O Ministro da Educação participou na última sessão dos conselhos raianos, em que defendeu que a educação tem um papel fundamental para o desenvolvimento da região transfronteiriça.
Tiago Brandão Rodrigues considera que a cooperação nesta matéria entre os dois países pode contribuir para a coesão territorial na zona raiana.
“A sociedade civil diz-nos que temos de ir mais longe, sabemos que a fronteira soberana é acima de tudo simbólica neste momento e temos de conseguir construir as pontes para podermos articular, neste caso com Castilha e Leon, para podermos ter aqui também novas oportunidades e o ensino profissional tem aí um papel de relevo, todos sabemos que estes alunos do ensino profissional que tem a certificação académica e a certificação profissional, serão também os profissionais de amanhã independentemente de seguirem estudos universitários ou nos politécnicos. Mas terão a possibilidade de terem uma profissão e desenvolver estes territórios e poderem mover-se daqui para o outro lado da fronteira e sentir que do outro lado podem vir para este lado da fronteira e criar sinergias para que a coesão territorial possa ser uma realidade” referiu o governante.
Os dois países assinaram um acordo na última Cimeira Ibérica para que em Castela e Leão haja ensino do português nas escolas públicas e castelhano nas escolas do lado português, na região com que faz fronteira.
O conselheiro de educação do Governo autónomo de Castela e Leão, Fernando Rey, que também esteve este sábado, na Escola Profissional de Agricultura de Carvalhais, considera que esta é uma boa oportunidade para os alunos das zonas raianas.
“Estamos a trabalhar para melhorar a cooperação abrindo os centros de formação aos professores, a professores portugueses, para que se actualizem de forma conjura. E vamos tentar que em poucos anos os alunos da raia portuguesa e espanhola tenham estudos desde a primária à secundária para que quando concluírem saibam português e espanhol”, destacou.
Para Francisco Alves, o presidente da Rionor, a associação responsável por organizar estes conselhos raianos, o papel da escola no que respeita à inserção dos alunos na comunidade ainda enfrenta problemas. “Parece que há algumas limitações a esse nível se privilegia mais a educação intelectual do que profissional ou de inserção local e o estudo das culturas. O que aqui foi falado pelos directores do lado espanhol e português é que é preciso adaptar os currículos à realidade e ensinar a cultura local e a amar a terra, acho que vai nesse sentido muitas das reivindicações, a escola ter em conta a cultura local”, destacou.
A sessão final dos conselhos raianos de 2018, integrados na iniciativa de Laboratórios de Participação Pública, que debateu “A escola e o futuro dos territórios raianos” decorreu este sábado na Escola Profissional de Agricultura de Carvalhais, em Mirandela. Depois de reunidas todas as intervenções vão ser elaboradas propostas e criadas resoluções que serão enviadas às entidades competentes em Portugal e Espanha.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

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