quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Constituição da República Portuguesa traduzida em mirandês

 A Constituição da República Portuguesa ganha uma nova versão, agora traduzida em mirandês.


A nova edição vai ser apresentada no dia 17 de setembro, data em que se assinala o Dia da Língua Mirandesa.

A tradução, desenvolvida ao longo de vários meses, inclui o texto constitucional de 1976 e as sete revisões da Constituição, num trabalho de adaptação jurídico-linguística.

Segundo o comissário da Estrutura de Missão para a Promoção da Língua Mirandesa, Alfredo Cameirão, a tradução da Constituição é da responsabilidade da Associação da Língua e Cultura Mirandesa, com publicação a cargo da Assembleia da República:

“Este é um momento bastante simbólico: a chegada da língua mirandesa ao nosso texto legal fundamental. Do ponto de vista simbólico, é um momento muito importante também, porque é a colocação da língua mirandesa no patamar legal mais alto da República Portuguesa.”

Para a presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Helena Barril, este é um momento que deve ser vivido com orgulho:

“Esta situação de chegarmos a este patamar tão nobre para a língua mirandesa, que é a tradução da Constituição da República Portuguesa, a lei fundamental do país, é algo que tem que nos encher a todos de orgulho.”

Mas as celebrações não ficam pela Constituição.

A iniciativa integra um programa comemorativo com início a 17 de setembro. No dia 18, será apresentada a tradução para mirandês do livro “O Nosso Reino”, o primeiro romance de Valter Hugo Mãe, numa tradução de Alcides Meirinhos.

As celebrações prosseguem entre os dias 25 e 27 de setembro, com a Festa das Línguas, em Picote:

“Decorrerá a Festa das Línguas, em Picote, com a reunião de várias entidades e várias organizações que, de uma forma ou de outra, estão ligadas à promoção, defesa e divulgação das línguas minoritárias, ibéricas, europeias, essencialmente portuguesas e espanholas.

Aí decorrerão também várias atividades, com teatro em mirandês, música em mirandês, debates, palestras e apresentações de livros.”

Mais do que celebrar uma língua, estas iniciativas procuram garantir que o mirandês continua a ser falado, escrito e transmitido às novas gerações.

Para Alfredo Cameirão, esse papel começa em cada falante:

“A primeira coisa que cada mirandês, a título individual, pode fazer para promover e defender a língua mirandesa é, desde logo, utilizá-la, portanto, falá-la e escrevê-la em todas as oportunidades que tiver.”

Uma responsabilidade que Helena Barril associa também à identidade e ao futuro do território:

“Nós temos a obrigação de a preservar, de a valorizar e de a promover, para que nos continuemos a afirmar como um território, não só nesta área geográfica que somos e que nos orgulhamos de ser, mas também na potencialidade que temos de ir mais além e mostrar aquilo que somos.”

A língua mirandesa é reconhecida por lei desde 1999 e continua a ser uma das principais marcas identitárias do Planalto Mirandês.

Em Miranda do Douro, setembro é o mês de celebrar o mirandês, uma identidade que procura afirmar-se no presente para continuar a fazer parte do futuro da Terra de Miranda.

Fotografia: Município de Miranda do Douro

Filipe Ventura Alves

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