quinta-feira, 1 de outubro de 2026

BRAGANÇA E VILA REAL ENTRE OS DISTRITOS COM MAIS IDOSOS VULNERÁVEIS SINALIZADOS PELA GNR

 A GNR identificou, em 2025, 4.191 idosos em situação de vulnerabilidade no distrito de Bragança e 5.167 no distrito de Vila Real. A nível nacional, foram sinalizadas 43.074 pessoas idosas que vivem sozinhas, isoladas ou em condições suscetíveis de colocar em risco a sua segurança. A operação “Censos Sénior 2026” decorre até 15 de novembro.


A solidão, o isolamento e a exposição a burlas e outros crimes continuam a representar desafios para a segurança da população idosa em Portugal, com particular expressão nos distritos de Bragança e Vila Real. A Guarda Nacional Republicana (GNR) iniciou esta quinta-feira, 1 de outubro, a operação “Censos Sénior 2026”, que pretende identificar pessoas em situação de vulnerabilidade e reforçar a prevenção junto das comunidades.

Os números da edição de 2025 colocam os dois distritos transmontanos entre aqueles com maior número de idosos sinalizados. Em Bragança, a GNR identificou 4.191 pessoas em situação de vulnerabilidade, enquanto no distrito de Vila Real o número ascendeu a 5.167.

No conjunto, são 9.358 idosos sinalizados nos dois distritos, um retrato da dimensão do trabalho de proximidade necessário para acompanhar quem vive sozinho, se encontra isolado ou apresenta limitações físicas, psicológicas ou de outra natureza que possam comprometer a sua segurança.

A operação decorre em todo o território nacional até 15 de novembro e integra o trabalho de policiamento comunitário desenvolvido pela GNR, no âmbito do programa “Apoio 65 – Idosos em Segurança”, promovido pelo Ministério da Administração Interna.

A iniciativa não se limita à identificação e ao registo geográfico das pessoas idosas em situação de risco. A GNR pretende também reforçar a sensibilização para comportamentos de autoproteção, alertando para ameaças como burlas, o chamado “conto do vigário”, furtos em residências e situações de violência.

O trabalho no terreno inclui igualmente a prevenção de comportamentos de risco associados ao consumo de álcool, o combate ao isolamento social, a identificação de cuidadores informais e a promoção de uma utilização mais segura da internet.

A proximidade com as populações permite às forças de segurança conhecer melhor as condições em que vivem os idosos, identificar necessidades e reforçar os canais de contacto e confiança com as comunidades.

Desde o lançamento da primeira edição dos “Censos Sénior”, em 2011, a GNR tem vindo a atualizar o levantamento das pessoas idosas que necessitam de acompanhamento, procurando contribuir para a sua proteção e para a prevenção de situações que coloquem em causa a sua integridade e segurança.

MAIS DE 7.600 CRIMES CONTRA IDOSOS ENTRE JANEIRO E AGOSTO

Os dados relativos à criminalidade registada pela GNR entre janeiro e agosto de 2026 reforçam a importância das medidas de prevenção. Durante esse período, foram contabilizados, na área de responsabilidade da Guarda, 2.720 crimes de burla contra idosos, 4.545 furtos e 417 roubos.

No mesmo intervalo, a GNR deteve uma pessoa pela prática do crime de burla, 48 por crimes de furto e 20 suspeitos por crimes de roubo.

Os números dizem respeito ao conjunto da área de responsabilidade da GNR e não estão discriminados, na informação divulgada, por distrito.

Durante a operação de 2025, a GNR realizou 328 ações de sensibilização em sala e 2.338 ações porta a porta, que abrangeram um total de 35.143 pessoas idosas.

A estratégia passa por levar informação diretamente às populações, esclarecer dúvidas e divulgar medidas preventivas adaptadas aos riscos enfrentados por quem se encontra numa situação de maior fragilidade.

Com o arranque da edição de 2026, a Guarda volta a apostar numa abordagem de proximidade, procurando não só identificar situações de vulnerabilidade, mas também prevenir crimes, reduzir o isolamento e reforçar a segurança dos cidadãos mais velhos.

Em Trás-os-Montes, onde Bragança e Vila Real registaram, em conjunto, mais de 9.300 idosos sinalizados na operação anterior, este acompanhamento assume particular relevância na proteção de quem vive sem apoio próximo ou enfrenta dificuldades acrescidas no quotidiano.

Jornalista. Paulo Silva Reis
Foto: DR

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