sábado, 29 de agosto de 2026

GNR ALERTA PARA BURLAS COM “FALSOS ACIDENTES” QUE JÁ LESARAM VÍTIMAS EM MAIS DE 72 MIL EUROS

 BURLAS DOS “FALSOS ACIDENTES” JÁ LESARAM PORTUGUESES EM MAIS DE 72 MIL EUROS


GNR alerta para esquemas que visa sobretudo condutores mais velhos

Em apenas seis meses, foram registadas 30 denúncias em todo o país, mais 15,4% do que no mesmo período de 2025. Um único caso provocou um prejuízo de 15.450 euros. No distrito de Vila Real foi registada uma ocorrência.

Um acidente que nunca aconteceu pode estar na origem de uma burla que está a ganhar expressão em Portugal e que já provocou 72.540 euros de prejuízo às vítimas apenas nos primeiros seis meses de 2026.

O alerta é da Guarda Nacional Republicana (GNR), que chama a atenção para a crescente sofisticação das burlas através da simulação de acidentes de viação. Entre janeiro e junho deste ano foram apresentadas 30 denúncias em território nacional, contra 26 no mesmo período de 2025, o que representa um aumento de 15,4%.

Os números revelam ainda outra realidade preocupante: em apenas meio ano, o prejuízo acumulado já se aproxima dos 77.480 euros registados durante todo o ano de 2025. E, em 2026, o caso mais grave conhecido pela GNR resultou numa perda de 15.450 euros para uma única vítima.

Entre os distritos com ocorrências registadas este ano encontra-se Vila Real, com um caso no primeiro semestre. Faro lidera a lista, com seis denúncias, seguindo-se Lisboa, Porto, Viseu e Beja, com três ocorrências cada.

O ACIDENTE É INVENTADO. A PRESSÃO É REAL

O esquema começa habitualmente com uma abordagem convincente. Os suspeitos fazem o condutor acreditar que esteve envolvido numa colisão, apontando para alegados danos no veículo e atribuindo-lhe a responsabilidade pelo suposto acidente.

A partir daí, começa a pressão.

O objetivo é convencer a vítima a pagar imediatamente pelos danos alegadamente provocados, muitas vezes sob o argumento de que assim evita a intervenção das autoridades ou problemas com a seguradora.

É precisamente neste momento que a GNR recomenda que os condutores não cedam à pressão.

Não deve ser efetuado qualquer pagamento imediato no local.

Os burlões podem recorrer a dinheiro ou a terminais de pagamento portáteis, procurando transformar rapidamente uma situação aparentemente banal num prejuízo financeiro significativo.

O PERIGO PODE CHEGAR À CONTA BANCÁRIA

A burla pode não terminar com o pagamento exigido.

Segundo a GNR, existem situações em que os suspeitos acompanham as vítimas até caixas multibanco ou procuram obter diretamente os seus dados bancários. Alguns chegam a observar o código PIN, podendo posteriormente proceder à utilização indevida do cartão.

Em determinados casos, os burlões conseguem ainda trocar o cartão bancário da vítima por outro semelhante, ficando na posse do cartão verdadeiro e do respetivo código. O resultado pode ser a realização posterior de levantamentos ou outras operações não autorizadas.

CONDUTORES COM MAIS DE 60 ANOS ENTRE OS PRINCIPAIS ALVOS

A GNR alerta particularmente para a escolha de condutores com mais de 60 anos.

Os autores deste tipo de crime procuram explorar a vulnerabilidade emocional das vítimas, o receio de consequências legais e a vontade de resolver rapidamente uma situação que acreditam ser da sua responsabilidade.

É uma estratégia baseada precisamente na pressão: criar a sensação de que é necessário pagar naquele momento para evitar um problema maior.

Mas é aí que os especialistas aconselham a fazer exatamente o contrário: parar, desconfiar e chamar as autoridades.

O QUE FAZER PERANTE UMA SITUAÇÃO SUSPEITA?

A GNR recomenda que, perante um acidente ou uma alegada colisão, os condutores: Não efetuem pagamentos imediatos no local; Protejam os cartões, códigos PIN e restantes dados bancários; Fotografem os veículos, os danos e o local da ocorrência; Recolham os dados e a documentação da outra parte; Preencham a declaração amigável ou contactem a seguradora; Contactem imediatamente as autoridades perante qualquer comportamento suspeito.

A recomendação é especialmente importante quando alguém tenta impedir a participação do acidente, pressionar para um pagamento imediato ou conduzir a vítima até um multibanco ou terminal de pagamento.

Perante uma emergência ou perigo imediato, deve ser contactado o 112.

Os dados agora divulgados pela GNR deixam uma conclusão clara: o “falso acidente” já não é uma burla de pequena dimensão. Em seis meses, foram 30 denúncias e mais de 72 mil euros perdidos. E, num único caso, a vítima ficou com um prejuízo superior a 15 mil euros.

Depois de um acidente, verdadeiro ou alegado, ninguém deve decidir sob pressão. Fotografar, identificar, participar e contactar as autoridades pode fazer a diferença entre resolver um acidente e cair numa burla.

Jornalistas: Paulo Silva Reis e Vitória Botelho
Foto: DR

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