sábado, 8 de fevereiro de 2014

Meu Querido Amigo...

Já estava mais para lá do que para cá. Mas a mania de não encerrar o computador sem dar um salto ao e-mail, já me despertou.
Um e-mail, que em meia dúzia de linhas me fez despertar e arreganhar os dentes e… deu-me vontade de escrever um bocadinho.
Não é daqueles e-mails que vos envio, com todo o cuidado em apagar os endereços todos para não ser mais um a ajudar à proliferação dos spams e dos vírus. Não, não era desses.
Era um dos outros. Era um daqueles em que lemos o que o do outro lado esteve a escrever.
Apetecia-me agora perguntar aos donos do mundo se têm a noção do MAL que estão a fazer ao PROIBIR, o acesso ao trabalho aos nossos jovens. Apetecia-me agora perguntar a todos nós e, eu a olhar para o espelho, se temos a noção do MAL que estamos a fazer ao permitirmos que pessoas com CANCRO e outras doenças fatais sejam obrigadas a deslocar-se para o local de trabalho de rastos, sem motivação, sem nadaaaa poderem dar no local de trabalho. Apetecia-me perguntar porque razão se continuam a abrir cursos que, se sabe de antemão, não proporcionarem mercado de trabalho. Apetecia-me perguntar porque razão é mais importante na nossa sociedade uma família cigana com metade dos elementos jovens e cheios de força e braços para trabalharem, do que os outros que, tiraram um curso qualquer, sabe Deus, com que esforço dos Pais e estão condenados ao desemprego e aos vícios.
Que sociedade estamos a ajudar a criar e desenvolver?
O e-mail, fez-me reflectir, mais uma vez, na merda da espécie que somos. Uma ínfima e triste espécie.
Mas somos isto mesmo e todos sabemos.
E então que fazer? Caminhar. Relativizar as pequenas coisas às quais não deveriamos dar importância nenhuma, ou quase nenhuma, e deixarmos um rasto onde os que cá ficassem nos pudessem rever. Um rasto indelével nas nossas pisadas, com erros, falhas e méritos, com asneiras e arrependimentos mas, acima de tudo que, os que ficarem depois de nós possam dizer que andámos por cá a fazer alguma coisa...de bom…ou de mau, já duvido dos objectivos.
E cá estaremos para o que der e vier até nos deixarem...ou nós quisermos.




HM

4 comentários:

  1. E é precisamente por sermos "uma ínfima e triste espécie" que urge dar o devido valor às grandes pessoas que vamos conhecendo ao longo desta nossa caminhada, sem nos preocuparmos em demasia com o que os outros pensam ou não, daquilo que nos apraz dizer sobre as mesmas.

    E tu, meu caro amigo, pelo pouco que pude apreciar em meia dúzia de conversas virtuais, és uma delas.

    Este teu espaço em nada me surpreende, esperava encontrar algo de nível excelente, e não estou desiludido.

    Seja o cântico negro (o meu poema favorito, de todos os escritos na língua de Camões), ou "o fim" (outro dos meus favoritos, extraordinariamente declamado/musicado, na voz de Olavo Bilac, no tempo dos saudosos Resistência), as causas ambientais, de defesa dos animais, tudo coincide com a pessoa que demonstras ser na nossa mui amada comunidade suequeira online.

    E fazem falta pessoas que divulguem, com esta qualidade, a nossa região, tão precisada de gente capaz de a tirar deste crise tão profunda que atravessa. Esperança, procura-se.

    Um grande abraço.

    [iniciadoPt]

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  2. Como é óbvio, não esperas que eu comente o teu escrito, da maneira como o escreveste...
    Bem-vindo.
    Grande abraço companheiro!

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  3. Concordo, subscrevo e mais ainda... excelente AMIGO e um HOMEM EXTRAORDINÁRIO.
    Chego tarde mas chego, conforme me disseram ha bem pouco tempo mais vale tarde que nunca e como tal, agora devo manter-me por estes lados.
    Beijos a todos
    Pat

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  4. Bem-vinda a este espaço, Pat e, grato pelas palavras.
    Venha daí a tua colaboração.
    Beijo.

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