domingo, 5 de julho de 2015

A ronda das feiticeiras

Local: Vilas Boas, VILA FLOR, BRAGANÇA
Informante: Maria de Lurdes Dionísio Ala (F), 61 anos


O meu tio-avô tocava muito bem bandolim. Uma noite, a certa altura da madrugada, foram lá chamá-lo, à casa onde ele morava, em Meireles. 
— Ó António Fraga, anda à ronda! 
E ele foi. Foi à ronda. E andaram a tocar pelas ruas. E depois levaram-no para um ribeiro, o ribeiro do Olival da Porta, lá em Meireles, deram-lhe tanta porrada, tanta porrada... e deixaram-no lá. Mas aquilo era um ribeiro muito fundo, que ninguém dava lá com ele. Então ele, depois... muito mal, muito mal, começou a gemer, a gemer, e as pessoas que passavam ali prós terrenos, sentindo gemer, foram ver e lá estava ele, o coitado, no fundo do ribeiro. Salvaram-no e trouxeram-no pra casa. Mas elas antes de o deixarem lá no ribeiro, ainda lhe disseram: 
— Se nos descobres, matamos-te! 
Depois, passados tempos, foram lá elas chamar outra vez: 
— Ó António Fraga, anda à ronda! 
E ele diz: 
— Não, não vou. Ide vós! 
E diz que era então uma chocalhada muito grande, muito grande...!

Fonte:PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro (Narrações Orais)

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