quinta-feira, 17 de julho de 2025

O silêncio das pedras. O caso do Castelo de Outeiro


 Foram realizadas escavações arqueológicas nas ruínas do Castelo de Outeiro, no concelho de Bragança. Com elas, vieram técnicos e movimento, promessas e expectativas. Investiram-se recursos públicos, dinheiro dos contribuintes, com a justificação de valorizar o património histórico e promover o desenvolvimento turístico da aldeia.

A comunidade acreditou. Sonhou com um futuro em que as ruínas ganhariam nova vida, atrairiam visitantes e trariam benefícios económicos e culturais à região. Mas depois das escavações… silêncio.

O que foi descoberto acabou por ser novamente enterrado. Nenhuma estrutura foi valorizada, nenhuma informação foi divulgada de forma consistente, e, acima de tudo, nunca mais voltaram.

A população sente-se defraudada. O património continua abandonado, a promessa de desenvolvimento turístico esfumou-se e o investimento parece ter sido enterrado com os vestígios históricos.

O conhecimento dos arqueólogos foi, certamente, valorizado e acrescentado.  Está plasmado em relatório. Mas para a população local, o abandono continua. Continuamos a ser apenas cobaias para satisfazer os interesses de gente de longe.

... "Eles comem tudo e não deixam nada"...

O que resta é uma pergunta que ecoa nas pedras do castelo: 

- Para quê escavar se não há vontade de preservar, partilhar e valorizar?

HM

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