segunda-feira, 24 de agosto de 2026

... quase poema...ou da nossa horta

Por: Fernando Calado
(Colaborador do Memórias...e outras coisas...)


Maternalmente. A paz ainda é possível. A vida renasce na longa pradaria. As cigarras amaciam a tarde do planalto. E a aldeia anima-se. De novo o vizinho albarda a burra, junge as vacas e vai à sua vida. Campos lavrados. Infindos... 

E as memórias são o novelo que se desenrola nos dedos da circunstância e do acaso. 

...se não estudas vais aprender a sapateiro com o teu tio Aníbal! 

...desgraçadamente estudei, mãe! E aprendi coisas que não servem para nada. 

...a terra anda e o sol está parado! Galileu lunático e temeroso da inquisição!... e eu todos os dias vejo um sol magnífico e esplendoroso caminhar vagaroso... vermelho... poderoso para recato da serra de Nogueira onde habita... minha nossa senhora da Serra.!

...se fosse sapateiro  talvez os meus clientes dissessem: - o Calado é que faz uns sapatos bons e bonitos!

...estudei mãe e as palavras às vezes pesam-me neste sentimento profundo da inutilidade. 

...a nossa horta de Valeguimbra era tão fresca, tinha um poço e a nossa burra era tão mansa! 

...saudades... se puderes fica pertinho e diz-me uma coisa bonita!


Fernando Calado
nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

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