sexta-feira, 19 de junho de 2026

Zanga entre enteada e filho leva madrasta a matar menina na serra

 Tudo aponta para crime premeditado. A madrasta, natural de Lamas de Podence (Macedo de Cavaleiros) seguiu a menina de oito anos no trajeto de autocarro até à escola e no momento em que se preparava para entrar no estabelecimento de ensino, invocando uma suposta consulta médica, a mulher avisou o funcionário de que iria com ela. Meteu-a no carro e só parou na serra da Padrela onde a matou, por asfixia.


A tragédia abateu-se sobre a pacata aldeia de Celeirós, no concelho de Valpaços, localidade onde residia a pequena Lara, uma menina de oito anos de idade, que terá sido morta, na manhã da passada quarta-feira, pela madrasta, por “asfixia mecânica”, que “ocultou e abandonou o corpo em zona florestal, na serra da Padrela, em Vila Pouca de Aguiar”, adianta a Polícia Judiciária (PJ) em comunicado.

Eulália Silva, de 48 anos, natural de Lamas de Podence (Macedo de Cavaleiros) que vivia com o companheiro, Carlos Gomes, de 43 anos, pai da Lara, terá confessado o crime na madrugada de ontem, depois de ter sido capturada pela PJ, em Macedo de Cavaleiros, e revelado o local onde se encontrava o cadáver.

Está “fortemente indiciada pela prática dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver”, acrescenta a PJ, revelando ainda que será presente a tribunal para primeiro interrogatório e aplicação das medidas de coação.

As motivações para este crime macabro não estão ainda totalmente esclarecidas. Porém, sabe-se que terá existido, dias antes, uma zanga, entre o filho de Eulália e a enteada e que o companheiro terá tomado partido pela filha (Lara), atitude que terá provocado uma acesa discussão entre o casal.

Esta zanga terá espoletado a vontade de vingança sobre a menina, para atingir o companheiro, levando Eulália a engendrar um plano para o dia seguinte.

Por volta das 07,00 horas, como era hábito, Lara entrou no autocarro para uma viagem de cerca de 20 minutos até à escola básica de Carrazedo de Montenegro, pertencente ao Agrupamento de Escolas de Valpaços, onde frequentava o terceiro ano.

Atrás do autocarro, seguia de automóvel a madrasta de Lara que na chegada ao estabelecimento de ensino terá informado um funcionário da escola de que a Lara não podia ir às aulas porque tinha uma consulta em Vila Real.

A menina entrou no carro e foi levada para uma zona florestal da serra da Padrela, já no concelho de Vila Pouca de Aguiar, onde a terá matado por “asfixia mecânica”, relata a PJ.

Ao que apurámos, após o alegado homicídio, Eulália Silva voltou para casa, em Celeirós, de onde ligou ao companheiro dizendo que iria separar-se de vez avisando-o que deixava as chaves de casa na caixa do correio.

No entanto, só ao final da tarde dessa quarta-feira, é que o pai de Lara começou a perceber que algo de anormal teria acontecido quando a sua filha não vinha no autocarro que todos os dias a trazia da escola.

Foi o próprio que avisou as autoridades do desaparecimento da filha e que tudo apontava para que a principal suspeita fosse a sua companheira.

A PJ de Vila Real foi acionada e acabou por deter a suspeita ao início da noite de quarta-feira. Foi já durante a madrugada que Eulália Silva confessou o crime e indicou o local deixou o corpo.

Relação conflituosa

Carlos e Eulália vivem juntos há cerca de cinco anos, numa relação marcada por conflitos que já tinha levado a uma separação, há cerca de dois anos, mas reconciliaram-se pouco depois.

Com o casal vivia Lara, filha de Carlos, fruto de uma relação anterior com uma mulher que reside também no concelho de Valpaços, de quem se separou há alguns anos. A pequena Lara ficou à guarda do pai e foi criada com a ajuda dos avós paternos, também residentes em Celeirós.

Eulália tem três filhos de um relacionamento anterior igualmente pautado por vários episódios de conflito, em Lamas de Podence. Um deles, está institucionalizado e periodicamente passa alguns dias com a mãe. O que aconteceu no passado fim-de-semana.

Na aldeia, poucos são os que querem dar a cara perante esta tragédia, mas não conseguem disfarçar uma enorme tristeza pela menina. “Ela andava sempre tão estimadinha. Era a menina dos olhos daquele pai”, conta uma vizinha. “Ninguém contava com esta tragédia. Para fazer isto, ela só pode ser o diabo em pessoa”, afirma outra moradora que não se quis identificar.

Carlos Costa é amigo de infância de Carlos Gomes. “Andamos a estudar juntos e só tenho a dizer bem dele. É uma joia de pessoa e não merecia isto”, afirma.

Fernando Pires

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