ocidental da Islândia e o norte de Espanha, onde a totalidade – quando a Lua cobre toda a nossa estrela brilhante – ocorrerá ao fim da tarde e durará entre um e pouco mais de dois minutos. Mas não só: em Portugal, o eclipse também será visível na totalidade numa estreita faixa do nordeste transmontano, nas proximidades de Bragança e do Parque Natural de Montesinho.

Não se esqueça de garantir a sua segurança observando o eclipse com uns óculos especiais.

12-13 de Agosto: Pico da chuva de estrelas das Perseidas 

As Perseidas são um evento essencial da observação celeste estival e, neste ano, vão dar um espectáculo fabuloso. O pico da chuva de meteoros, a 12-13 de Agosto coincide com uma Lua nova, o que significa que a Lua não obstruirá o espectáculo das Perseidas. Com o céu escuro, poderá ver mais de 100 meteoros por hora. As Perseidas são conhecidas pelo seu rasto excepcionalmente luminoso – o traço que segue a rocha espacial quando esta atinge a nossa atmosfera superior. A melhor altura para observar é entre a meia-noite e o nascer do Sol.

Alan Dyer/VWPics, Redux - Dezenas de meteoros das Perseidas rasgam o céu nocturno sobre o parque Dinosaur Provincial Park, em Alberta, no Canadá, durante a chuva de meteoros anual no dia 12 de Agosto de 2023. Neste ano, o pico das Perseidas ocorrerá em céus escuros e sem luar, proporcionando as melhores condições dos últimos anos.

27-28 de Agosto: Eclipse lunar quase total 

Na noite de 27 para 28 de Agosto, se as condições meteorológicas o permitirem, Portugal poderá observar um eclipse lunar parcial muito profundo, durante o qual a sombra da Terra cobrirá cerca de 96% do disco da Lua cheia.

Embora não se trate de um eclipse lunar total – e, por isso, a Lua não adquira a característica tonalidade avermelhada de uma Lua de Sangue –, a parte eclipsada poderá apresentar um subtil brilho alaranjado ou acobreado, resultado da luz solar refractada pela atmosfera terrestre. A Lua estará visível no horizonte sudeste ao início da noite e o eclipse poderá ser acompanhado durante várias horas, atingindo o seu ponto máximo já na madrugada de 28 de Agosto. 

28 de Agosto: Lua cheia do “esturjão” 

Embora a noite de 27 para 28 de agosto seja a mais indicada para observar o eclipse lunar parcial que acompanha esta fase, também valerá a pena contemplar o nascer da Lua após o pôr do Sol do dia 28 de Agosto, quando surgirá no horizonte com um aspecto particularmente brilhante e majestoso. Esta Lua cheia é conhecida como Lua cheia do “Esturjão” devido à proliferação de esturjões nos Grandos Lagos e no Lago Champlain, situado no Nordeste dos EUA, segundo o The Old Farmer’s Almanac.

30-31 de Agosto: A Lua aproxima-se de Saturno

A Lua encerra este mês cheio de emoções com a aproximação de Saturno na noite de 30 para 31 de Agosto. A dupla aparecerá separada por cinco graus, cerca de três dedos. Veja-os subir juntos no céu no horizonte a nascente cerca de duas horas depois do pôr do Sol. O par viajará junto ao longo da eclíptica durante a noite, desaparecendo quando o Sol nascer. O resto do desfile planetário deste mês seguirá no seu encalce, incluindo Marte e Júpiter, que serão os planetas mais visíveis a olho nu.

Artigo publicado originalmente em inglês em nationalgeographic.com.

Stephanie Vermillion
Actualizado a 1 de agosto de 2026

Sem comentários:

Enviar um comentário