segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Há cada vez menos diferenciação no Azeite Transmontano

É cada vez menor a diversidade de azeitona cultivada na região de Trás-os-Montes.
Esta é a conclusão do engenheiro agrónomo António Monteiro que diz que o cenário ideal seria manter a diferenciação.

“O facto de uma variedade se estar a assumir como matriarca delas todas, naturalmente que vai alterar aquilo que era antigamente, assim como as novas tecnologias alteraram a má qualidade que antigamente se tinha nessa área. 

E é nisso que devemos ter cuidado e chamo a atenção para a utilização que cada produtor quer dar ao azeite e para que fim o quer vender: um azeite monovarietal ou uma marca com mais variedades, como acontecia tradicionalmente há 200 ou 300 anos, embora agora tecnicamente muito mais bem feitos. É aqui que está a diferenciação e o ganho dos agricultores.

Eu gostaria fosse marcada a diferenciação, isso é o ideal.”
Quando às bactérias e às consequências dos incêndios que ameaçam a azeitona, o engenheiro considera que tem sido feito um bom trabalho no sentido de informar os agricultores.

“São ameaças e os produtores, como estão avisados, estão naturalmente preparados para se defenderem delas, quer em termos de pragas quer em termos de problemas que têm a ver com os incêndios.

Os serviços oficiais e as associação estão a fazer um trabalho de divulgação e alerta fantástico a esse nível. Penso que as pessoas estão a ficar muito bem alertadas para que não aconteçam problemas de maior e possam atacar atempadamente.

Eu estou preocupado com a bactéria, não com a defesa a nível oficial e técnico.”
Declarações à margem das XX Jornadas de Balsamão, que aconteceram de quinta a domingo com o tema “Património Natural e Desenvolvimento Regional”.

Na sexta-feira também houve espaço para falar sobre a reativação das Minas de Moncorvo.

Do painel que abordou este tema fizeram parte Sofia Machado, empresária agrícola e Carlos d’Abreu, Geógrafo e Técnico Superior do Ministério da Educação, ele que falou da situação atual das minas, cuja reativação considera benéfica para o território.

“Segundo o que eu vou sabendo e a Sofia nos transmitiu hoje, de facto, está neste momento no terreno uma empresa, a MTI, com os direitos de concessão na sua posse e, portanto, aguardamos que o projeto seja viável porque somos da zona, da região, já vivemos aqui há alguns anos e ainda conhecemos o tempo em que aquelas minas estiveram ativas, no anos 80 encerraram e, desde então, defendemos e sonhamos com a sua reativação porque seria, de facto, um pólo importante para fixar gente e precisamos de pessoas em grande quantidade e emprego aqui para podermos viver.

Mas esperamos que as minas se reativem.”
Carlos d’Abreu que também é membro da direção do Centro Cultural de Balsamão (CCBAL), disse que, embora o objetivo das jornadas seja abordar questões relacionadas com a região, o envolvimento vai além-fronteiras.

“O foco principal destas Jornadas é a nossa região porque somos de cá e temos obrigação de defende-la. Mas estamos abertos a todas as questões que nos dizem respeito. Eu costumo usar um adjetivo: somos raianos porque vivemos perto da raia. Mas a raia é uma fronteira política, e, enquanto geógrafo, digo que a fronteira não é natural. O que acontece em ambos os lados tem sempre repercussão nas duas regiões.

O território, a região, as pessoas e os nosso conterrâneos merecem que nós, assim como outros grupos como nós, se preocupem, debrucem, chamem e convoquem uns aos outros para discutir estas questões.”
O presidente do CCBAL e pároco Basileu Pires, diz que a defesa do património é um problema sério e espera que as jornadas deste ano ajudem a sensibilizar a população para isso.

“Temos de fazer eco destas jornadas. Já que a participação é escassa temos de fazer eco deste acontecimento, principalmente através da comunicação social, para que se perceba que a defesa do património e do ambiente são problemas sérios.

Todos temos de colaborar, não é um problemas que afeta só os outros, não podemos olhar para o lado e continuar a viver com o pensamento de que não é um problema connosco.

Quero que isto chegue a todos e que se sinta que estamos todos no mesmo barco na defesa da casa comum, com diz o Papa Francisco.”
As XX Jornadas Culturais de Balsamão juntaram vários oradores durante quatro dias no Convento de Balsamão, em Chacim, Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

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