segunda-feira, 7 de setembro de 2026

COMO OS HOMENS FAZEM SUAS MEDIDAS

Por: Humberto Pinho da Silva 
(Colaborador do "Memórias...e outras coisas...")


 Lembra-nos os "Apólogos Dialogais", de D. Francisco Manuel de Melo, uma grande verdade, mas poucas vezes dita:

Andava em alvoroço e sobressaltada, a gente alojada nas costas do Reino - porque havia misero pirata, que infestava, a costa macedónica, com duas pequenas barcas, movido a remos. Até que janízaros o arrastaram à presença do Grande Alexandre,

Na presença de Sua Majestade, o pobre corsário, tremia e temia, receando severo castigo. Porém, movido de coragem, empertigou-se, e de voz macia e segura, respondeu-lhe às ásperas injurias de Sua Majestade. Transcrevo as próprias palavras do nosso insigne clássico, conservando o sabor e a elegância da sua sublime prosa:

- Tá, tá, senhor Alexandre! Não me trates, que tu e eu, ambos temos um próprio ofício, mas com tal diferença: que a ti, porque roubas o mundo cercado de exércitos, te saúdam as gentes por monarca, e a mim, que com poucos companheiros faço pequenos danos, me infamam de corsário."

E Manuel de Melo, remata: " Eis aqui como os homens fazem suas medidas! "

Este texto merece reflexão ponderada:

Se cai nas teias da justiça, grande senhor, este, apresenta-se aos magistrados, acobertado de juristas experientes, que com presteza, conseguem que saia ileso ou, pena reduzida.

Mas, se o larápio inculto, que nunca topou oportunidade, ou por ser fraco de inteligência e de memória, assalta galinheiro, e não sendo ligeiro, como lebre, foi apanhado nas malhas da justiça.

Este, sofre sentença impiedosa, que sirva de exemplo, para os demais. 

Recordo o hábil chefe, que era benévolo para prevaricadores, e validos dos diretores; e cruel, para servidores humildes. E dizia – se lhe pediam razão. - É necessário dar exemplo...


Humberto Pinho da Silva
nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG” e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

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