quarta-feira, 23 de setembro de 2026

BIENAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA VAI PERCORRER OS 9 MUNICÍPIOS DAS TERRAS DE TRÁS-OS-MONTES ENTRE OUTUBRO E DEZEMBRO.

 160 artistas, 14 exposições ligam 9 concelhos num projeto de descentralização cultural. Alfândega da Fé será o primeiro concelho a acolher a Bienal, a 1 de outubro.


A Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) promove, entre outubro e dezembro, a Bienal de Arte Contemporânea das Terras de Trás-os-Montes - Linha da Terra. Um projeto cultural de dimensão intermunicipal que reúne 160 artistas e 14 exposições, distribuídas pelos nove concelhos que integram a CIM-TTM.

Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais passam a integrar uma mesma rede artística e cultural, 

Pela primeira vez, os nove concelhos são integrados numa programação comum, construída em rede e distribuída por diferentes espaços culturais do território. Ao longo de três meses, a “Linha da Terra” percorre os nove concelhos, ocupa diferentes espaços culturais e aproxima artistas, curadores, instituições e comunidades.

O projeto “procura estabelecer relações entre a criação contemporânea e o território, valorizar os equipamentos culturais existentes, promover a circulação de públicos e o acesso à cultura”, adianta o comunicado da CIM-TTM.

Num território de interior e de baixa densidade, esta dimensão “assume particular relevância”, acrescenta a nota.

A Bienal insere-se numa estratégia de “descentralização cultural”, procurando criar condições para que a criação e a fruição artística contemporâneas aconteçam também fora dos grandes centros urbanos e cheguem a novos públicos.

É neste princípio que assenta a Bienal: “na convicção de que o acesso à cultura não deve ser determinado pelo lugar onde se vive.  e de que a cultura pode funcionar como elemento de ligação entre pessoas e lugares, integrando uma estratégia mais ampla de coesão territorial e desenvolvimento das Terras de Trás-os-Montes”.

160 artistas 

A iniciativa reúne artistas de diferentes gerações, percursos e geografias, cruzando nomes de referência da arte portuguesa com criadores contemporâneos nacionais e internacionais.

Com direção artística de Inês Falcão, a Bienal desenvolve-se a partir de diferentes projetos curatoriais, reunindo nomes com percursos reconhecidos na criação, curadoria, investigação e direção de instituições artísticas: Ágata Rodrigues, Cabral Pinto, António Meireles, Natália Fauvrelle, Jorge da Costa, Rui Ferro, Marta Lima, Domingos Loureiro, Carlos Costa, Jacinta Costa, Jaime Silva, Ana Barroco, Alexandra Silvano, Felícia de Sousa e Agostinho Santos. 

A diversidade de olhares curatoriais acompanha a própria natureza intermunicipal do projeto: “cada exposição afirma uma identidade e uma proposta próprias, integrando-se, simultaneamente, numa programação comum à escala das Terras de Trás-os-Montes”, explica a CIM-TTM.

A Bienal conta ainda com uma rede de parceiros que integra o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, o Laboratório de Artes na Montanha Graça Morais, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira, o Museu Abade de Baçal, o Museu do Douro e a Sociedade Nacional de Belas Artes, alargando as relações do projeto com instituições ligadas à criação, investigação, preservação e divulgação artística.

A programação expositiva será acompanhada por atividades educativas, visitas orientadas, conversas, oficinas e outras iniciativas de aproximação entre artistas, obras e comunidades, procurando prolongar a relação entre as exposições e os diferentes públicos do território.

A Bienal arranca a 1 de outubro, em Alfândega da Fé, seguindo-se um calendário de inaugurações que percorre, por ordem alfabética, os restantes concelhos. 

Artigo escrito por Fernando Pires
(jornalista)

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